3 de abril de 2017

Relato: Cachoeira do Diabo – Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP

Depois de quase completar todos os picos e cachoeiras da Serra do Mar de Biritiba Mirim (Pedra do Sapo, Itapanhaú, Esplanada, Garrafão e as Cachoeiras do Elefante, Pedra Furada, Light, Lagarta e Água Fina), restavam agora poucas opções e entre elas uma das cachoeiras mais difíceis de se acessar: a do Diabo, localizada no Rio Guacá, próximo da região do Bairro de Casa Grande, onde nunca havia trilhado e bem distante das tradicionais Elefante, Pedra Furada e Light. Até já tinha lido sobre ela em um relato de 2014, mas que não me inspirou muita confiança. E sem um tracklog e com dificuldade de acesso junto com uma logística complicada me fizeram deixá-la de lado. 
E em Março me juntei ao grupo do Canal da Caminhada que ia explorar essa cachoeira, mas pegamos uma janela do tempo "inversa". Vários fds anteriores à nossa trip sempre foram com muito Sol e exatamente nos dias da nossa caminhada, a Natureza mandou chuva. 



Cachoeira do Diabo vista do meio do Rio Guacá


Fotos: clique aqui

Vídeo: clique aqui

Tracklog que gravei de toda a caminhada: clique aqui



E para entender como me juntei a eles, vou voltar alguns meses no tempo para explicar como cheguei lá.
Em Outubro de 2016 quando fazia a Travessia Pedra Furada-Pedra do Sapo, encontrei pela primeira vez o Diógenes, criador do site Canal da Caminhada. Ele estava com um grupo voltando do Lago dos Andes – veja nessa foto todos eles. Depois desse encontro, trocamos algumas mensagens e nos vimos uma outra vez, mas não surgia uma oportunidade para fazermos uma trilha juntos.
E no final de Fevereiro ele me convidou para a trilha até a Cachoeira do Diabo, cujo nome não tenho a mínima ideia o que significa. E quando o convite chegou, não pensei 2x. Porém era a segunda tentativa do grupo do Diógenes de chegar nela e por aí já deu para perceber a roubada que estávamos nos metendo.
A data escolhida foi um final de semana de Março e o grupo era por formado por 16 pessoas, devido a lotação máxima da van que nos deixaria próximos da trilha.
Tomando café da manhã
Grupo formado, começamos a trocar mensagens pelo whatss e a animação era grande por parte de algumas pessoas, mas por incrível que pareça essas pessoas que mais enviavam mensagens foram as que desistiram. Talvez em parte pela previsão de fortes chuvas naquele fim de semana, que para nosso azar acabou se concretizando e com isso apenas 9 corajosos não desistiram e para nossa vergonha, os homens estavam em menor numero. 
São eles Diógenes, Diego, Matias e eu. E as mulheres Carol, Valquíria (Val), Drika, Naedja e Wanne. O ponto de encontro era a Estação Brás da CPTM, onde embarcaríamos em direção à Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes. 
E pouco depois das 06:00 hrs daquele Sábado nublado já estávamos seguindo nosso caminho, sendo que parte do grupo iria se juntar ao lado do Terminal de Estudantes para tomar um café da manhã nos trailers.
Esperando ônibus
Trupe reunida e apresentada, seguimos na direção contraria da estação de trem, para a Avenida Vereador Narciso Guimarães, em frente ao Poupa Tempo de Mogi. 
Aqui embarcamos as 08h20min no circular da linha 394 – Biritiba Mirim (Jardim dos Eucaliptos) da EMTU.
O percurso foi rápido e em cerca de 30 minutos já estávamos desembarcando na Rodoviária da cidade e aqui uma van, contratada pelo Diógenes, nos levaria até o Bairro Casa Grande, onde se localiza a ETA (Estação de Tratamento de Água) Casa Grande da SABESP. 
Nesse trecho o percurso foi um pouco mais demorado, sendo que a maior parte foi por estradas de terra, seguindo pela SP-092. 
Iniciando a caminhada
O cenário se destaca pelas imensas áreas de reflorestamento de eucaliptos e alguns sítios, intercalados por resquícios de mata atlântica.
E pouco antes das 10:00 hrs chegamos na Casa Grande, onde se localiza a captação de água para o Sistema Rio Claro e aqui a van nos deixou. Nesse ponto a estrada se divide em 3: para a esquerda é o caminho que segue para Salesópolis, o do meio segue para a portaria da ETA da SABESP, onde existe uma portaria. E para o lado direito é o nosso destino.
E junto a uma pequena casa abandonada, iniciamos nossa pernada, pois o motorista dizia que a estrada era muito precária e só conseguiria chegar até ali. Com cerca de 10 minutos de caminhada fui me lembrar de uma coisa: não tinha ligado o GPS do celular para gravar o tracklog – Santa Burrice Batman.
Pela estrada
Resolvido o problema, fui me juntar ao grupo alguns minutos depois. 
A estrada principal não é tão precária assim como disse o motorista, mas se não estiver chovendo. A caminhada é bem tranquila e o ganho de altitude muito pouco, sendo maior parte do trecho no plano, passando por áreas de mata atlântica, reflorestamentos, pequenos sítios e uma Fazenda de criação de carpas que parece abandonada.
Nosso rumo era sempre seguir pela estrada principal, mas o clima não ajuda e ao longo da caminhada começa a cair uma leve garoa, obrigando a todos a colocar uma capa de chuva. O último trecho é de subida íngreme, chegando ao final da estrada as 11h30min depois de longos 5 Kms, junto de uma placa de Proibida a Entrada.
Pela trilha com chuva
Parada para um pequeno descanso e para não arriscar, era hora de colocar as polainas e perneiras, já que aqui se iniciava um longo trecho pela mata fechada.
A trilha é bem demarcada e em cerca de 5 minutos passamos próximos de uma casa abandonada do lado esquerdo, sendo um bom local para um camping emergencial.
Na verdade a trilha é uma antiga estrada, que atualmente está tomada pelo mato e me faz lembrar de outras trilhas próximas da Cachoeira da Light e do Lago dos Andes. Talvez até tenham sido construídas e usadas na mesma época, há algumas dezenas de anos atrás, já que nas cartas topográficas da região, que são da década de 70 e 80, muitas dessas trilhas aparecem lá. E talvez por isso essa cachoeira já fosse conhecida há muito tempo atrás.
Trilha
