20 de fevereiro de 2017

Relato: Travessia do Lago dos Andes - Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP

Depois de conhecer alguns dos principais picos e cachoeiras da Serra do Mar na região de Biritiba Mirim - nesses relatos, as minhas caminhadas agora eram para completar uma travessia, iniciando em um lugar para finalizar em outro. 
E na minha primeira em Setembro de 2016 quando tentei fazer a da Cachoeira Pedra Furada-Pedra do Sapo – nesse relato aqui – encontrei o Maciel (autor do Blog de caminhadas Além da Fronteira) e seu grupo próximo da Cachoeira da Light. 
Eles estavam seguindo para o Lago dos Andes (alguns chamam de Represa dos Andes, mas os dois nomes estão valendo), passando pela cachoeira, mas nem imaginava que ali existia uma trilha e sempre pensei que o único acesso é pelo trecho da Trilha do Lobisomem. Pedi algumas informações dessa trilha para eventualmente fazê-la algum dia.

Porém com as férias de fim de ano e o clima chuvoso, não sobrava um fim de semana de Sol e por isso fui deixando de lado. E só no final de Janeiro que o clima ajudou, mas minha intenção era fazer o percurso no sentido inverso com o seguinte roteiro: iniciar a caminhada pelo Bairro Manoel Ferreira, passando pelo topo da Pedra do Sapo em seguida contornando o Pico do Gavião pela trilha à nordeste para interceptar a Trilha do Lobisomem e dali seguir a trilha tradicional até os Andes. Para o retorno, tentaria encontrar a trilha que o Maciel tinha feito, saindo dos Andes em direção à Cachoeira da Light e depois seguindo para a Cachoeira da Pedra Furada finalizando no Km 80,4 da Mogi-Bertioga e de lá pelo asfalto até a Balança. 
É uma caminhada relativamente longa e cansativa e talvez com trechos de vara mato entre os Andes e a Light, mas estava decidido a completá-la.




Foto acima com eu, o Allan, a Fernanda e o Marcelo Gibson no mirante com Lago dos Andes ao fundo. Na outra foto junto da margem


Fotos: clique aqui

Vídeo somente com algumas fotos: clique aqui
Desculpem, mas não consegui gravar em vídeo, pois as pilhas que levei estavam no fim.

Tracklog de toda essa caminhada: clique aqui



Trip planejada, agora os corajosos: Marcelo Gibson (velho parceiro de algumas trilhas) e o Allan e sua namorada Fernanda, do Clube dos Desbravadores (CADES) de Biritiba Mirim, ligado a Igreja dos Adventistas, também quiseram se juntar.
O problema era encontrar algum fds que não estivesse chovendo, por isso só confirmei a trip 1 dia antes. Marcamos para um Domingo, que segundo a meteorologia seria de Sol.

