30 de março de 2015

Relato: Expedição de 8 dias pelo Monte Roraima – Venezuela – Janeiro/2015

Subir ao topo do Monte Roraima fazia parte dos meus planos há muitos anos e estava em primeiro lugar na minha lista de trekkings fora do Brasil. 
O problema era formar um bom grupo, reservar guias, conseguir um tempo disponível para uma expedição como essa e seguir até Santa Elena de Uairén, na Venezuela, que fica na fronteira com o Brasil. 
E para viajar a um lugar tão longe de São Paulo, só subir o Roraima era pouco. 
Eu tinha que incluir outras trips e o Salto Angel (maior cachoeira do mundo), Gran Sabana e Manaus tinham também que fazer parte. 
Já tinha comentado com o Rodrigo (amigo de trilha, moderador da lista de trekking Exploradores SP e autor do Blog Exploradores) essa intenção e no início de Fevereiro/2014, ele me contatou dizendo que estava formando um grupo para essa trip.
Depois de ter a certeza que eu tiraria férias em Janeiro, também me juntei a trupe, que começou com 6 pessoas; outros mais entraram, outros desistiram e com isso o grupo se formou com 8 pessoas: eu, Márcia, Rodrigo, Rosana, Renan, Daniel, Ronaldo (Falco) e a Bruna. 
O Rodrigo, Rosana e o Renan já eram velhos conhecidos de outras trilhas. Com o Ronaldo já tinha trocado inúmeras mensagens pela internet. Somente o Daniel e a Bruna que não conhecia. 
Com a trupe formada, montamos nosso roteiro que incluía subir e descer o Monte Roraima em 8 dias, chegando até o Lago Gladys e na Proa. Depois seguiríamos para Ciudad Bolívar fazer Salto Angel e no retorno a Santa Elena incluiríamos algumas cachoeiras da Gran Sabana, finalizando em Manaus, para conhecer um pouco do Amazonas.





Na 1ª foto acima, da esquerda para a direita: Márcia, Bruna, Rodrigo, Daniel e o Renan iniciando a caminhada e tendo ao fundo o Monte Kukenan e o Monte Roraima lado a lado. 
Já a 2ª foto mostra todo o grupo com os guias junto ao marco da Tríplice Fronteira (Brasil, Venezuela e Guiana), no topo do Roraima.





São mais de 1000 fotos e estão nesse álbum: clique aqui
Tracklog para GPS, mas somente para referencia: clique aqui

Também gravei alguns vídeos no topo do Monte Roraima e postei no Youtube: 
Lago Gladys: clique aqui
Tentando chegar na Proa: clique aqui
Vale das Bonnetias: clique aqui
Acampamento Coati: clique aqui



Neste relato listei todos os preparativos, as dificuldades, os detalhes da caminhada, valores totais gastos e várias dicas e informações que possam ser úteis a quem quiser repetir esse trekking. 
Como são muitos detalhes e informações, dividi toda essa trip em 4 relatos:
Este do Monte Roraima.
Salto angel: clique aqui
Gran Sabana: clique aqui.
E por último Manaus/AM: clique aqui.

O Monte Roraima é um enorme platô que possui o formato de uma mesa para quem olha da planície, sendo bem semelhante a algumas chapadas brasileiras. Na Venezuela é conhecido como tepui, que no idioma indígena pemon significa "montanha" e tem as seguintes dimensões: cerca de 6,5 Km de largura e + - 15 Km de comprimento, mas visto do espaço seu formato se parece com um triângulo irregular ou o formato de uma bota. A oeste do Monte é só savana venezuelana (que é um bioma que se assemelha ao nosso cerrado), enquanto que a leste está a imensa floresta amazônica, conferindo ao lugar um clima único de chuvas constantes com vento e muita neblina e os rios que descem pelas imensas cachoeiras do topo são decorrentes dessa umidade. 
A divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana está localizada no meio da montanha e com altitude de 2739 metros, colocando o Monte Roraima como a 7ª montanha mais alta do Brasil, porém o ponto mais alto do Monte Roraima está no lado venezuelano, na altitude de 2810 metros. Do total do Monte apenas 5% pertence ao Brasil, 10% a Guiana e 85% a Venezuela e onde se encontra o único acesso ao topo, por trilha. Pelo paredão do lado brasileiro, alguns alpinistas brasileiros já escalaram com sucesso. Veja nesse vídeo: clique aqui
Estima-se que o Monte Roraima tenha cerca de 1,8 bilhões de anos, surgido antes da separação dos continentes e com isso está entre as mais antigas formações do planeta - só para se ter uma ideia, as montanhas do Himalaia (onde está o Pico do Everest – lugar mais alto do mundo) se formaram a cerca de 50 milhões de anos atrás e a Cordilheira dos Andes, na América do Sul, a pouco mais de 100 milhões.
Caminhar no topo é como voltar na pré-história e a sensação é de encontrar algum pterodáctilo pela trilha, que é toda em cima de rochas. Parece até um solo de outro planeta e se explica porque o lugar serviu de inspiração para o livro O Mundo Perdido de Arthur Conan Doyle - quer ler esse livro? clique aqui e faça o download.