Seguindo por declive suave, a trilha contorna um morro, que está do lado direito e a chuva só aumenta, não dando trégua.
Sem bifurcações, ela é fácil de visualizar e pequenas cachoeiras podem ser ouvidas do lado direito e esquerdo dela; algumas até fácil de chegar, outras só descendo uma íngreme encosta. Trechos com brejos são inevitáveis e algumas árvores tombadas sobre a trilha não são problemas; facilmente contornáveis pelas laterais, onde a trilha também é demarcada, evidenciando que o lugar, mesmo com pouquíssimos registros no Google, continua sendo roteiro de trilheiros. 
Devido à chuva, toda a minha roupa e a bota estavam encharcadas, mas eu estava animado, apesar de que ao longo da trilha não se via uma brecha sequer no meio da mata. 
Rio Guacá
Na verdade apareceu uma, mas somente para o vale do Rio Guacá, que já estava bem próximo.
E com quase 2 horas de trilha pela mata fechada, chegamos na margem do Rio as 14h35min. A largura dele é de uns 10 metros e a profundidade não passava dos joelhos; só era preciso tomar cuidado com a correnteza.
Já do outro lado da margem, tivemos que vencer uma pequena encosta e procurar algum local plano para montar as barracas e seguir para a cachoeira. 
Nesse ponto a trilha se divide em 2: para a esquerda, provavelmente leva para um enorme poção no Guacá, que pode ser visto do satélite e para direita é a trilha que leva à cachoeira.
Acampamento
Tínhamos que encontrar rapidamente um local plano e para nossa sorte existia um pequeno descampado junto da trilha com vestígios de que outras pessoas acamparam ali. Não era totalmente perfeito, mas deu para montar as 5 barracas com relativo conforto, talvez com exceção do Diógenes, que sem querer montou a dele em cima de uma raiz e a da Carol, Wanne e o Matias, que ficaram juntos na mesma barraca e nem puderam se mexer muito.
O difícil foi montar as barracas com aquela chuva que não parava de cair. Na verdade eu insistia com a Drika que aquilo não era chuva. Eram os galhos das árvores que estavam chorando, já que estávamos no meio de uma mata fechada.
Barracas
E um outro problema surgiu: bem no meio do acampamento já existia uma pequena poça de água e com a chuva, ela iria aumentar cada vez mais. A barraca da Val e do Diego seria a primeira a alagar, por isso abrimos uma canaleta para que a água escorresse. Outro fator que ajudou também foram as lonas que colocamos em cima das barracas, fazendo com que boa parte da água escorresse para longe do terreno, evitando o acumulo dela no meio.
Com as lonas em cima das barracas, agora o objetivo era chegar na Cachoeira do Diabo. O clima não ajudava, mas não podíamos nos atrasar mais ainda, com o risco de voltar já de noite. Diógenes, Diego, eu, Val, Naedja e a Drika fomos atrás da tão procurada cachoeira, seguindo uma trilha à esquerda do Rio Guacá.
Só foi caminhar alguns metros que surgiu o primeiro obstáculo. Um braço do rio avançava pela mata e era preciso pular, mas com risco de queda, já que a encosta dos dois lados era inclinada. Com pouco de esforço, todos passamos sem grandes dificuldades. 
Mata fechada
Caminhamos pouco menos de 100 metros para sair à direita da trilha principal. Nesse ponto surge um pequeno vale à direita e um ombro de morro por onde a trilha vai subindo, sendo que o GPS marcava que a cachoeira estava a uns 300 metros em linha reta a partir daqui.
E assim fomos subindo a encosta inclinada por uma trilha demarcada. Mas tudo que sobe, também desce e na descida era de skibunda. O Diego ia no estilo Bear Grylls, aquele aventureiro inglês da Discovery.
Mas sem perceber estávamos seguindo por uma trilha demarcada que nos levava cada vez mais longe da cachoeira, como se estivéssemos retornando. Com a chuva constante e as mãos sujas de barro pelos escorregões nos trechos íngremes nem conferi o GPS e aí já era tarde demais. Outra Santa Burrice Batman.
Refeitos do erro, voltamos alguns metros e agora íamos varando mato na direção do rio para encontrar algum vestígio de trilha, mas o problema era maior: o relógio estava contra nós.
Esq-Dir: Carol, Wanne, Drika, Naedja, Diógenes, Diego, Matias e a Val 
Se demorássemos muito, voltaríamos de noite para as barracas, o que seria um problema grande, já que estávamos sem lanternas. E para piorar, a cachoeira não estava perto, segundo o GPS. Exaustos e quase sem luz natural, poderíamos nos perder ainda mais. Gastamos um tempo precioso seguindo uma trilha que nos levou a lugar nenhum, por isso tomamos a difícil decisão de voltar para as barracas e somente no dia seguinte pela manhã tentaríamos novamente. 
Devido à chuva forte, o rio aumentou de volume e no trecho onde existe um braço dele, a água tinha avançado bastante. A Drika que sofreu mais, já que ela atravessou o trecho próximo da margem.
De volta às barracas, agora é tirar a roupa ensopada e preparar o jantar.
A minha comida preparei dentro da barraca com sopão e linguiça. Só fiquei imaginando como foi na barraca da Carol, Wanne e do Matias.
E eu fiquei devendo para a Drika, que me pediu para contar um dos relatos de trilha que eu já tinha feito e até lembrei de um ou outro, mas com aquele cansaço e quase meio século nas costas foi difícil lembrar dos detalhes. E de vez em quando também tem um senhor alemão chamado Alzheimer, que se manifesta em mim e aí que não lembrava mais de nada mesmo.
E esperando o sono chegar, começo ouvir uma risada constante vindo da barraca onde o Matias estava e a risada era dele. Definitivamente tinha baixado uma entidade. Fiquei sem entender o motivo, mas não demorou muito e ela foi embora do corpo dele. Talvez porque na barraca deles a conversa estava boa, mas não tive certeza se era na deles ou da Drika, que me cobrava um relato e eu sem saber que desculpar dar. Tudo isso acontecendo e o Diógenes em silencio sepulcral; com certeza já estava no 7º sono. Como conseguiu dormir com aquelas mulheres conversando?
