4 de abril de 2014

Relato: 2ª Travessia da Funicular - de Paranapiacaba até Cubatão - Dessa vez deu

Em Setembro de 2013, eu estava junto com Rodrigo, Marcelo e mais alguns integrantes da lista de trekking Exploradores SP para fazer a travessia completa da Linha Funicular, iniciando em Paranapiacaba e terminando em Cubatão, mas por causa de problemas com um dos integrantes e a perspectiva de fazer essa caminhada só com pessoas que nunca tinham feito a trilha, resolvemos abortar e seguimos somente até a Casa de Máquinas do 4º Patamar, junto à Ponte da Grota Funda (relato aqui). 
E quando retornamos para Sampa, ficou aquele gostinho de quero mais. 
O problema era encontrar um dia de Sol onde todos pudessem refazer essa travessia e dessa vez até Cubatão. 
E essa data surgiu depois de inúmeros e-mails trocados na lista, marcando para fazermos no dia 23 de Março de 2014 (Domingo). 
O clima não estava ajudando, mas iriamos assim mesmo e se não desse para fazer a Funicular, pelo menos tentaríamos a descida do Rio Mogi.




Foto acima mostrando a travessia de uma das inúmeras pontes em ruínas




Fotos dessa caminhada: clique aqui


Tracklog para GPS de toda a travessia: clique aqui



Da trip que eu tinha feito em Setembro, só eu e o Marcelo que estavam retornando. Dessa vez entraram o Wagner, a Lu e a Helen.
O Marcelo e o Wagner, por já terem feito essa travessia até Cubatão, eram nossos guias e nos trechos mais difíceis foram de grande ajuda. 
Já a Lu e a Helen eram novas integrantes da lista e logo de cara resolveram caminhar em uma das travessias mais complicadas que eu já fiz.
O planejamento do percurso era para ser feito em apenas 1 dia e exigia muita atenção e sangue frio para cruzar pontes em ruínas e possivelmente terminar essa caminhada durante a noite.
E assim marcamos de todos se encontrar na Estação de trem do Brás as 06:00 hrs, junto a plataforma de embarque para Rio Grande da Serra.
Somente com uma mochila de ataque, eu fui o último a chegar na estação e depois das apresentações de praxe, seguimos no primeiro trem que chegou.
Ao longo do caminho, a situação não era muito animadora, já que pela janela do trem dava para notar que chovia na região, mas ainda tínhamos a esperança de que melhoraria.
Mas ao desembarcamos em Rio Grande da Serra, a má notícia. 
A chuva tinha piorado e inviável para caminhar na linha Funicular. Todo mundo estava desanimado e para afogar as magoas seguimos para uma padaria em frente da estação. 
O clima era de velório entre todos, já que não dava para fazer a Funicular e muito menos a descida do Rio Mogi. Se o tempo continuasse daquele jeito tínhamos que retornar para SP, mas os deuses pareciam que tinham ouvido nossas preces. 
Início da trilha junto do mirante
A chuva cessou e a neblina também tinha ido embora e com isso seguimos para o ponto de ônibus, onde sai o circular até Paranapiacaba. O lugar estava deserto e logo depois começaram a chegar alguns grupos. 
O ônibus fez o percurso rápido e pouco depois das 08:00 hrs (um pouquinho tarde para fazer a Funicular) já estávamos desembarcando na Vila bem animados. 
Voltamos alguns metros pela estrada, passando pelo cemitério e pelo estacionamento até chegarmos ao início da trilha, que tanto serve para descer o Rio Mogi quanto para a Funicular. 



Trecho íngreme
O início dela é bem demarcado e lembrando que ela só pode ser feita com acompanhamento de guias credenciados. No final desse relato coloquei o link para o site dos guias de Paranapiacaba, para quem quiser contratá-los.
Depois de passar pelo mirante ainda descemos uns 30 metros até sair da trilha principal e virar em uma bifurcação à esquerda. Ela está um pouco escondida, mas quem conhece trilha vai saber identificar.
Íamos seguindo sem dificuldades até chegar em uma encosta quase vertical, onde tivemos que descer segurando nas raízes de uma árvore e um a um íamos passando pelo trecho.
Mais alguns minutos de trilha tranquila até chegar na linha cremalheira, que está ativa. 
De vez em quando os guardas da MRS Logística ficam nesse trecho da ferrovia com o objetivo de barrar quem pretende caminhar pela linha férrea, por isso seguíamos em silencio, mesmo sabendo que é proibido caminhar por ali.