Preparativos

Com quase 1 ano de antecedência, a primeira coisa a fazer era comprar as passagens aéreas São Paulo-Boa Vista (capital do Estado de Roraima) e conseguimos bons preços para o início do ano de 2015 e com isso já estava marcado o início da nossa trip: 05/Janeiro.
Já para o retorno, deixamos para comprar em Julho porque estávamos ainda fechando o grupo e ainda tínhamos dúvidas do que incluir a mais no roteiro, além do Roraima, Salto Angel e Manaus. 
Agora era ler muitos relatos e pesquisar preços dos guias e agencias de Santa Elena. O Rodrigo ficaria responsável pela escolha da agencia para o Monte Roraima, enquanto que eu pesquisaria a melhor opção para fazer Salto Angel.
Depois de muitas trocas de e-mails, decidimos fazer o trekking até o Lago Gladys e a Proa e com isso seriam 8 dias no Monte Roraima.

20 de março de 2015

Relato: Salto Angel - Na maior cachoeira do mundo - Venezuela - Jan/2015

Esta é a segunda parte de nossa trip pela Venezuela e agora seguíamos país adentro para conhecer a maior cachoeira do mundo, de quase 1 Km de queda. 
O Monte Roraima (relato: clique aqui) tinha ficado para trás e daqui em diante deixaríamos o trekking de lado e usaríamos outros tipos de transporte: rodoviário (de Santa Elena de Uairén até Ciudad Bolívar), aéreo (Ciudad Bolívar até o Parque Nacional de Canaima) e náutico (trecho de canoa motorizada até próximo da base do Salto Angel) - só na parte final é que caminharíamos um pouco. As dificuldades que passamos no Roraima já não fariam parte e somente uma pequena mochila de ataque seria nossa companheira, para alivio de nossas costas. 
A hospedagem seria em pousadas e 1 noite em redes, quando dormiríamos de frente para a imensa cachoeira e no meio da floresta, a cerca de 4 horas da civilização mais próxima e mesmo assim, tudo era só alegria.
Mas infelizmente essa alegria se alternou com momentos de tensão, tanto na ida, quanto na volta e por pouco uma pessoa do grupo não teve que voltar para o Brasil. Demos muita sorte e foi preciso uma grande dose de paciência. Assim como no trekking ao Monte Roraima, a contratação de uma agencia é obrigatória e os preços encontrados eram bem variados. Alguns pacotes se iniciavam em Santa Elena, outros em Ciudad Bolívar e outros mais na cidade de Puerto Ordaz, vizinha a Ciudad Bolívar.
Novamente estaríamos em 8 pessoas: eu, Márcia, Rodrigo, Rosana, Renan, Daniel, Ronaldo (Falco) e a Bruna. 


Na foto acima, Salto Angel vista do mirante.


Dividi as fotos em 2 álbuns

Ciudad Bolívar e passeio pelo seu centro histórico: clique aqui
Parque Nacional de Canaima e Salto Angel: clique aqui


Salto Angel, que se localiza no Parque Nacional de Canaima, é considerada a maior queda de água do mundo - 979 metros - sendo chamada na língua indígena local dos pemons de Kerepakupai-meru, que significa: queda de água até o lugar mais profundo e se origina no topo do Auyantepui, que é um dos tantos tepuis que se formaram na Venezuela a quase 2 bilhões de anos atrás.
O lugar ficou conhecido no mundo inteiro graças a um aventureiro norte americano chamado Jimmy Angel (que empresta seu sobrenome a cachoeira) que em Maio de 1937 sobrevoou o lugar e em Setembro daquele mesmo ano pousou seu avião no topo, só saindo dali por uma longa caminhada, já que o avião ficou atolado e só foi retirado de lá em 1970 pelo Exercito da Venezuela. Veja nessa foto como ficou o avião ao pousar: clique aqui. Atualmente está exposto no Aeroporto de Ciudad Bolívar: clique aqui e veja a foto.
A cachoeira está localizada em um rio que desce do topo do tepui e que é afluente do Rio Churún, que por sua vez se junta ao Rio Carrao; rios esses por onde passamos de canoa motorizada, saindo da Comunidade de Canaima (onde estão as pousadas das agencias) até chegar na base da cachoeira. Essa região do Parque Nacional é formada por rios de águas escuras, devido em parte a dissolução de substâncias orgânicas na água, além de inúmeras cachoeiras que descem dos tepuis e uma rica fauna, flora e algumas áreas de savanas.