Sob aquela chuva que não parava de cair, de repente a Drika diz que estava entrando água pelas laterais da barraca dela e da Naedja. Depois a Val disse que entrou água na dela também e nisso eu dei sorte, já que não tive problemas com a chuva. E logo os carneirinhos começaram a me visitar e num piscar de olhos também fui o próximo a cair no sono e a chuva sobre a lona até ajudaram. Mas o frio veio junto e apesar de dormir com roupas secas, dessa vez não trouxe meu saco de dormir. Só me cobri com um fino lençol. E no meio da madrugada fui obrigado a ligar o fogareiro com uma chama bem pequena, somente para manter aquecido o interior da barraca e com temperatura mais agradável, voltei a pegar no sono sem dificuldades. 
LEMBRETE: Isso é perigosíssimo, pois pode botar fogo em toda a barraca, além de liberar monóxido de carbono e com isso você morrer intoxicado dentro dela pela falta de oxigênio. Se você não tem experiencia nisso, não faça de jeito nenhum.
Rio cheio
Com o dia raiando, de repente alguém diz bom dia de um lado, outro diz a mesma coisa e com isso o acampamento vai acordando. 
Pela intensidade da chuva durante a noite, até pensei que o rio tinha subido muito e chegado próximo das barracas, já que estávamos a poucos metros da margem, mas isso não aconteceu, graças a Deus. A chuva forte tinha cessado e somente uma leve garoa caia.
Fui olhar meu celular, que também fazia o papel de maquina fotográfica e com 16% de bateria não ia dar para nada. Se não fosse o recarregador portátil da Val eu estaria f.. e não conseguiria nenhum registro da cachoeira - Val, você foi a minha salvadora.
Agora descansados e sem a chuva constante, seria mais fácil chegar na cachoeira e dessa vez todos iriamos, inclusive a Carol, Wanne e o Matias. Porém seguiríamos à risca o que o GPS marcava, evitando a suposta trilha que seguimos no dia anterior. Difícil foi colocar a mesma roupa molhada, mas era necessário. Depois de um leve café da manhã saímos do acampamento deixando as barracas e lonas para desmontar na volta.
Chegamos na margem
No trecho onde saímos da trilha principal, só foi subir a pequena encosta e agora seguimos em linha reta. Trilha não existia aqui e íamos varando mato, seguindo sempre o GPS para nos levar até a margem do Guacá. Nos trechos de encostas íngremes, foi difícil se manter em pé e as quedas eram normais, mas sem graves problemas.
E com cerca de 200 metros desde a saída da trilha principal, chegamos na margem do Rio Guacá. A felicidade era grande porque já ouvíamos o som da queda mesmo de longe, rio acima. Estávamos a pouco mais de 100 metros da base da cachoeira, mas pelo menos no caminho certo dessa vez.
Cachoeira
Caminhando junto da margem, íamos subindo o rio, às vezes pulando pedras ou rasgando a vegetação, sem dificuldades.
E não demorou muito a cachoeira já surgia entre a vegetação com altura de uns 20 metros. Muito linda, porém com correnteza muito forte, sendo até complicado chegar na base dela, pois o volume de água era grande. Tivemos que ir pulando enormes pedras. Eu não quis arriscar porque a única câmera que eu tinha era a do celular, já que as pilhas da maquina digital tinham se esgotado – outra Santa Burrice Batman; não ter trazido pilhas mais resistentes.
Olha ela aí
A cachoeira se assemelha a algum toboágua; não é uma queda vertiginosa e talvez até dê para descer de rapel sem grandes dificuldades. Tiramos vários clics com direito a poses de ioga da Drika e da Val e uma montagem no touro do Diego.
Com a garoa que não parava e com as pedras molhadas e escorregadias foi até difícil chegar até próximo da base da cachoeira. O Diógenes e o Diego tinham conseguido chegar lá, mas eu preferi ficar em cima das pedras. 
A água estava muito fria e nem me arrisquei a mergulhar nos inúmeros poços da base e uma boa noticia: não encontramos qualquer vestígio de lixo, mesmo nas margens do rio. 
Parte da galera
Nas laterais dela, dois morros íngremes emolduram o lugar e chegar aqui não é tarefa fácil. Além do vara mato, existem os trechos íngremes e definitivamente não é um passeio no parque, comparando com outras cachoeiras que já conheci. 
Cumprido o objetivo, voltamos para o acampamento, mas eu e o Diego resolvemos explorar a trilha principal que seguia na direção oeste e que provavelmente finaliza na Mogi-Bertioga, mas não fomos muito longe. A trilha se fechava depois de uns 10 minutos e procura daqui, procura dali e nada. O que encontramos foi uma panela bem velha junto de uma árvore e provavelmente o local tenha sido um acampamento de caçador ou palmiteiro. 
Cruzando Rio Guacá novamente
De volta às barracas, agora era desmontar todas e retornar para a civilização. O enorme poção do Guacá fica para outra oportunidade, já que tínhamos um horário para servir de referencia: a van que faz a linha até o centro de Biritiba Mirim saia de Barzinho, no Bairro da Terceira as 17h30min, localizado a cerca de 8 Km depois da ETA Casa Grande.
Deixando o acampamento para trás, cruzamos o Rio Guacá pouco antes do meio dia e sem muitas paradas, chegamos ao inicio da trilha pouco depois das 14:00 hrs. 
Daqui em diante era um longo trecho pela estrada de terra. E o ritmo tinha que ser puxado, porque se perdêssemos a van, seria um problema retornar para Biritiba Mirim.
Final da caminhada
Passamos pela Casa Grande por volta das 15h20min e nesse trecho demos sorte, porque um Uno deu carona para a Val e o Diego e com isso deixamos nossas mochilas com eles e sem o peso delas a caminhada foi bem melhor. 
Da Casa Grande até o Barzinho foram cerca de 8 Kms com trechos no plano e algumas descidas, onde chegamos pouco antes das 17:00 hrs. Agora era trocar de roupa, comer alguma coisa e aguardar a van que chegou no horário, levando somente nosso grupo e 1 mulher de volta para Biritiba Mirim. 
O motorista nos deixou na Rodovia e aqui sorte novamente, porque logo que descemos da van o circular para Mogi das Cruzes parou no ponto.
Próximo da Estação de Estudantes descemos do ônibus e aqui parte do grupo se dividiu. A maior parte seguiu de trem de volta para São Paulo, onde cheguei na Estação Tatuapé por volta da 21:00 hrs e de lá para casa.