Naquela manhã de Domingo embarquei por volta das 06:00 hrs no trem da CPTM na Estação Tatuapé seguindo para Guaianases, onde fiz baldeação para outro trem em direção à Estação de Estudantes. 
Deu até para cochilar um pouco e por volta das 07h15min já desembarcava na última estação, seguindo para o Terminal de ônibus municipais do lado direito. Não demorou muito e o Marcelo Gibson chegou. Colocamos o papo em dia e por volta das 08h20min o circular Manoel Ferreira saiu e para variar, lotado de trilheiros. 
Um deles eu reconheci rapidamente: era o Diógenes com sua turma do Canal da Caminhada. Encontrei ele no final de Outubro na Trilha do Lobisomem e dessa vez o grupo dele era bem maior. 
Conversamos rapidamente e a caminhada que ele ia fazer agora era longe de onde eu ia.
Em Manoel Ferreira
O Allan mandou algumas mensagens pelo celular dizendo que iria se encontrar com a gente no topo da Pedra do Sapo.
As 09h20min descemos no ponto de ônibus do Km 74,3 da Mogi-Bertioga e sem perder tempo seguimos pela estrada de terra que leva ao centro do Bairro Manoel Ferreira, onde chegamos 10 minutos depois. 
Agora seguíamos pela estrada ao lado da Adutora da Sabesp, às vezes pelo lado esquerdo, às vezes pelo lado direito. 
Assim que terminamos um longo trecho do lado direito da Adutora, surgiu uma bifurcação junto a um portão de ferro com muros laterais brancos pouco depois das 10:00 hrs. 
A estrada principal segue para a esquerda contornando o morro, mas nosso caminho é para direita. 
Riacho na trilha
Mais uns 10 minutos e saímos novamente à direita para pegar uma estradinha que leva a uma propriedade particular, marcada por uma porteira de madeira. Fácil cruzá-la e alguns metros à frente chegamos em 2 casas abandonadas, as 10h20min. 
Do lado esquerdo nota-se uma trilha ao lado de uma cerca de arame e é aqui que definitivamente entramos na mata fechada.  
Essa é a trilha oeste da Pedra do Sapo e sem maiores dificuldades vamos ganhando altitude até chegar a um pequeno bambuzal, onde a trilha segue para esquerda.
Com trechos no plano e pequenas subidas, não demora muito e quase dou de cara com uma cobra Jararaca. 
Era um filhote cruzando a trilha e foi bem fácil identificá-la pelas marcas geométricas no seu corpo e cor amarronzada. 
Pedra do Sapo
Com cerca de 15 minutos de trilha ouve-se um riacho à esquerda onde pegamos água e com cantis cheios, voltamos para a trilha subindo por um leito seco de enxurrada com trilha tranquila sem bifurcações.
Pouco depois das 11:00 hrs passamos ao lado de um grande descampado para várias barracas e mais alguns metros emergimos no aberto com vistas para o norte. 
Logo chegamos no platô, que fica um pouco abaixo da Pedra do Sapo e aqui o Allan e a Fernanda já nos aguardavam. 
Apresentações e um rápido bate papo, seguimos para o topo do Sapo, onde uma galera praticava rapel.
A subida ao topo é feita por uma corda junto a um paredão, mas sem grandes dificuldades. 
Pico do Itapanhaú à esquerda e Gavião à direita
O Sol nos brinda com um visual fantástico: Torre do Itapanhaú e Pico do Gavião são fáceis de identificar à leste e os prédios da Riviera de São Lourenço são vistos sem impedimento nenhum ao sul. 
No local uma família inteira apreciava a vista e um deles me reconhece do blog. 
É o Fernandes que também me apresenta ao Batista e depois de um bate papo era hora de irmos embora, pois ainda tínhamos um longo caminho pela frente e ao descermos do topo, seguimos pela trilha à leste, que passa pelo trecho das cordas onde percebo que algumas foram retiradas. Uma pena.
Foram cerca de 20 minutos em todo o trecho de descida, chegando à antiga estrada pouco depois das 12h15min. Seguindo agora rumo nordeste, caminhamos cerca de 300 metros para entrar novamente na mata fechada à direita, subindo rumo sul. 
Cruzando riachos
É uma trilha demarcada com marcas de pneus de moto e com uma bifurcação à esquerda que deve ser desprezada. O ganho de altitude não é tão grande, pois estamos contornando o colo do Pico do Gavião pela sua esquerda.
Depois de passar pela Cachoeira da Água Fina, facilmente identificada pelo barulho de sua queda, interceptamos uma trilha com alguns totens, que desce do topo do Pico do Gavião à direita. O trecho de subida acabou e agora seguimos ora declive suave, ora no plano, cruzando com alguns riachos que fornecem água de boa qualidade.
E as 13h40min interceptamos a Trilha do Lobisomem, que foi uma antiga estrada, onde para a direita nos leva de volta à Rodovia e para esquerda é o nosso objetivo. 
Ponte de ferro
Mas só caminhamos uns 100 metros por ela e seguimos numa bifurcação para a direita.
A partir daqui a trilha vai se tornando mais fechada em relação às anteriores, mas sem dificuldades. Na dúvida, às vezes consultava o tracklog do GPS e pouco antes das 14:00 hrs chegamos na ponte de ferro, onde é preciso ter um pouco de cuidado para cruzar o rio através das vigas que parecem ser de linha férrea.
Em alguns trechos a trilha lembra muito uma antiga estrada tomada pelo mato, sendo possível observar uma pequena encosta nas laterais.
Algumas trilhas cruzam com a principal e do lado esquerdo nota-se o Rio Sertãozinho que logo iremos cruzá-lo. 
Cruzando o Rio Sertãozinho
Outra cobra Jararaca surge no caminho, mas essa é um filhote menor ainda. Eu passo rápido – vai que a mãe está por perto.
Conforme avançamos naquela mata fechada, a trilha fica menos demarcada e as 14h20min chegamos na margem do Rio Sertãozinho. São quase 15 metros de largura, não se vendo o fundo do rio e dessa vez não existe ponte. 
A travessia é pelo leito do rio mesmo. 
Todos tiramos as botas e com extremo cuidado vamos cruzando ele para não molhar as mochilas.
O Gibson vai primeiro passando com água até um pouco acima da cintura. Em seguida a Fernanda, depois eu e o Allan que demorou um pouquinho porque tinha ido explorar as margens do rio um pouco atrás.
Vai um lanche aí?
Reunidos do outro lado da margem, agora era reencontrar a continuação da trilha e nessa hora o GPS foi útil, pois com mata densa tivemos problemas para encontrá-la – na dúvida é só seguir em linha reta, tendendo um pouco para esquerda até voltar à trilha.
Depois de um pequeno riacho iniciamos uma leve subidinha até sair da mata fechada e emergir em um trecho de arbustos e vegetação baixa, onde a vista se abre. 
Foram pouco mais de 5 minutos desde que cruzamos o Rio e em mais 2 minutos chegamos no mirante do Lago dos Andes. Indescritível o lugar. 
Um lago razoavelmente grande em meio à mata nativa de todos os lados e totalmente deserto. 
Na margem do Lago
Ao norte o Pico do Gavião, a Pedra do Sapo e a Torre do Itapanhaú estão encobertos por neblina. Talvez prenúncio de chuvas, que graças a Deus não veio.
Ao sul e a leste a barreira da Serra do Mar e a oeste nota-se uma trilha que segue para o sul contornando o lago. Quem sabe no futuro possa ser uma opção de trilha que leva ao Rio Guacá.
O mirante onde estamos parece ser o melhor local para um camping e até foram deixados 2 lampiões daqueles bem antigos juntamente com 2 lonas pretas para a montagem de alguma tenda. Já tinha visto algo parecido na Cachoeira da Light, como nesta foto, que parece ser típico de caçador/pescador ou palmiteiro - Nada contra.
Cercado de mata nativa
São 14h45min e depois da hora do lanche, deixamos nossas mochilas aqui e fomos nadar no lago.
Já li 2 versões diferentes de como ele surgiu: uma diz que é devido à construção da Mogi-Bertioga e outra que foi construída por uma empresa de celulose.
O lago tem o formato quase retangular com cerca de 500 metros de comprimento por cerca de 130 de largura e parece ser bem profundo, pois conforme avançamos, existe uma queda brusca na profundidade, sendo impróprio para quem não sabe nadar.
Ficamos na água por cerca de 1 hora e ao voltar para colocar as roupas que tinha deixado para secar, não escapei dos carrapatos que provavelmente peguei ao longo da trilha. 
Rio Sertãozinho
São aqueles bem pequenos e por isso é preciso ficar atento para não levá-los para casa.
Retomamos a caminhada as 16h30min e dessa vez por trilha diferente da que chegamos. Nossa direção era a Cachoeira da Light e logo que descemos do mirante, encontramos uma bifurcação na direção oeste. A trilha não é tão demarcada, mas com a vantagem da vegetação não ser tão densa. Em alguns trechos parecia que estávamos caminhando por antiga estrada e com pouco mais de 15 minutos chegamos na margem do Rio Sertãozinho. 
Pelo GPS percebemos que estávamos bem distante da Light e agora fomos seguindo por uma trilha paralela ao Rio, mas chegou um momento em que ela se perdeu. Procura daqui, procura dali e nada. E agora José?
Allan cruzando o Rio 
Só nos restava mesmo cruzar o Sertãozinho a nado. Em linha reta estávamos a cerca de 100 metros da trilha que passa pela Trifurcação e segue para Cachoeira da Light. 
Problema era a largura e a profundidade dele.
Olhando para outra margem parecia que havia uma trilha do outro lado e sem perder tempo, o Allan foi lá conferir. Pulou no rio e foi nadando até chegar na outra margem. 
Com pouco mais de 10 metros de largura, a profundidade era grande, já que ele não conseguiu ficar em pé. Gerou um pouco de medo, mas era essa opção ou varar mato por um longo trecho.
E assim fomos cruzando o rio à nado com as mochilas nas costas, que ficaram um pouco molhadas, mas faz parte. 
Cachoeira da Pedra Furada
Reunidos novamente do outro lado, notamos que o lugar parece ser um ponto de pesca, já que havia uma tenda abandonada. Em linha reta, fomos varando mato sem grandes dificuldades por alguns minutos até interceptar a trilha que leva até a Cachoeira da Light, aonde chegamos às 17h30min.
Alguns clics dela e voltamos para trilha, na direção da Cachoeira da Pedra Furada e chegando na Trifurcação pegamos a trilha da esquerda. Mais uns 30 minutos e já estamos na Pedra Furada, descendo a trilha pela encosta íngreme.
Sempre linda para apreciar e deserta também, mas lixo em alguns lugares. 
Aqui outra hora do lanche e devido a água gelada, ninguém se arriscou a tomar um banho no lugar.
De volta á Rodovia
E pouco antes das 19:00 hrs nos despedíamos dela para chegar na Mogi-Bertioga, junto ao Km 80,4 as 19h45min ainda com luz natural. 
Foram quase 10 horas e 26,5 Km de caminhada no total, mas ainda nos restavam pouco mais de 4 Km até a Balança e ao longo do trecho pela Rodovia meu pensamento era um só: descansar e comida. 
Já ia pensando no nhoque que estava na geladeira e o Gibson só pensava na pizza que iria comprar em algum lugar perto da casa dele. Já o Allan e a Fernanda deviam estar pensando em como ir até o Bar da Dona Maria (perto da base da Pedra do Sapo) para pegar a moto e seguir para suas casas. Até fiquei até com pena deles. 
Talvez o Allan imaginou que conseguiria uma carona fácil até o Bar.
Já pensando que ao chegarmos na Balança seriam somente nós 4. Ledo engano. O lugar estava lotado de trilheiros porque a Rodovia estava completamente congestionada em direção a Mogi das Cruzes. Eram pouco mais de 21:00 hrs e naquele Domingo de Sol muita gente estava voltando do litoral. Deu nisso. 
Os minutos vão passando e nada do circular chegar: será que ainda conseguiríamos encontrar o Metrô funcionando na volta para SP? Ou pior ainda: o trem?
Depois de comer algumas coxinhas, ficamos aguardando o circular dentro do bar. O lugar me faz lembrar do falecido Seu Geraldo e aqui vou abrir um parênteses no relato para contar uma pequena história: quando passei aqui no dia 17 de Setembro de 2016 encontrei Seu Geraldo no bar e fiquei um bom tempo conversando com ele. Me passou algumas boas dicas e informações de caminhadas pela região. 
Talvez essa foto aqui seja a mais recente dele ainda vivo, pois alguns dias depois da nossa conversa ele faleceu. O proprietário do bar disse que ele passou mal, sentindo dores no peito e em vez de ir para o Hospital, voltou para sua casa que fica próximo da Rodovia, na trilha que leva seu nome: Lobisomem. 
E no dia seguinte, não voltou para o bar, como sempre fazia e foram até sua casa encontrando ele já morto, sentado na sua cadeira. Uma grande perda, sem duvida. Sempre vou lembrar do bate papo com esse simpático senhor que era muito bom de conversa. Era prazeroso conversar com ele.