Agencia e pousada em Ciudad Bolívar: Enviei inúmeros e-mails para agencias de Ciudad Bolívar, já que dessa cidade é que sai a maioria dos voos para o Parque Nacional de Canaima. Iniciei os contatos em Julho/2014 só para ter uma ideia de preço em dólar, porque em Bolívares o valor ia mudar muito. E depois, dependendo do valor em dólar e das condições, contataria novamente perto do final do ano e fecharia de vez. Das várias que contatei, separei apenas 3 agencias, que tinham preços quase semelhantes em dólares: Bernal Tours, Mystic Tours e a Gekko Tours.
A Bernal queria cobrar pouco mais de $250 Dólares e que depositássemos metade desse valor na conta corrente da agencia brasileira Roraima Adventures, que fica em Boa Vista.
A Mystic até tinha um preço bom; o problema era que a agencia se localiza em Santa Elena de Uairén e com isso ela repassaria para outra agencia de Ciudad Bolívar. E segundo o proprietário da agencia, Roberto Marrero, mesmo que fechássemos em Dezembro, teríamos que pagar a diferença, se o preço aumentasse na virada do ano.
A Gekko tinha um preço de $200 Dólares, o que dava em torno de $500 Reais à época, além de possuir uma pousada na zona rural da cidade com valores de + - $700 Bolívares/pessoa (cerca de $5 Dólares) e com a vantagem da agencia nos pegar na Rodoviária da cidade e nos levar para a pousada e depois para o aeroporto, sem nenhum custo. Depois de trocar inúmeros e-mails com uma funcionária dessa agencia (a Vilma), tirando várias dúvidas, resolvemos fechar com a Gekko Tours.
Combinamos que iriamos chegar na manhã do dia 15/Jan em Ciudad Bolívar e ficaríamos 1 dia na pousada para conhecer o centro histórico da cidade e só no dia seguinte (16/Jan) seguiríamos de avião para Canaima e com isso deu para descansar da caminhada no Roraima e da longa viagem de ônibus.
Do pacote de $200 Dólares só não estavam incluídas as taxas do Aeroporto de Ciudad Bolívar e a entrada no Parque de Canaima.

Segue abaixo uma cópia do e-mail que recebi da Gekko Tours sobre o pacote para Salto Angel.


15 de março de 2015

Relato: 2 dias pela Gran Sabana - Venezuela - Jan/2015

Últimos dias na Venezuela. 
Já tínhamos feito o Monte Roraima (relato: clique aqui) e Salto Angel (relato: clique aqui) e pelo nosso planejamento, assim que retornássemos a Santa Elena de Uairén, ainda restariam 3 dias antes do nosso voo de Boa Vista para Manaus, que seria na madrugada do dia 23 de Janeiro.
Se algum problema ocorresse, teríamos pelo menos uma folga de alguns dias, mas graças a Deus nenhum imprevisto e com isso poderíamos visitar algumas cachoeiras da Gran Sabana sem pressa
Mas por termos chegado à Santa Elena quase no final da tarde do dia 19 de Janeiro, devido a todos aqueles problemas no ônibus, tínhamos perdido 1 dia, porém os que restavam eram o suficiente para conhecer várias atrações.
Logo que chegamos na Pousada Backpaker, a Bruna encontrou uma agencia, ao lado da Pousada Michele, que cobraria $84 Reais por pessoa pelos 2 dias. 
O roteiro consistia em visitar alguns mirantes, cachoeiras e corredeiras ao longo da Rodovia Troncal 10, que liga Santa Elena a Ciudad Bolívar. 
A saída era sempre pela manhã e só retornávamos no inicio da noite. No primeiro dia éramos só nos 8, já no segundo dia um casal colombiano (Nicol e José) que estava viajando pela América do Sul, se juntou ao grupo.