Dicas e informações úteis

# Os tracklogs da trilha que usamos são:
- Eduardo Lesser: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/user.do?id=2520670 
- Thiago Lobo: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/user.do?id=2613235

# Essa é uma caminhada que classificaria como muito difícil. A logística e o vara mato são os maiores problemas, por isso não é para qualquer um. 

# No trecho pela estrada de terra não encontrei pontos de água confiáveis. Já no trecho da trilha pela mata foram vários riachos que cruzamos.

# Junto do acampamento não encontrei riachos com água de qualidade. A não ser o Rio Guacá, mas devido as chuvas, a água estava um pouco turva. 

# A van que nos levou da Rodoviária de Biritiba Mirim até a ETA Casa Grande foi contratada pelo Diógenes e o valor ficou em $15 Reais/pessoa.

# Já a van que pegamos para sair de lá circula em apenas 1 horário: saindo da Rodoviária de Biritiba Mirim as 11h30min e retornando as 17h30min com valor de $5 Reais.

# Voltei de lá com várias picadas de carrapatos e pernilongos, por isso muito cuidado. 

# Para uma trilha como essa GPS é imprescindível, já que no trecho final não existe uma trilha demarcada.

# Sempre uso GPS do meu telefone celular. 
- Para navegação o app que uso é o GPX Viewer.
- Para gravação do tracklog é o Orux Maps. Todos disponíveis na Play Store.

20 de fevereiro de 2017

Relato: Travessia do Lago dos Andes - Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP

Depois de conhecer alguns dos principais picos e cachoeiras da Serra do Mar na região de Biritiba Mirim - nesses relatos, as minhas caminhadas agora eram para completar uma travessia, iniciando em um lugar para finalizar em outro. 
E na minha primeira em Setembro de 2016 quando tentei fazer a da Cachoeira Pedra Furada-Pedra do Sapo – nesse relato aqui – encontrei o Maciel (autor do Blog de caminhadas Além da Fronteira) e seu grupo próximo da Cachoeira da Light. 
Eles estavam seguindo para o Lago dos Andes (alguns chamam de Represa dos Andes, mas os dois nomes estão valendo), passando pela cachoeira, mas nem imaginava que ali existia uma trilha e sempre pensei que o único acesso é pelo trecho da Trilha do Lobisomem. Pedi algumas informações dessa trilha para eventualmente fazê-la algum dia.

Porém com as férias de fim de ano e o clima chuvoso, não sobrava um fim de semana de Sol e por isso fui deixando de lado. E só no final de Janeiro que o clima ajudou, mas minha intenção era fazer o percurso no sentido inverso com o seguinte roteiro: iniciar a caminhada pelo Bairro Manoel Ferreira, passando pelo topo da Pedra do Sapo em seguida contornando o Pico do Gavião pela trilha à nordeste para interceptar a Trilha do Lobisomem e dali seguir a trilha tradicional até os Andes. Para o retorno, tentaria encontrar a trilha que o Maciel tinha feito, saindo dos Andes em direção à Cachoeira da Light e depois seguindo para a Cachoeira da Pedra Furada finalizando no Km 80,4 da Mogi-Bertioga e de lá pelo asfalto até a Balança. 
É uma caminhada relativamente longa e cansativa e talvez com trechos de vara mato entre os Andes e a Light, mas estava decidido a completá-la.




Foto acima com eu, o Allan, a Fernanda e o Marcelo Gibson no mirante com Lago dos Andes ao fundo. Na outra foto junto da margem


Fotos: clique aqui

Vídeo somente com algumas fotos: clique aqui
Desculpem, mas não consegui gravar em vídeo, pois as pilhas que levei estavam no fim.