Voltando ao relato, eu e o Gibson nem pensávamos mais no nhoque e na pizza. Nossa prioridade era chegar em SP antes do Metrô fechar. O Allan tinha deixado a moto no Bar da D. Maria e até tentou conseguir alguma carona ou transporte que o levasse até lá, mas em vão. Porém ele tinha uma grande vantagem: estava no quintal de casa, pois morava em Biritiba Mirim. 
Lembro que o circular chegou e foi uma festa. Já o trânsito andava em ritmo lento e quando passamos pelo bairro Manoel Ferreira, o Allan e a Fernanda desceram. Mais tarde ele me enviou uma mensagem dizendo que tinham conseguido carona até a D. Maria e voltado com a moto. Ufa, que bom.
Já o nosso ônibus foi uma anda e para e com isso eu até cochilei, só acordando já perto de Mogi, onde chegamos antes das 23:00 hrs na Estação Estudantes. A saída do trem até que foi rápida, assim como a baldeação em Guainases e quase meia noite chegamos em Itaquera, onde o Gibson pegou o metrô e eu segui até a estação Tatuapé, para chegar em casa pouco antes da 1:00 hora da madrugada.





Dicas e informações úteis


# Segundo o GPS, o total dessa caminhada chegou a quase 31 Km.

# Para quem não quiser usar o circular, a opção é vir de carro e deixá-lo na Balança.

# Para quem pretende fazer essa travessia no sentido inverso, faça o seguinte: ao chegar na Trifurcação, que fica próximo da Cachoeira da Light, deve seguir na trilha rumo Rio Sertãozinho e junto a uma tenda abandonada ao lado do rio, é só atravessar para o outro lado nadando. Próximo da outra margem existe uma trilha demarcada que leva até os Andes, mas tem de ter faro de trilha, porque ela não é tão demarcada e principalmente saber nadar. A profundidade é grande nesse ponto e o risco de afogamento idem.