Seguindo pela linha férrea
Depois de mais de 200 metros descendo pelos trilhos, pegamos uma trilha que sobe a encosta à esquerda nos levando até os trilhos da linha Funicular, onde chegamos as 08h40min. 
A vegetação e os trilhos estavam molhados, mas quem sai na chuva não é para se molhar?
Depois de dois túneis sucessivos chegamos na 1ª ponte, que é uma das mais tranquilas e passamos sem maiores dificuldades. 
Nesse trecho inicial, entre um túnel e outro e entre as pontes, a trilha é bem demarcada, mas o que nos preocupava era o clima que não estava muito bom e mesmo com os trilhos e dormentes molhados, seguíamos em frente.
Cruzando pontes férreas

Depois de cruzar mais 4 túneis, sendo o último deles conhecido como Túnel dos Arcos, onde existe um acesso às galerias de águas e 3 janelas construídas junto ao final, chegamos a uma das mais temidas pontes dessa travessia: a ponte da Grota Funda, cuja extensão não chega a ser a maior de todas, mas os dormentes estão em péssimo estado e a altura é uma das maiores: quase 80 metros. 
Em alguns trechos dessa ponte os dormentes já não existem mais e de vez em quando surgem grandes vãos entre um dormente e outro e só de olhar para baixo, dá vertigem.
Quarto Patamar
Ao final dela, sai uma trilha à direita que leva até a Casa de Máquinas do 4º Patamar, onde chegamos as 10h20min e encontramos um casal acampado (Cris e Paula). Um deles eu reconheci na hora, já que tinha encontrado com ele na Cachoeira do Elefante, em Bertioga no último Carnaval. 
Ficamos aqui por cerca de 30 minutos descansando um pouco e comendo alguma coisa. 
A Lu veio bem preparada e de sua mochila ela tirou sua pequena marmitex. Eu preferi minhas frutas secas, as Ana Marias e sucos.
Para quem não quer arriscar a travessia até Cubatão, esse é o lugar perfeito para acampar ou até para um bivaque, já que o local é todo coberto e com espaço suficiente para várias barracas e redes.
Dormentes podres
Saciados e descansados, retomamos a caminhada pelos trilhos pouco antes das 11:00 hrs e logo já estávamos passando pelo 7º túnel e daqui em diante era tudo novo para mim, já que eu tinha vindo só até aqui. 
Nesse trecho, a trilha segue por entre o capim, arbustos e vegetação baixa e está bem demarcada. O problema era a neblina e a vegetação molhada que nos deixou ensopados.
Uns 15 minutos depois já chegamos na 4ª ponte que vão ficando cada vez piores e depois dela foram quase 30 minutos de trilha pela mata até chegar na 5ª ponte, pouco depois do meio dia. Era um trecho curto, mas a dificuldade aumentava cada vez mais, por isso o ritmo era lento nesses trechos mais perigosos.
Terceiro Patamar
Mais uns 15 minutos (as 12h35min) de trilha e chegamos às ruínas do 3º Patamar e do lado esquerdo ainda está de pé uma enorme caixa d’água. 
No lado direito surge o que sobrou da laje que cobre a Casa de Máquinas, mas nem chegamos a descer. 
Depois de vários clics retomamos a caminhada, mas surgiu um problema para piorar ainda mais as coisas: a garoa retornou e dessa vez um pouco mais forte.
O Wagner e a Lu tinham pisado em um formigueiro e por isso resolvemos parar em uma antiga casa, próxima das ruínas para retirar as formigas que estavam picando os dois.

Tudo enferrujado
A 6ª ponte surge uns 10 minutos depois e logo depois dela o 8º túnel, onde paramos novamente para descansar. 
Nossas roupas estavam encharcadas e meu pensamento era um só: o que eu estava fazendo naquele lugar? 
Não tinha nada seco no corpo, estávamos na trilha sem visual nenhum e corríamos risco de vida ao cruzarmos pontes com trilhos molhados, mas pensar em desistir ou voltar para Paranapiacaba? Isso jamais. 
A gente só tinha dado azar em pegar um dia de chuva. Na verdade todo mundo estava animado e em vários momentos a gente perguntava ao Wagner e o Marcelo quanto tempo ainda faltava, mas sempre diziam que não faltava muito e que no final a trilha se assemelhava a uma estrada, de tão aberta que era. 
O 9º túnel surge um pouco à frente e para manter a animação, íamos conversando. A Helen era a mais quieta, mas estava aguentando muito bem, talvez por ser descendente de japoneses ela falava pouco e como tinha um cabelo longo e não estava usando boné, se enroscava em vários espinhos e galhos.
Mato tomando conta