Tracklog de toda essa caminhada: clique aqui



Trip planejada, agora os corajosos: Marcelo Gibson (velho parceiro de algumas trilhas) e o Allan e sua namorada Fernanda, do Clube dos Desbravadores (CADES) de Biritiba Mirim, ligado a Igreja dos Adventistas, também quiseram se juntar.
O problema era encontrar algum fds que não estivesse chovendo, por isso só confirmei a trip 1 dia antes. Marcamos para um Domingo, que segundo a meteorologia seria de Sol.

Naquela manhã de Domingo embarquei por volta das 06:00 hrs no trem da CPTM na Estação Tatuapé seguindo para Guaianases, onde fiz baldeação para outro trem em direção à Estação de Estudantes. 
Deu até para cochilar um pouco e por volta das 07h15min já desembarcava na última estação, seguindo para o Terminal de ônibus municipais do lado direito. Não demorou muito e o Marcelo Gibson chegou. Colocamos o papo em dia e por volta das 08h20min o circular Manoel Ferreira saiu e para variar, lotado de trilheiros. 
Um deles eu reconheci rapidamente: era o Diógenes com sua turma do Canal da Caminhada. Encontrei ele no final de Outubro na Trilha do Lobisomem e dessa vez o grupo dele era bem maior. 
Conversamos rapidamente e a caminhada que ele ia fazer agora era longe de onde eu ia.
Em Manoel Ferreira
O Allan mandou algumas mensagens pelo celular dizendo que iria se encontrar com a gente no topo da Pedra do Sapo.
As 09h20min descemos no ponto de ônibus do Km 74,3 da Mogi-Bertioga e sem perder tempo seguimos pela estrada de terra que leva ao centro do Bairro Manoel Ferreira, onde chegamos 10 minutos depois. 
Agora seguíamos pela estrada ao lado da Adutora da Sabesp, às vezes pelo lado esquerdo, às vezes pelo lado direito. 
Assim que terminamos um longo trecho do lado direito da Adutora, surgiu uma bifurcação junto a um portão de ferro com muros laterais brancos pouco depois das 10:00 hrs. 
A estrada principal segue para a esquerda contornando o morro, mas nosso caminho é para direita. 
Riacho na trilha
Mais uns 10 minutos e saímos novamente à direita para pegar uma estradinha que leva a uma propriedade particular, marcada por uma porteira de madeira. Fácil cruzá-la e alguns metros à frente chegamos em 2 casas abandonadas, as 10h20min. 
Do lado esquerdo nota-se uma trilha ao lado de uma cerca de arame e é aqui que definitivamente entramos na mata fechada.  
Essa é a trilha oeste da Pedra do Sapo e sem maiores dificuldades vamos ganhando altitude até chegar a um pequeno bambuzal, onde a trilha segue para esquerda.
Com trechos no plano e pequenas subidas, não demora muito e quase dou de cara com uma cobra Jararaca. 
Era um filhote cruzando a trilha e foi bem fácil identificá-la pelas marcas geométricas no seu corpo e cor amarronzada. 
Pedra do Sapo
Com cerca de 15 minutos de trilha ouve-se um riacho à esquerda com trilha de fácil acesso e onde pegamos água. A trilha que leva ao riacho é a mesma que leva à Gruta dos Beltenebros, alguns metros abaixo, seguindo o rio. Com cantis cheios, voltamos para a trilha subindo por um leito seco de enxurrada com trilha tranquila sem bifurcações.
Pouco depois das 11:00 hrs passamos ao lado de um grande descampado para várias barracas e mais alguns metros emergimos no aberto com vistas para o norte. 
Logo chegamos no platô, que fica um pouco abaixo da Pedra do Sapo e aqui o Allan e a Fernanda já nos aguardavam. 
Apresentações e um rápido bate papo, seguimos para o topo do Sapo, onde uma galera praticava rapel.
A subida ao topo é feita por uma corda junto a um paredão, mas sem grandes dificuldades. 
Pico do Itapanhaú à esquerda e Gavião à direita
O Sol nos brinda com um visual fantástico: Torre do Itapanhaú e Pico do Gavião são fáceis de identificar à leste e os prédios da Riviera de São Lourenço são vistos sem impedimento nenhum ao sul. 
No local uma família inteira apreciava a vista e um deles me reconhece do blog. 
É o Fernandes que também me apresenta ao Batista e depois de um bate papo era hora de irmos embora, pois ainda tínhamos um longo caminho pela frente e ao descermos do topo, seguimos pela trilha à leste, que passa pelo trecho das cordas onde percebo que algumas foram retiradas. Uma pena.
Foram cerca de 20 minutos em todo o trecho de descida, chegando à antiga estrada pouco depois das 12h15min. Seguindo agora rumo nordeste, caminhamos cerca de 300 metros para entrar novamente na mata fechada à direita, subindo rumo sul. 
Cruzando riachos
É uma trilha demarcada com marcas de pneus de moto e com uma bifurcação à esquerda que deve ser desprezada. O ganho de altitude não é tão grande, pois estamos contornando o colo do Pico do Gavião pela sua esquerda.
Depois de passar pela Cachoeira da Água Fina, facilmente identificada pelo barulho de sua queda, interceptamos uma trilha com alguns totens, que desce do topo do Pico do Gavião à direita. O trecho de subida acabou e agora seguimos ora declive suave, ora no plano, cruzando com alguns riachos que fornecem água de boa qualidade.
E as 13h40min interceptamos a Trilha do Lobisomem, que foi uma antiga estrada, onde para a direita nos leva de volta à Rodovia e para esquerda é o nosso objetivo. 
Ponte de ferro
Mas só caminhamos uns 100 metros por ela e seguimos numa bifurcação para a direita.
A partir daqui a trilha vai se tornando mais fechada em relação às anteriores, mas sem dificuldades. Na dúvida, às vezes consultava o tracklog do GPS e pouco antes das 14:00 hrs chegamos na ponte de ferro, onde é preciso ter um pouco de cuidado para cruzar o rio através das vigas que parecem ser de linha férrea.
Em alguns trechos a trilha lembra muito uma antiga estrada tomada pelo mato, sendo possível observar uma pequena encosta nas laterais.
Algumas trilhas cruzam com a principal e do lado esquerdo nota-se o Rio Sertãozinho que logo iremos cruzá-lo. 
Cruzando o Rio Sertãozinho
Outra cobra Jararaca surge no caminho, mas essa é um filhote menor ainda. Eu passo rápido – vai que a mãe está por perto.
Conforme avançamos naquela mata fechada, a trilha fica menos demarcada e as 14h20min chegamos na margem do Rio Sertãozinho. São quase 15 metros de largura, não se vendo o fundo do rio e dessa vez não existe ponte. 
A travessia é pelo leito do rio mesmo. 
Todos tiramos as botas e com extremo cuidado vamos cruzando ele para não molhar as mochilas.
O Gibson vai primeiro passando com água até um pouco acima da cintura. Em seguida a Fernanda, depois eu e o Allan que demorou um pouquinho porque tinha ido explorar as margens do rio um pouco atrás.