# Pontos de água confiáveis ao longo dessa caminhada
- Na subida da trilha oeste da Pedra do Sapo.
- Final da descida da trilha leste da Pedra do Sapo.
- Vários riachos no trecho da Pedra do Sapo até interceptar a Trilha do Lobisomem.
- Riacho antes de chegar no mirante dos Andes. Se localiza pouco depois de cruzar o Rio Sertãozinho. 
- No trecho entre a Cachoeira da Light e Cachoeira da Pedra Furada, cruza-se um riacho.
- E da Pedra Furada até a Rodovia são vários riachos.

# O intervalo entre as saídas do circular Manoel Ferreira é muito grande. Seguem os horários: clique aqui.

# Sinal de telefonia celular só encontrei próximo da Pedra do Sapo, devido a antena da Vivo na Torre do Itapanhaú.

# Carrapatos e pernilongos são comuns nessa trilha e voltei de lá com várias picadas pelo corpo. Pelo menos os carrapatos eu consegui retirar nos Andes.

# Para GPS, uso o meu celular com 2 app de navegação
- GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha – todos para Android e disponíveis na Play Store.
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda. É só abrir o programa e clicar na bolinha vermelha. 

5 de novembro de 2016

Relato: Travessia Pedra Furada-Pedra do Sapo - Biritiba Mirim/SP

Olha eu aqui de volta na mesma trilha cerca de 1 mês depois. Era questão de honra; dessa vez eu tinha que finalizá-la. 
Quando fiz essa caminhada pela primeira vez, tentei chegar no topo da Pedra do Sapo pelo sul, seguindo uma suposta trilha que se iniciava na Trilha do Lobisomem, ao lado da casa do Seu Geraldo, mas ela estava tomada pelo mato – veja nesse relato.
Era impossível fazê-la em apenas 1 dia; para os mais corajosos, creio que até dê para chegar no topo da Pedra, mas com muito vara mato e 2 dias. 
E eu não estava a fim disso e por isso voltei agora em um Domingo, mas para fazer a trilha tradicional que chega ao topo da Pedra do Sapo pelo leste, passando por um trecho da Trilha do Lobisomem e ao lado do Pico do Gavião (ou Pico Peito de Moça). 
Devido ao clima que não estava ajudando tive que adiar essa trip por algumas semanas e mesmo na data escolhida fiquei com um pé atrás, porque tinha chovido em dias anteriores. E só fui ter a certeza no Sábado a noite, quando a mulher do tempo disse que a previsão para aquele Domingo seria de Sol com 60% de chances de chover só no final da tarde. E que se concretizou.
Minha intenção era chegar o mais cedo possível no início da trilha, passando pelas Cachoeiras da Pedra Furada e Light para dar tempo de chegar no Sapo antes do final da tarde. 
Trouxe também algumas dicas que peguei com Seu Geraldo, na última vez que fiz essa caminhada e um tracklog que mostrava o trecho final, onde eu não conhecia.