O Marcelo se divertia com isso, mas a vingança dela não tardou a vir. De repente a lateral da boca do Marcelo começou a ficar inchada, como se tivesse levado uma picada de abelha, mas não era muito grave. 
Era preciso ficar atento às formigas e as aranhas, que surgiam sempre no meio da trilha e talvez tenha sido isso que picou o Marcelo. 
A Lu era a mais animada e para ela, todas as flores, plantas diferentes e visuais era tudo lindo, tudo maravilhoso - isso é que incentivador e era o que nos guiava nesse perrengue de chuva, neblina e alguns vara matos.
Varando mato
Os trechos de trilha pela mata estavam ficando piores e um ou outro vara mato era normal e por sorte o Marcelo trouxe seu facão, que foi útil nos trechos mais fechados da mata. 
O que pudemos notar era que ninguém passava a muito tempo por lá e em vários momentos eu, o Marcelo e o Wagner íamos nos revezando na abertura da trilha. 
Pouco antes das 14h30min chegamos na 7ª ponte e aqui todo cuidado é pouco porque em vários pontos a vegetação está tomando conta dos trilhos e as vezes não se sabe onde está pisando ou se vai encontrar uma Jararaca descansando. 
Logo que termina a ponte surge o 10º túnel e mais alguns minutos chegamos na 8ª ponte com travessia também complicada, já que um trecho de metade dos trilhos está tomado pelo mato.
É interessante notar que depois da Grota Funda, as pontes parecem ser baixas e só se consegue ver a copa das árvores. Não são altas, mas eram tão perigosas quanto.


Por cima da vegetação
Pouco depois das 15:00 hrs chegamos na 9ª ponte e foi uma das mais sinistras e piores, já que a vegetação tomava conta de todos os trilhos, tanto no começo quanto no final dela. 
Não conseguíamos ver os dormentes e muitos menos os trilhos e nessa hora tivemos que usar o facão para abrir caminho e conseguir visualizar pelo menos os trilhos. 
Foi uma travessia demorada e bem mais perigosa, mas conseguimos terminá-la sem problemas. 
No meio dela ainda estava de pé uma placa indicando “Viaducto 7” e na sua base existia uma enorme plantação de bananas, mas que era impossível descer até lá.
Mais pontes
Mais um pequeno trecho de trilha e chegamos na 10ª ponte, que foi uma das mais extensas por onde caminhamos, mas sem a vegetação nos trilhos (na verdade a mais longa da Funicular é a Ponte-Mãe, mas essa tivemos que passar por baixo dela). 
No meio dessa ponte a placa de "Viaducto 6" ainda estava lá também e assim que terminamos ela, seguimos por uma trilha à esquerda que levava até a Casa de Máquinas do 2º Patamar, onde descansamos um pouco e comemos alguma coisa. Em cima de uma mesa encontramos molho de tomate, macarrão, açúcar e outros alimentos deixados por outras pessoas. 
Neblina espessa
Já descansados, retomamos a caminhada pouco antes das 17:00 hrs já sabendo que terminaríamos essa travessia no meio da noite, mas tudo bem, estávamos com lanternas. 
A boa noticia era saber que o trecho final seria com trilha bem demarcada e sem vara mato. 
Depois do 2º Patamar já íamos desviando de algumas pontes em ruínas e surgiam também algumas de concreto que as vezes nem notamos, por isso até perdi a conta de quantas já tínhamos cruzado. Nesse trecho já apareciam alguns visuais mostrando a COSIPA e o Terminal de Contêineres de Cubatão e pouco antes das 17h30min chegamos à Ponte Mãe, que é a mais extensa de toda essa travessia. 
Na base da Ponte Mãe