Vai um lanche aí?
Reunidos do outro lado da margem, agora era reencontrar a continuação da trilha e nessa hora o GPS foi útil, pois com mata densa tivemos problemas para encontrá-la – na dúvida é só seguir em linha reta, tendendo um pouco para esquerda até voltar à trilha.
Depois de um pequeno riacho iniciamos uma leve subidinha até sair da mata fechada e emergir em um trecho de arbustos e vegetação baixa, onde a vista se abre. 
Foram pouco mais de 5 minutos desde que cruzamos o Rio e em mais 2 minutos chegamos no mirante do Lago dos Andes. Indescritível o lugar. 
Um lago razoavelmente grande em meio à mata nativa de todos os lados e totalmente deserto. 
Na margem do Lago
Ao norte o Pico do Gavião, a Pedra do Sapo e a Torre do Itapanhaú estão encobertos por neblina. Talvez prenúncio de chuvas, que graças a Deus não veio.
Ao sul e a leste a barreira da Serra do Mar e a oeste nota-se uma trilha que segue para o sul contornando o lago. Quem sabe no futuro possa ser uma opção de trilha que leva ao Rio Guacá.
O mirante onde estamos parece ser o melhor local para um camping e até foram deixados 2 lampiões daqueles bem antigos juntamente com 2 lonas pretas para a montagem de alguma tenda. Já tinha visto algo parecido na Cachoeira da Light, como nesta foto, que parece ser típico de caçador/pescador ou palmiteiro - Nada contra.
Cercado de mata nativa
São 14h45min e depois da hora do lanche, deixamos nossas mochilas aqui e fomos nadar no lago.
Já li 2 versões diferentes de como ele surgiu: uma diz que é devido à construção da Mogi-Bertioga e outra que foi construída por uma empresa de celulose.
O lago tem o formato quase retangular com cerca de 500 metros de comprimento por cerca de 130 de largura e parece ser bem profundo, pois conforme avançamos, existe uma queda brusca na profundidade, sendo impróprio para quem não sabe nadar.
Ficamos na água por cerca de 1 hora e ao voltar para colocar as roupas que tinha deixado para secar, não escapei dos carrapatos que provavelmente peguei ao longo da trilha. 
Rio Sertãozinho
São aqueles bem pequenos e por isso é preciso ficar atento para não levá-los para casa.
Retomamos a caminhada as 16h30min e dessa vez por trilha diferente da que chegamos. Nossa direção era a Cachoeira da Light e logo que descemos do mirante, encontramos uma bifurcação na direção oeste. A trilha não é tão demarcada, mas com a vantagem da vegetação não ser tão densa. Em alguns trechos parecia que estávamos caminhando por antiga estrada e com pouco mais de 15 minutos chegamos na margem do Rio Sertãozinho. 
Pelo GPS percebemos que estávamos bem distante da Light e agora fomos seguindo por uma trilha paralela ao Rio, mas chegou um momento em que ela se perdeu. Procura daqui, procura dali e nada. E agora José?
Allan cruzando o Rio 
Só nos restava mesmo cruzar o Sertãozinho a nado. Em linha reta estávamos a cerca de 100 metros da trilha que passa pela Trifurcação e segue para Cachoeira da Light. 
Problema era a largura e a profundidade dele.
Olhando para outra margem parecia que havia uma trilha do outro lado e sem perder tempo, o Allan foi lá conferir. Pulou no rio e foi nadando até chegar na outra margem. 
Com pouco mais de 10 metros de largura, a profundidade era grande, já que ele não conseguiu ficar em pé. Gerou um pouco de medo, mas era essa opção ou varar mato por um longo trecho.
E assim fomos cruzando o rio à nado com as mochilas nas costas, que ficaram um pouco molhadas, mas faz parte. 
Cachoeira da Pedra Furada
Reunidos novamente do outro lado, notamos que o lugar parece ser um ponto de pesca, já que havia uma tenda abandonada. Em linha reta, fomos varando mato sem grandes dificuldades por alguns minutos até interceptar a trilha que leva até a Cachoeira da Light, aonde chegamos às 17h30min.
Alguns clics dela e voltamos para trilha, na direção da Cachoeira da Pedra Furada e chegando na Trifurcação pegamos a trilha da esquerda. Mais uns 30 minutos e já estamos na Pedra Furada, descendo a trilha pela encosta íngreme.
Sempre linda para apreciar e deserta também, mas lixo em alguns lugares. 
Aqui outra hora do lanche e devido a água gelada, ninguém se arriscou a tomar um banho no lugar.
De volta á Rodovia
E pouco antes das 19:00 hrs nos despedíamos dela para chegar na Mogi-Bertioga, junto ao Km 80,4 as 19h45min ainda com luz natural. 
Foram quase 10 horas e uns 25 Km de caminhada no total, mas ainda nos restavam pouco mais de 4 Km até a Balança e ao longo do trecho pela Rodovia meu pensamento era um só: descansar e comida. 
Já ia pensando no nhoque que estava na geladeira e o Gibson só pensava na pizza que iria comprar em algum lugar perto da casa dele. Já o Allan e a Fernanda deviam estar pensando em como ir até o Bar da Dona Maria (perto da base da Pedra do Sapo) para pegar a moto e seguir para suas casas. Até fiquei até com pena deles. 
Talvez o Allan imaginou que conseguiria uma carona fácil até o Bar.
Já pensando que ao chegarmos na Balança seriam somente nós 4. Ledo engano. O lugar estava lotado de trilheiros porque a Rodovia estava completamente congestionada em direção a Mogi das Cruzes. Eram pouco mais de 21:00 hrs e naquele Domingo de Sol muita gente estava voltando do litoral. Deu nisso. 
Os minutos vão passando e nada do circular chegar: será que ainda conseguiríamos encontrar o Metrô funcionando na volta para SP? Ou pior ainda: o trem?
Seu Geraldo - o Lobisomem
Depois de comer algumas coxinhas, ficamos aguardando o circular dentro do bar. 
O lugar me faz lembrar do falecido Seu Geraldo e aqui vou abrir um parênteses no relato para contar uma pequena história: quando passei aqui no dia 17 de Setembro de 2016 encontrei Seu Geraldo no bar e fiquei um bom tempo conversando com ele. 
Me passou algumas boas dicas e informações de caminhadas pela região. 
Talvez essa foto ao lado seja a mais recente dele ainda vivo, pois alguns dias depois da nossa conversa ele faleceu. 
O proprietário do bar disse que ele passou mal, sentindo dores no peito e em vez de ir a um Hospital, voltou para sua casa que fica próxima da Rodovia, na trilha que leva seu nome: Lobisomem. E no dia seguinte, não voltou para o bar, como sempre fazia. Notando sua falta, foram até sua casa encontrando ele já morto, sentado na sua cadeira. Uma grande perda, sem duvida. Sempre vou lembrar do bate papo com esse simpático senhor que era muito bom de conversa. Era prazeroso conversar com ele.