Na foto acima a Pedra do Sapo encoberta pela neblina



Fotos: clique aqui

Vídeo dessa travessia: clique aqui

Tracklog que gravei de toda a caminhada: clique aqui




Rodovia sob névoa
No Domingo acordei pouco antes das 05:00 hrs e na Estação Itaquera embarquei no trem da CPTM em direção a Guaianases, onde fiz a baldeação para outro trem em direção a Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes, chegando por volta das 07h30min no Terminal de ônibus municipais, do lado direito da Estação. 
Mas não dei sorte, porque fiquei aguardando por quase 1 hora o circular Manoel Ferreira sair as 08h15min, chegando na Balança do  Km 77, da Rodovia Mogi-Bertioga, por volta das 09h20min e com um pouco de pressa iniciei a caminhada logo em seguida.
O início da trilha fica no Km 80,4 e até lá vou seguindo pelo estreito acostamento da Rodovia sob um Sol de rachar, mas por volta do Km 80 dou de cara com uma espessa neblina que tomava conta da região. 
Charcos na trilha
E pouco antes das 10:00 hrs já estava deixando o asfalto para trás e seguindo na trilha para a Cachoeira da Pedra Furada. 
Como tinha chovido nos dias anteriores, com certeza a trilha estaria toda enlameada e não deu outra. Devido aos inúmeros trechos de charco foi difícil manter os pés secos e em vários momentos fui obrigado a chafurdar a bota na lama – só nessas horas me lembro que preciso comprar uma bota impermeável.
Sem dificuldades de navegação passo por 2 grupos que também seguem na direção da cachoeira. 
Um dos que lideram me reconhece da última vez que passei aqui; é o William que só está indo até a Pedra Furada com um grupo de umas 6 pessoas. 
Topo da Pedra Furada
Comento com eles de irem até a Cachoeira da Light, mas dizem que parte do grupo não aguentaria a caminhada até lá. Não sabem o que estão perdendo.
Assim que cruzo um riacho que vem da direita com quase 1 hora de caminhada chego na principal bifurcação, marcado por um tronco de madeira caído no meio da trilha. 
Quem quiser seguir direto para a Cachoeira da Light é só continuar na trilha da esquerda, paralelamente ao rio, mas eu sigo na bifurcação da direita, subindo por suave aclive e em 5 minutos estou no topo da Cachoeira da Pedra Furada. 
São 11:00 hrs e o lugar estava coberto de uma densa neblina com água muito fria, me fazendo desistir de um breve mergulho. 
De frente para a Cachoeira da Pedra Furada
O Rio Sertãozinho está com grande volume de água e por pouco suas furiosas águas não passam por cima da cachoeira.
Desço até a base dela onde encontro alguns grupos – umas 20 pessoas; quase uma farofa – e alguns gatos pingados se aventurando na correnteza do poção. 
Aqui paro para comer um lanche e bater um papo com alguns deles. Todos irão ficar só nessa cachoeira e dos que conversei nenhum conhece a Cachoeira da Light ou quer se arriscar a ir até lá.
Depois de um breve descanso volto para o topo da cachoeira, onde encontro alguns rapeleiros descendo o paredão. Outro bate papo e sigo para a encosta íngreme, junto do poção e dali vou subindo se agarrando nas raízes para sair na trilha que leva à Cachoeira da Light.
Cachoeira da Light
São 11h20min e com trilha demarcada vou caminhando sem maiores dificuldades, desviando de alguns trechos de áreas alagadas com um ritmo um pouco mais rápido, chegando as 11h40min na Trifurcação. Aqui sigo na trilha da direita para chegar na Cachoeira da Light uns 5 minutos depois. 
A barragem da represa, que antecede a cachoeira, estava com água passando por cima em grande quantidade e a neblina também estava presente aqui, mas pelo menos o lugar estava vazio e sem lixo. 
Alguns clics do lugar e retorno para a trilha.
As 12h15min passo novamente pela Trifurcação e aqui sigo rumo norte com alguns trechos de pântanos pelo caminho. 
Com a vegetação molhada se debruçando sobre a trilha, minhas roupas vão ficando bem molhadas e quem é mais atento consegue visualizar algumas setas na cor preta, colocados pelo pessoal do Clube de Desbravadores Cades - www.facebook.com/cades.desbravadores.
Setas na trilha
Depois de um curto trecho para o norte, a trilha segue agora rumo oeste, como se estivesse voltando para a Rodovia. 
É um trecho no plano com trilha tranquila, cruzando pequenos riachos e aqui tomo um enorme susto que me fez pular para trás. Enquanto caminhava sossegado, dou de cara com uma cobra bem no meio da trilha – essa aqui. Refeito do susto percebo que a dita cuja não se mexe. Me aproximo dela novamente e noto que ela está sem cabeça, que foi cortada por alguém. 
Parece ser uma peçonhenta, mas não seria mais fácil só espantá-la. Vai entender quem fez isso né. Lamentável.
Continuando a caminhada, as 12h55min surge uma bifurcação um pouco escondida, onde sigo para a direita, marcado também por uma seta preta – aqui é preciso ficar atento, porque a bifurcação pode passar despercebida. 
Trilha do Lobisomem
Mais uns 5 minutos e chego a outro riacho, mas esse difícil de cruzar, devido a encosta íngreme e alta. Poderia até atravessá-lo rio abaixo, mas preferi ir por ali mesmo, sobre uma pinguela, na forma de um tronco de madeira em cima do rio. Com os pés escorregando bem devagar, cruzo o rio com muito cuidado e um pouco de dificuldade, mas consigo passar sem cair. 
E mais uns 5 minutos chego na famosa Trilha do Lobisomem, que para esquerda me levaria para a Rodovia, passando pela casa do Seu Geraldo e para direita ao sertão de Biritiba Mirim, pouco explorado por mim. 
Essa trilha na verdade foi uma antiga estrada, que devido ao desuso a Natureza está tomando de volta. 
Cachoeira da Lagarta
Em vez de seguir para a direita, tomo rumo da Rodovia somente para explorar uma Toca, a cerca de 10 minutos dali, junto da trilha. 
No local existem enormes blocos de pedra que podem servir perfeitamente para um bivaque e depois de alguns clics retorno para a trilha rumo leste as 13h15min. 
Passo pela bifurcação que eu tinha vindo e quando se inicia uma descida até o fundo do vale, o som das águas de uma cachoeira se aproxima cada vez mais à esquerda e não penso 2x; sigo por uma trilha me guiando pelo barulho dela.
Coisa de 3 minutos e chego na base da primeira queda, onde tem um pequeno poço, sendo conhecida como Cachoeira da Lagarta. Com uns 7 metros de altura, a cachoeira não é tão volumosa quanto as anteriores e um pouco mais acima existe outra queda de acesso fácil.
Ponte improvisada
Depois de alguns minutos conhecendo o lugar, volto para a Trilha do Lobisomem pouco antes das 14:00 hrs. Mais alguns minutos e estou cruzando o mesmo riacho da cachoeira por cima do que sobrou de uma ponte, já que boa parte dela foi levada pela enxurrada.
Cruzando o rio, logo a paisagem se abre, porém a neblina não me deixa ver a crista do Pico do Gavião (conhecido também como Pico Peito de Moça), à esquerda. 