Não é recomendável caminhar pelos trilhos dela, por isso seguimos por uma trilha à direita descendo por uma escada de concreto até cruzar o riacho no fundo do vale e depois passando debaixo da ponte, para voltar aos trilhos pelo lado esquerdo. 
É um trecho bem complicado porque a trilha não é tão demarcada, nos levando a alguns perdidos - aqui é preciso ter faro de trilha.
Assim que voltamos aos trilhos já surgiu o 11º túnel, que é conhecido como Túnel Pai ou Túnel dos Morcegos, sendo um pouco assustador jogar a luz das lanternas no teto e visualizar algumas manchas pretas se mexendo. 
Só batemos algumas fotos e seguimos em frente porque logo iria escurecer.
Cruzando túneis

Mais alguns minutos e contornamos outra ponte, mas dessa vez pelo lado esquerdo e aqui já tivemos que ligar as lanternas, já que não era possível mais enxergar a trilha no meio da mata. 
Pouco antes das 18h30min passamos pelo último túnel, o 12º, que se não me engano no mesmo local existe um outro paralelo, mas nem fui tentar encontrá-lo. 
Nossa prioridade era sair o mais rápido possível daquela mata, já que só tínhamos as luzes das lanternas para nos guiar pela trilha.
Mais uns 10 minutos e chegamos numa cachoeira em forma de tobogã cruzando a trilha. 
Cruzando riachos

Como já era noite, o risco de ser levado pelas águas era grande e se alguém escorregasse ao atravessar, seria levado cachoeira abaixo. 
Com extremo cuidado e iluminados pelas lanternas fomos cruzando um a um sobre as pedras com o corpo quase que deitado sobre a água, sendo até perigoso ficar de pé. 
A ponte que estava nesse trecho se localizava um pouco mais abaixo e com a total escuridão nem era possível enxergá-la.
Desse ponto em diante, a trilha já começa a ficar cada vez mais larga e logo à frente contornamos a última ponte pela esquerda e daqui para frente era só seguir pelo antigo leito da ferrovia. 
Linha férrea em funcionamento
O trecho lembrava mesmo uma grande avenida, já que nas laterais haviam enormes muros de arrimo que protegiam a ferrovia e com isso a caminhada se tornou mais tranquila.
Já próximo do final dessa linha, a trilha passa próximo aos fundos de uma casa residencial à direita e alguns metros à frente vira à esquerda para pegar uma trilha paralela à antiga linha.
Desse ponto já ouvíamos o som das locomotivas que levavam cargas para o porto e só foi descer uma encosta e chegamos na linha férrea ativa da MRS exatamente as 19h55min. 
Ufa, quase 12 horas de caminhada. O perrengue terminou e chegamos sãos e salvos, graças a Deus.
Fim da caminhada
Mas tinha um pequeno trecho até o ponto de ônibus e dessa forma cruzamos os trilhos passando embaixo da Rodovia elevada e seguimos paralelamente à linha férrea até chegar em um estacionamento à esquerda. 
Aqui só foi passar por dentro dele, cruzar uma pequena ponte de concreto e chegar na portaria. Junto dela existe uma enorme rotatória com um ponto de ônibus e o primeiro que chegou já embarcamos, mas fomos alertados por um dos motoristas que talvez não daria tempo de chegarmos na Rodoviária Cubatão antes das 21:00 hrs – esse era o último horário de ônibus para SP e por isso seguimos para a Rodoviária de Santos onde embarcamos no horário das 21h45min pela Viação Cometa, chegando por volta das 23:00 hrs no metrô Jabaquara.





Dicas e algumas informações úteis

# Essa não é uma travessia qualquer. De maneira nenhuma não dá para imprimir o relato e levá-lo para a trilha achando que é só isso. Se quiser fazê-la, somente acompanhado de um guia credenciado. Outras travessias por linha férrea que eu já fiz como a Passa Quatro-Cruzeiro, Angra dos Reis-Lídice e Trilha do Rio Branquinho não se comparam em nada com essa. Na Funicular, o risco de queda é muito grande nas várias pontes em ruínas.

# Caminhar por trilhos, pontes e túneis que possuem mais de 100 anos não tem palavras. 
Apesar de ter vários trechos sinistros, essa é uma travessia maravilhosa e do ponto de vista histórico deveria ser conservada. Uma pena que está sendo engolida pela mata e suas pontes destruídas pelo tempo. É, a Natureza está tomando de volta o foi destruído na construção dessa linha. 

# A caminhada pela Linha da Funicular está totalmente proibida. É uma travessia muito perigosa. Junto ao início da trilha que leva ao Rio Mogi, sempre fica estacionada uma viatura do IF (Instituto Florestal) com o intuito de proibir à Linha Funicular e ao Rio Mogi.