Voltando ao relato, eu e o Gibson nem pensávamos mais no nhoque e na pizza. Nossa prioridade era chegar em SP antes do Metrô fechar. O Allan tinha deixado a moto no Bar da D. Maria e até tentou conseguir alguma carona ou transporte que o levasse até lá, mas em vão. Porém ele tinha uma grande vantagem: estava no quintal de casa, pois morava em Biritiba Mirim. 
Lembro que o circular chegou e foi uma festa. Já o trânsito andava em ritmo lento e quando passamos pelo bairro Manoel Ferreira, o Allan e a Fernanda desceram. Mais tarde ele me enviou uma mensagem dizendo que tinham conseguido carona até a D. Maria e voltado com a moto. Ufa, que bom.
Já o nosso ônibus foi uma anda e para e com isso eu até cochilei, só acordando já perto de Mogi, onde chegamos antes das 23:00 hrs na Estação Estudantes. A saída do trem até que foi rápida, assim como a baldeação em Guainases e quase meia noite chegamos em Itaquera, onde o Gibson pegou o metrô e eu segui até a estação Tatuapé, para chegar em casa pouco antes da 1:00 hora da madrugada.





Dicas e informações úteis


# Segundo o GPS, o total dessa caminhada chegou a uns 30 Km.

# Para quem não quiser usar o circular, a opção é vir de carro e deixá-lo na Balança.

# Para quem pretende fazer essa travessia no sentido inverso, faça o seguinte: ao chegar na Trifurcação, que fica próximo da Cachoeira da Light, deve seguir na trilha rumo Rio Sertãozinho e junto a uma tenda abandonada ao lado do rio, é só atravessar para o outro lado nadando. Próximo da outra margem existe uma trilha demarcada que leva até os Andes, mas tem de ter faro de trilha, porque ela não é tão demarcada e principalmente saber nadar. A profundidade é grande nesse ponto e o risco de afogamento idem.

# Pontos de água confiáveis ao longo dessa caminhada
- Na subida da trilha oeste da Pedra do Sapo.
- Final da descida da trilha leste da Pedra do Sapo.
- Vários riachos no trecho da Pedra do Sapo até interceptar a Trilha do Lobisomem.
- Riacho antes de chegar no mirante dos Andes. Se localiza pouco depois de cruzar o Rio Sertãozinho. 
- No trecho entre a Cachoeira da Light e Cachoeira da Pedra Furada, cruza-se um riacho.
- E da Pedra Furada até a Rodovia são vários riachos.