Na foto acima, no topo da La Ventana del Cielo (Cachoeira Janela do Céu)



Álbum de fotos: clique aqui


Gran Sabana serpenteado de buritis vista do Mirante
Localizada no sul da Venezuela, toda a região da Gran Sabana é um ecossistema que se assemelha ao cerrado brasileiro e fazem parte dela os famosos tepuis (que são as montanhas em forma de mesa) e inúmeras cachoeiras, abertas à visitação. Seguindo ao longo da Rodovia é relativamente fácil chegar às cachoeiras e algumas estão ao lado da estrada, outras a poucos minutos, seguindo por estradas de terra. 
Dizem que são mais de 800 e de todos os tipos, desde as de grande volume, pequenas até as de difícil acesso.
A Gran Sabana pertence ao Parque Nacional de Canaima, que por sua vez se divide em 2 setores: oriental, onde predomina a densa floresta ainda intocada com a Lagoa de Canaima e o Salto Angel como atrações principais; e ocidental, predominando a savana, cujas atrações principais são o Monte Roraima e as inúmeras cachoeiras. 
O parque está entre os 10 maiores do mundo em extensão - 30.000 km² - e 2 dias eu considero pouco para conhecer as cachoeiras, sendo que algumas agencias de Santa Elena elaboram pacotes de quase 1 semana só pela Gran Sabana. 
Sem dúvida nenhuma foi a melhor opção deixarmos para os últimos dias desfrutar dessa parte da Venezuela.

11 de março de 2015

Relato: 3 dias em Manaus/Amazonas – Jan/2015

Hora de voltar para o Brasil.
Os dias na Venezuela foram muito bons e não dava para reclamar. Talvez 3 situações bem chatinhas: a Proa no Roraima, a quase volta do Daniel para o Brasil antes da hora e 1 dia perdido por causa da Guarda Nacional Bolivariana. Paciência né. Creio que essas 3 situações aconteceram por causa da nossa falta de experiência, mas pelo menos ninguém do grupo teve algum problema sério de saúde.
Nesse último dia no país, a Bruna conseguiu 2 táxis brasileiros em Santa Elena de Uairén, que nos levariam de volta para Boa Vista, só parando nos freeshops e nas 2 aduanas: a venezuelana tinha uma fila de poucos minutos e rapidamente saímos de lá em direção à brasileira, que também não demorou muito naquela manhã de Quinta-feira. Parte burocrática resolvida, seguimos pela Rodovia em direção a capital do Estado de Roraima. Os taxistas pisaram fundo no trecho de 220 Km e com uma pequena parada na Rodovia fomos chegar em Boa Vista no início da tarde. E como o Ronaldo iria se despedir da gente aqui, seguimos direto para o Hotel Ideal, onde ele ficaria hospedado naquela noite. Deixamos todas as mochilas lá, mas tivemos uma recepção de boas vindas ao Brasil que não queríamos. Um dos taxistas queria cobrar um valor maior do que ele tinha combinado com a Bruna e ainda queria ter razão. Desonestidade - lamentável - bem vindo ao Brasil.


Foto acima, o encontro da águas barrentas do Rio Solimões com as escuras do Rio Negro em Manaus



Fotos desse álbum: clique aqui

Relatos anteriores - Monte Roraima: clique aqui
                                       Salto Angel: clique aqui
                                    Gran Sabana: clique aqui


Boa Vista/RR - 22/Jan – Quinta-feira

Por do Sol em uma praia fluvial no meio do Rio Branco
# Depois do Hotel, passamos em alguns caixas eletrônicos e seguimos para a orla do Rio Branco. Nesta época, devido a estiagem, surgem no meio e na margem do rio lindas praias de água doce, onde é possível ficar na areia. São praias fluviais maravilhosas, cujo acesso é feito por pequenos barcos que saem da margem. Valeu a pena ficar ali o restante daquela tarde, sentados em cadeiras de praia. 

# Já anoitecendo voltamos para a margem e seguimos caminhando para a Praça das Águas, onde fomos jantar em um restaurante japonês chamado Anita Sushi, pagando $43 Reais/pessoa, que fica em frente ao Monumento Portal do Milênio.

# Logo em seguida retornamos ao Hotel para pegarmos nossas mochilas e nos despedimos do Ronaldo para seguirmos ao aeroporto, onde deu para cochilar por algumas horas, antes do embarque para Manaus pouco antes das 04:00 hrs da madrugada. Aqui também a Bruna se despediu do restante do grupo, retornando para São Paulo e com isso ficamos em 6.