Por resquícios da antiga estrada a caminhada segue em aclive suave, passando por pequenos charcos até chegar ao ponto mais alto, onde bruscamente viro à direita e inicio uma descida até outro fundo de vale, onde cruzo um riacho por cima de uma ponte improvisada com troncos de madeira.
Nesse momento começo a ouvir vozes de pessoas que vêm no sentido contrario. 
Saída da Trilha do Lobisomem
Era um grupo de 12 pessoas liderado pelo Diógenes, do site Canal da Caminhada do Facebook – esse aqui. É um grupo que reúne caminhantes e bikers.
Eles estavam retornando do Lago dos Andes, que também está na minha lista de trips futuras. Depois de um bate papo e um clic de todos eles nessa foto, me despeço e sigo em frente. 
Mais 5 minutos e chego na bifurcação que eu queria. São várias marcações e impossível alguém passar aqui e não perceber. 
São 14h40min e saio da Trilha do Lobisomem, seguindo na bifurcação da esquerda. 
A trilha também é bem demarcada, encontrando marcas de pneus de bike com trechos onde a erosão já está tomando conta e sem mais bifurcações a navegação é tranquila em meio à mata atlântica. 
No topo da Cachoeira da Água Fina
O ganho de altitude é pouco, já que eu estava contornando pela direita a crista do Pico do Gavião. 
As 15:00 hrs encontro outra pequena cachoeira próxima da trilha, conhecida como Cachoeira da Água Fina e o volume de água é até menor do que a anterior. 
Ela escorre por um grande rochedo de uns 5 metros de altura. 
Mais 15 minutos de caminhada e caio em uma trilha bem mais larga que segue serra acima com alguns totens de concreto no meio dela. A trilha principal se bifurca à direita, mas fico na dúvida se continuo na principal ou sigo serra acima. Paro por alguns minutos para analisar o tracklog e ver qual a melhor opção. Se continuasse pela trilha mais larga chegaria no topo do Pico do Gavião e de lá seguiria pela crista até a Pedra do Sapo. E agora José, o que fazer? 
Totem com vértice
Consulto o relógio; são 15h20min e o inicio da noite está muito longe ainda e assim decido subir até a crista.
Conforme vou ganhando altitude a trilha vai se fechando cada vez mais, porém os totens de concreto estão lá. 
Alguns trechos sou obrigado a subir agarrando nos galhos e nos bambus porque a trilha se torna cada vez mais íngreme. 
Em alguns momentos o GPS perde o sinal e com isso não fico sabendo que altitude devo chegar, mas continuo a íngreme subida, me orientando pelos totens.
E ao chegar no totem com vértice de numero 8781, pouco antes das 16:00 hrs, estou na crista e tento ainda caminhar para esquerda, rumo ao topo do Pico do Gavião, mas a neblina não me deixa ver nada à frente, por isso desisto da empreitada. Chegar no topo do Pico sem visual nenhum é perda de tempo.
Vire à direita
Retorno ao totem do vértice e depois de um breve descanso resolvo seguir pela crista à sudoeste rumo Pedra do Sapo, me orientando pelo tracklog. 
A navegação não chega a ser complicada, mas o maior problema era o vara mato. 
Quando não é um bambuzal fechando totalmente a trilha, é a vegetação alta me obrigando a seguir por desvios. Se eu tinha alguma peça de roupa seca no corpo, agora é que não sobrou nada. Com vegetação molhada fico ensopado dos pés à cabeça. 
Um fato curioso aqui é ter encontrado estrumes de cavalo – para mim era o que parecia. 
Não sou biólogo, mas fico imaginando que animal grande (se não for cavalo) produz merda desse tamanho (atualizado: de acordo com o trilheiro Jorge Soto o que eu vi eram fezes de anta, dessa foto, que encontrei neste blog)
Trecho pela estrada
Deixando as divagações de lado, a trilha vai me deixando estressado e sem perspectiva de melhora, penso em desistir. 
Depois de uns 15 minutos naquele vara mato, decido voltar, retornando ao totem do vértice e sem demora inicio a descida para a trilha principal. 
Mais alguns minutos de caminhada serra abaixo e estou chegando na estrada que acessa o inicio da trilha da Pedra do Sapo. 
Daqui para frente já tinha feito esse percurso em Abril/2016 nesse relato
Só foi caminhar por mais 5 minutos no sentido oeste para chegar ao final da estrada, onde se inicia outra subida, dessa vez ao topo do Sapo.
Se o clima tivesse colaborado, desse ponto conseguiria visualizar toda a Pedra, mas não deu. Paciência. Pelo menos não está chovendo.
Trecho com cordas
Junto ao final da estrada, a trilha segue para esquerda por trecho de subida sem maiores dificuldades. Com cerca de 7 minutos surge o trecho com cordas para ajudar a ascensão, o que eu acho desnecessário, mas não recusei a ajuda.
E com cerca de 15 minutos de subida íngreme chego na crista, onde encontro uma árvore toda pichada e com marcas das iniciais dos nomes de alguns imbecis. Coisa lamentável.
Mais 5 minutos pela crista a oeste e chego na base da Pedra do Sapo pouco depois das 17:00 hrs e logo em seguida no topo. 
Devoro boa parte do lanche que eu ainda tinha e tento acabar com as últimas Ana Marias (aquela dupla de bolinhos) e as barras de  cereais.
Garoa no topo
Nesse momento, sem eu perceber, a bateria do celular chega a 15% de carga, entrando em modo de economia e com isso o tracklog para de gravar dali em diante, finalizando aqui em cima, mas pelo menos todo o percurso que fiz até aqui foi gravado. 
Fico aguardando alguma janela do tempo se abrir, mas a neblina é teimosa e ela não vai embora. 
Fica pior, pois começa a cair uma leve garoa, o que me faz descer do topo rapidamente, iniciando a descida pela trilha à oeste até a Estrada da Adutora por volta das 17h40min.
Passo pelo platô, a oeste do Sapo e a partir daqui entro definitivamente na mata fechada e sem grandes dificuldades vou perdendo altitude. 
Fim da trilha
Um longo trecho da descida segue por um caminho de enxurrada e ao passar ao lado de um riacho à direita vou lavar minha calça e a bota que estavam sujas de lama. 
Já estavam bem molhadas mesmo, então que fiquem limpas.
Já próximo do final da trilha, ouço o barulho de um cortador de grama, que deve ser de uma chácara próxima dali e junto a um bambuzal ignoro uma outra trilha que cruza perpendicularmente a trilha principal. Essa é a trilha que leva a Gruta de Beltenebros a cerca de 30 minutos dali. Mais alguns minutos de descida e chego em 2 casas abandonadas por volta das 18h20min.
Encontro aqui uma arvore de nêsperas, que não resisto e vou comendo algumas. 
Alguns clics do lugar e agora sigo na direção da Estrada da Adutora, já sem a chuva.
E com quase 50 minutos de caminhada chego ao Barzinho ao lado do ponto final da linha Manoel Ferreira. 
São quase 19h30min e encontro o lugar deserto. O circular não demora muito e dentro dele só encontro também alguns típicos moradores – nenhum trilheiro. Parece que eu era o último a sair daquela região voltando para Sampa.
Não foi um Domingo perfeito, mas pelo menos consegui finalizar a travessia que eu já vinha planejando há muito tempo.