# Essa é uma caminhada que só pode ser feito com acompanhamento de guias credenciados. Se quiser contratar um, segue o link com os roteiros e os valores cobrados pelos Associação dos Guias de Paranapiacaba. 
www.ama-paranapiacaba.org.br/trilhas_e_roteiros.pdf

# Não faça de maneira nenhuma essa travessia sozinho ou em dupla e muito menos com pessoas que nunca fizeram essa caminhada. 
Faça sempre em grupos e com alguém que já tenha feito a travessia completa, para que nos trechos de desvio das pontes as pessoas não se percam, ou tenham problemas nos trilhos.

# Em vários trechos das pontes os dormentes estão totalmente podres ou não existem mais, por isso é comum encontrar inúmeros vãos entre um dormente e outro, exigindo extremo cuidado para cruzar as pontes. A parte estrutural de várias delas também está apodrecendo, por isso ao pisar nas chapas de aço é preciso muita atenção.

# Essa travessia não é recomendada para pessoas que tenham fobia a altura, já que não existem opções para desviar das pontes. 

# O trecho de caminhada pela mata também é muito complicado e sempre surgem vara matos com alguns perdidos, por isso não é uma caminhada para qualquer um. 

# Um eventual resgate por causa de queda de uma das pontes é muito difícil, já que o único acesso é somente pela linha.

# Ao longo dessa travessia existem poucos pontos de água confiáveis, por isso é preferível levar água. Uns 2 litros/pessoa para quem vai fazer toda a travessia.

# Luvas e lanternas são itens obrigatórios nessa travessia. Protetor solar e repelente também são úteis. 

# Recomendo levar também um facão, principalmente para os trechos onde o mato está fechando a trilha e cobrindo os trilhos e dormentes nas pontes.

# A trilha é cheia de espinhos, formigas, aranhas, por isso evite o uso de bermudas e camisetas de manga curta. Se puder também leve uma perneira, já que na Serra do Mar existem muitas Jararacas.

# Em todo o percurso dessa travessia surgem canais e valas que servem para o escoamento de pequenos riachos e água das chuvas, por isso é preciso ficar muito atento onde se pisa.

# Nos trechos de mata fechada a trilha segue bem próxima dos trilhos, por isso se tiver algum problema, procure por eles.

# Cobertura de telefonia celular existe em vários trechos dessa travessia.

# Em vários túneis encontramos vestígios de que algumas pessoas bivacam em seu interior ou montam barracas, mas com certeza os melhores pontos para acampar ou montar uma rede são as Casas de Máquinas dos Patamares, principalmente o 4º e o 2º. 

# A linha funicular possui ao todo 5 Casas de Máquinas (chamadas de Patamares), 13 túneis e 16 pontes, sendo que algumas delas já estão destruídas pelo tempo.

# O percurso total dessa travessia tem aproximadamente 12 Km e pode ser completado em cerca de 10 horas, sem correria. Nós levamos quase 12 horas porque estava garoando e tivemos que seguir em ritmo lento em vários trechos.

# O desnível é de cerca de 800 metros da Vila de Paranapiacaba até o final da linha funicular e a inclinação é de aproximadamente 8 graus.

# Um pouquinho de história: 
A primeira linha funicular que subia a Serra do Mar foi inaugurada em 1865 com o objetivo de trazer imigrantes para o planalto e levar o café – o nosso ouro verde - para o Porto de Santos. Devido ao intenso tráfego, foi preciso construir outra linha funicular alguns metros acima da primeira, que foi inaugurada no final do século XIX, com o nome de Serra Nova. E com isso as duas linhas funiculares operavam independentes. 
A primeira linha e mais antiga funcionou até 1974, quando o sistema funicular foi substituído pela cremalheira. Já a outra linha funicular mais nova continuou funcionando até 1981, quando foi desativada totalmente e foi por essa linha que fizemos nossa caminhada.