Dicas e algumas informações úteis


# O tracklog do trecho final que usei foi esse do Wagner: clique aqui.

# Esperar o circular Manoel Ferreira por quase 1 hora não é fácil. Dependendo do horário que você chegar em Estudantes esse é o tempo que poderá aguardar. Veja nesse site os horários de saída do Terminal: clique aqui. 
Ou se quiser veja outras opções de logística: 

        1) Do lado esquerdo da Estação de Estudantes existe a Rodoviária de Mogi das Cruzes com ônibus da Breda saindo para o litoral em vários horários. É só pedir para descer no Refúgio do Km 80. Custo: cerca de $20 Reais.

        2) Vans clandestinas que fazem o percurso até Bertioga e cujos motoristas ficam do lado de fora da Estação, mas com uma grande desvantagem: só saem quando lota de passageiros. Custo: $20 Reais.

        3) E a última opção é quem pode vir de carro e deixá-lo no estacionamento do Terminal de Ônibus municipais ou junto ao Barzinho da Balança no Km 77. Deixar o carro junto ao inicio da trilha é pedir para ser multado ou até rebocado, pois é proibido parar na Rodovia.

# Água não é problema nessa travessia. São inúmeros riachos ao longo de toda essa caminhada.

# Sinal de celular só fui encontrar em alguns trechos próximo do Pico do Gavião, devido a uma antena de telefonia celular que se localiza perto dali.

# Voltei de lá com alguns carrapatos, que com toda certeza peguei no trecho de vara mato na crista entre o Pico do Gavião e a Pedra do Sapo.

# Para GPS uso um App para telefone celular. 
O que eu uso é o GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha – todos para Android. 
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda. É só abrir o programa e clicar na bolinha vermelha. 

4 de outubro de 2016

Relato: Travessia Cachoeira Pedra Furada, Light + Trilha do Lobisomem - Biritiba Mirim/SP

Ultimamente tenho feito muitas caminhadas na região da Serra do Mar de Biritiba Mirim e por inúmeras razões: acesso fácil, trilhas pouco exploradas, diferentes opções de caminhadas e picos e cachoeiras para todos os gostos.
Depois de conhecer os Picos do Garrafão, Esplanada, ItapanhaúPedra do Sapo e as Cachoeiras da Pedra Furada e Light fui pesquisar uma trilha que ligasse um desses picos às cachoeiras e encontrei algumas boas opções. 
Mas devido ao tempo curto (apenas 1 dia) a opção escolhida foi uma trilha que liga as 2 Cachoeiras à Pedra do Sapo, passando pela Trilha do Lobisomem. Mas minha intenção não era seguir a trilha tradicional e sim procurar outra trilha que saísse próximo da casa do Seu Geraldo (famoso conhecedor de trilhas e morador dessa região). Uma parte dessa trip consegui finalizar sem maiores dificuldades, mas o trecho final tive que abortar e seguir por outro caminho, o que me fez atiçar ainda mais a curiosidade para retornar a essa região e explorar melhor outras trilhas.
A data escolhida foi um Sábado de Setembro nublado sem previsão de chuvas, iniciando a caminhada em direção à Cachoeira da Pedra Furada para depois seguir para Light e de lá para Pedra do Sapo.



Foto acima da Trilha do Lobisomem próximo da casa de Seu Geraldo




Fotos: clique aqui

Vídeo de toda essa travessia: clique aqui

Tracklog que eu fiz dessa caminhada: clique aqui




Com dois tracklogs da região: um do Vagner e outro do Rodrigo Moura, sabia que não teria problemas de navegação, pois vir para essa região sem conhecer as trilhas pode ser uma maneira fácil de se perder nas inúmeras bifurcações que existem. 
Por isso fica aí o aviso: se quiser explorar essas trilhas que venha preparado e cuidado em algumas bifurcações.

Acordando por volta das 05h30min da manhã embarquei no trem da CPTM na Estação Tatuapé em direção à Guaianases e lá troquei de trem e embarquei em outro que seguia para a Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes, chegando pouco depois das 07h30min. 
Seguindo pela Rodovia
Da Estação segui para o Terminal de ônibus municipais da cidade, que se localiza do lado direito, onde peguei o circular da linha Manoel Ferreira pouco depois das 08:00 hrs. 
O ponto final é em um bairro próximo da Rodovia Mogi Bertioga, mas meu objetivo era descer na Balança do Km 77. 
Ali eu e quase 1 dezena de mochileiros descemos do ônibus e como tinha pressa e o fator tempo era precioso para mim, nem conversei  com o pessoal, que ficou arrumando as mochilas num barzinho ao lado.
Já fui para a Rodovia e pé na estrada, pois me restavam ainda pouco mais de 3 Km até o início da trilha, no Km 80,4.
A previsão tinha acertado e o tempo nublado reinava sobre a região, mas sem chuvas. 

29 de junho de 2016

Relato: Pico do Garrafão - Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP

Sabe aquele momento em que você tenta conhecer um lugar, mas circunstancias alheias a sua vontade interferem e não consegue o objetivo?
Pois foi isso que aconteceu na primeira vez que fui tentar chegar no topo desse pico. A caminhada era para chegar nos Picos do Esplanada e do Garrafão e até consegui chegar no topo do Esplanada, mas por não encontrar uma trilha que ligasse os dois, tive que abortar e depois do Esplanada seguir para o Pico do Itapanhaú (nesse relato). Só que dessa vez estava indo somente para o Garrafão e pela trilha tradicional, que segue um longo trecho pela Estrada da Adutora, para depois seguir por estradas secundárias até a base do pico. O início da caminhada foi também no Km 74,3 da Rodovia Mogi-Bertioga, onde desci do circular Manoel Ferreira, seguindo depois pela Estrada da Adutora Rio Claro e usando um tracklog para GPS. Foi uma caminhada longa e na volta, finalizei o trecho final no escuro, mas sem maiores dificuldades. 
Era o último pico que planejava fazer nessa região (Pedra do Sapo, Pico do Esplanada e Itapanhaú já tinha concluído) e com previsão de um Domingo de muito Sol, lá fui eu.


Na foto acima o Pico do Garrafão visto do topo do Pico do Esplanada



Fotos dessa caminhada: clique aqui

Vídeo em HD com vários comentários ao longo da caminhada: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui





Bairro Manoel Ferreira
Aquele Domingo de manhã não estava tão frio quanto os outros dias e depois de desembarcar do Metrô na Estação Itaquera, segui pela CPTM até Guainases e de lá até a Estação de Estudantes. 
O problema foi aguardar um longo tempo no Terminal de ônibus municipais, esperando o circular Manoel Ferreira sair. Até tinha chegado cedo no local, mas só fui sair de lá por volta das 09h30min.
O ônibus, para variar, estava com vários trilheiros sentados no fundo, mas ninguém desceu no ponto de ônibus do Km 74,3 junto da Estrada de acesso ao Bairro. 
E exatamente as 10h20min iniciava a minha caminhada pela Estrada de terra que leva ao Bairro Manoel Ferreira e a partir daqui sigo pela Estrada da Adutora, rumo leste, paralela a tubulação de Agua da SABESP.
Adutora
Ao passar ao lado de uma plantação de pimentões toda queimada pela geada dá pena de ver – se não foi perda de 100%, chegou próximo disso. Nas bifurcações o rumo é bem obvio: seguir próximo da Adutora, às vezes pela direita ou esquerda para contornar um ou outro pequeno morro.
Lá pelas 11:00 hrs a Pedra do Sapo surge em destaque à direita e com cerca de 1 hora de caminhada, passo ao lado do Restaurante da D. Maria, que estava cheio. Não perguntei, mas me pareceu ser uma agencia de trekking com 23 pessoas se aprontando para sair em direção a Pedra do Sapo. Só cumprimentei um dos guias e segui em frente. Mais uns 10 minutos de caminhada e chego na bifurcação que leva a essa Pedra e ao Pico do Itapanhaú, mas continuo seguindo em frente, paralelo à tubulação. 

14 de junho de 2016

Relato: Picos da Esplanada e Itapanhaú – Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP

No mês de Abril quando cheguei ao topo da Pedra do Sapo (relato aqui) visualizei alguns picos próximos e que estavam com altitudes um pouco acima, me atiçando a curiosidade para conhecê-los algum dia.
E fui pesquisar quais eram esses picos e como chegar até eles em uma caminhada de um 1 dia qualquer.
O primeiro que apareceu na lista foi o Pico do Itapanhaú, onde fica uma enorme torre de telefonia celular, mas o acesso é feito por estrada asfaltada, tornando muito fácil a caminhada. Olhando na carta topográfica, outros picos eram o Esplanada e o Garrafão, que estão um ao lado do outro.
E deixando o Itapanhaú de lado, pensei em fazer esses dois, mas para chegar no topo do Garrafão teria de sair de um e chegar ao fundo de um vale onde se acessa a trilha que leva ao Garrafão. 
No Google Maps esse trecho não parecia ser muito longo, então lá fui eu.
Só lamento não ter acontecido como eu planejei, mas no final não deu para reclamar.
O acesso a eles é seguindo pela mesma estrada que leva ao topo da Pedra do Sapo, descendo no Km 74,3 da Rodovia Mogi-Bertioga e seguindo pela estrada paralela a Adutora Rio Claro.  
O primeiro que eu ia subir foi o Esplanada para depois seguir para o Garrafão. E no feriado do dia 26 Maio o clima ajudou e não pensei 2x. 
Com o tracklog desses dois picos, lá fui eu.



Na primeira foto o lado leste do topo do Pico da Esplanada e abaixo o Pico do Itapanhaú com sua torre da Vivo



Fotos dessa caminhada: clique aqui

Vídeo em HD com algumas fotos dessa caminhada: clique aqui


Tracklog até o topo do Pico da Esplanada: clique aqui



Bairro Manoel Ferreira
Não foi fácil acordar em um feriado de muito frio pela manhã, mas era por uma boa causa. Desembarcando do Metrô na Estação Itaquera, fiz a transferência para a CPTM, em direção a Guaianases e lá fiz outra baldeação em direção a Estação de Estudantes, onde cheguei pouco depois das 09:00 hrs. Do lado direito da estação fica o Terminal de ônibus municipais e logo embarquei no circular Manoel Ferreira.
Vários trilheiros sentados no fundo, mas nenhum deles desceu no Km 74,3, junto da Estrada de acesso ao Bairro. Parece que todos estavam indo para as cachoeiras, alguns Kms mais à frente.
E pouco depois das 10:00 hrs estava iniciando a caminhada, seguindo pela Estrada de terra que leva ao Bairro Manoel Ferreira, onde chego em cerca de 10 minutos.
Adutora Rio Claro
Desse ponto a tubulação da Adutora da SABESP segue paralela a Estrada sentido leste. Depois de plantações de legumes e com cerca de cerca de 30 minutos de caminhada chego na primeira bifurcação, onde sigo para direita, passando embaixo da Adutora. 
A Pedra do Sapo, de vez em quando, se destacava à direita e pelo caminho encontro alguns bikers. Com cerca de 1 hora de caminhada chego no Restaurante da D. Maria, que é um ótimo ponto de apoio para uma refeição ou um estacionamento para alguém que veio de carro. O que chama a atenção é o único orelhão em toda essa caminhada, e que ainda funciona.