# Nos sites abaixo é possível obter informações um pouco mais detalhada da história dessa Linha Funicular:
www.avilainglesa.com
www.abpfsp.com.br/museu_ferroviario_paranapiacaba.htm
http://amigosdacptm.blogspot.com.br/2011/04/atravessando-serra-do-mar-o-sistema.html

# A CPTM realiza passeios com um Trem Turístico que sai da Estação da Luz em direção a Paranapiacaba. São roteiros organizados pela agencia RizzaTour e com saídas aos Domingos pela manhã. A procura é grande e é necessário reservar com uns 2 meses de antecedência.
www.cptm.sp.gov.br/e_operacao/exprtur/consulta.asp
www.rizzatour.com.br

6 comentários:

  1. Fala Augusto,
    Que show heim? Lembra aquelas aventuras meio incertas que a gente faz quando iniciamos no ramo eheh... Deve ser incrível passar nessas pontes... deve dá um medinho gostoso eheh
    Abração, bons ventos pra Ti

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  2. Fala Francisco, blz?

    Essa trilha foi um p. perrengue viu.
    Mas por ser ter sido a segundo vez lá, eu não ia voltar, mesmo que estivesse chovendo canivete.
    Já tivemos problemas na primeira vez. Essa tínhamos que ir até o fim.
    Passei por situações bem parecidas a muito tempo atrás.
    Talvez o tempo nublado tenha nos ajudado a não encontrar alguma cobra peçonhenta pelo caminho.
    E isso é perigoso, porque um resgate por ali é só pelos trilhos.
    Com os trilhos molhados, vegetação alta e muitas pontes caindo aos pedaços literalmente, essa foi uma caminhada muita complicada.

    Só tenho a lamentar que essa trilha tá se fechando demais. Daqui a pouco nem vai ter como passar por cima das pontes, porque vai estar tomado pelo mato alto.
    E essa é a grande magia dessa travessia: a caminhada pelas pontes.


    Valeu.

    Abcs


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    1. O Augusto,
      É, eu acompanhei a tentativa anterior de vcs, mas daquele jeito vcs tomaram a melhor decisão.

      Eu imagino como deve ser tenso atravessar essas pontes... e é uma pena que está se fechando... E nem me fala em cobras, numa situação dessas nem é bom pensar!
      Aqui por Minas noto que ultimamente algumas rotas tem sido fechadas ou restringidas por proprietários; ou mesmo exploração comercial de outras... Constatei isto ao ir no Poço do Soberbo dias atrás!

      Espero que volte logo aqui por Minas ok?
      Abração

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    2. Blz Francisco.

      O melhor dessa travessia são as pontes. É uma pena vermos que as mesmas estão apodrecendo.
      Isso sem contar os trechos de mata fechada na trilha e nas pontes.
      Nas inúmeras fotos que tirei dá p/ ver que o mato está tomando conta delas e não vai demorar muito e logo muitas estarão encobertas e impossível atravessá-las.

      Existe uma que metade dela está desabando e por passarmos pelo local já no meio da noite, nem, pudemos registrá-la.

      Quando estávamos terminando a Lapinha-Tabuleiro, dava para ver um belo canion à esquerda, o do Rio Preto, que parece ser uma boa opção de travessia aí perto. Quem sabe a gente retorna uma hora p/ fazer essa caminhada.

      Por enquanto estamos só fazendo caminhadas de fds aqui perto de Sampa, mas com certeza voltaremos p/ MG.
      Tenho pelo umas 3 na minha lista.


      Gde abc

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    3. Grande Augusto,

      Pena né, grande parte dos trechos ferroviários do Brasil foram e estão indo literalmente pro brejo... Lamentável!

      E espero sim, e torço para que venha pelo Espinhaço... Coincidentemente, na semana santa irei fz a Lapinha Tabuleiro pela variante Bicame-Peixe Tolo-Rabo de Cavalo e vila do Tabuleiro. Irei ao Cânion do Rio Preto, mas provavelmente até a Cachoeira de Congonhas somente. São muitas as possibilidades eheh

      Volte logo ok? Abração

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    4. Blz Francisco.

      Aqui perto de Sampa existem alguns trechos de linha férrea que ainda quero fazer porque possuem belos visuais.
      Uns ainda estão ativos, outros não.
      Mas com certeza volto qqer dia a caminhar pelos trilhos.

      Nessa região do Espinhaço o ideal é ter vários dias p/ aproveitar bem a caminhada.
      P/ nós que moramos em SP, a logística é complicada, tanto p/ chegar como para sair.
      A Tabuleiro-Congonhas, passando pelo canion do Rio Preto é uma das que estão na lista.
      E claro, parando em algumas cachoeiras que estão ao longo do caminho.
      É só sobrar um tempinho com vários dias.


      Abcs

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