# O intervalo entre as saídas do circular Manoel Ferreira é muito grande. Seguem os horários: clique aqui.

# Sinal de telefonia celular só encontrei próximo da Pedra do Sapo, devido a antena da Vivo na Torre do Itapanhaú.

# Carrapatos e pernilongos são comuns nessa trilha e voltei de lá com várias picadas pelo corpo. Pelo menos os carrapatos eu consegui retirar nos Andes.

# Para GPS, uso o meu celular com 2 app de navegação
- GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha – todos para Android e disponíveis na Play Store.
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda. É só abrir o programa e clicar na bolinha vermelha. 

5 de novembro de 2016

Relato: Travessia Pedra Furada-Pedra do Sapo - Biritiba Mirim/SP

Olha eu aqui de volta na mesma trilha cerca de 1 mês depois. Era questão de honra; dessa vez eu tinha que finalizá-la. 
Quando fiz essa caminhada pela primeira vez, tentei chegar no topo da Pedra do Sapo pelo sul, seguindo uma suposta trilha que se iniciava na Trilha do Lobisomem, ao lado da casa do Seu Geraldo, mas ela estava tomada pelo mato – veja nesse relato.
Era impossível fazê-la em apenas 1 dia; para os mais corajosos, creio que até dê para chegar no topo da Pedra, mas com muito vara mato e 2 dias. 
E eu não estava a fim disso e por isso voltei agora em um Domingo, mas para fazer a trilha tradicional que chega ao topo da Pedra do Sapo pelo leste, passando por um trecho da Trilha do Lobisomem e ao lado do Pico do Gavião (ou Pico Peito de Moça). 
Devido ao clima que não estava ajudando tive que adiar essa trip por algumas semanas e mesmo na data escolhida fiquei com um pé atrás, porque tinha chovido em dias anteriores. E só fui ter a certeza no Sábado a noite, quando a mulher do tempo disse que a previsão para aquele Domingo seria de Sol com 60% de chances de chover só no final da tarde. E que se concretizou.
Minha intenção era chegar o mais cedo possível no início da trilha, passando pelas Cachoeiras da Pedra Furada e Light para dar tempo de chegar no Sapo antes do final da tarde. 
Trouxe também algumas dicas que peguei com Seu Geraldo, na última vez que fiz essa caminhada e um tracklog que mostrava o trecho final, onde eu não conhecia.



Na foto acima a Pedra do Sapo encoberta pela neblina



Fotos: clique aqui

Vídeo dessa travessia: clique aqui

Tracklog que gravei de toda a caminhada: clique aqui




Rodovia sob névoa
No Domingo acordei pouco antes das 05:00 hrs e na Estação Itaquera embarquei no trem da CPTM em direção a Guaianases, onde fiz a baldeação para outro trem em direção a Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes, chegando por volta das 07h30min no Terminal de ônibus municipais, do lado direito da Estação. 
Mas não dei sorte, porque fiquei aguardando por quase 1 hora o circular Manoel Ferreira sair as 08h15min, chegando na Balança do  Km 77, da Rodovia Mogi-Bertioga, por volta das 09h20min e com um pouco de pressa iniciei a caminhada logo em seguida.
O início da trilha fica no Km 80,4 e até lá vou seguindo pelo estreito acostamento da Rodovia sob um Sol de rachar, mas por volta do Km 80 dou de cara com uma espessa neblina que tomava conta da região. 
Charcos na trilha
E pouco antes das 10:00 hrs já estava deixando o asfalto para trás e seguindo na trilha para a Cachoeira da Pedra Furada. 
Como tinha chovido nos dias anteriores, com certeza a trilha estaria toda enlameada e não deu outra. Devido aos inúmeros trechos de charco foi difícil manter os pés secos e em vários momentos fui obrigado a chafurdar a bota na lama – só nessas horas me lembro que preciso comprar uma bota impermeável.
Sem dificuldades de navegação passo por 2 grupos que também seguem na direção da cachoeira. 
Um dos que lideram me reconhece da última vez que passei aqui; é o William que só está indo até a Pedra Furada com um grupo de umas 6 pessoas. 
Topo da Pedra Furada
Comento com eles de irem até a Cachoeira da Light, mas dizem que parte do grupo não aguentaria a caminhada até lá. Não sabem o que estão perdendo.
Assim que cruzo um riacho que vem da direita com quase 1 hora de caminhada chego na principal bifurcação, marcado por um tronco de madeira caído no meio da trilha. 
Quem quiser seguir direto para a Cachoeira da Light é só continuar na trilha da esquerda, paralelamente ao rio, mas eu sigo na bifurcação da direita, subindo por suave aclive e em 5 minutos estou no topo da Cachoeira da Pedra Furada. 
São 11:00 hrs e o lugar estava coberto de uma densa neblina com água muito fria, me fazendo desistir de um breve mergulho. 
De frente para a Cachoeira da Pedra Furada
O Rio Sertãozinho está com grande volume de água e por pouco suas furiosas águas não passam por cima da cachoeira.
Desço até a base dela onde encontro alguns grupos – umas 20 pessoas; quase uma farofa – e alguns gatos pingados se aventurando na correnteza do poção. 
Aqui paro para comer um lanche e bater um papo com alguns deles. Todos irão ficar só nessa cachoeira e dos que conversei nenhum conhece a Cachoeira da Light ou quer se arriscar a ir até lá.
Depois de um breve descanso volto para o topo da cachoeira, onde encontro alguns rapeleiros descendo o paredão. Outro bate papo e sigo para a encosta íngreme, junto do poção e dali vou subindo se agarrando nas raízes para sair na trilha que leva à Cachoeira da Light.
Cachoeira da Light
São 11h20min e com trilha demarcada vou caminhando sem maiores dificuldades, desviando de alguns trechos de áreas alagadas com um ritmo um pouco mais rápido, chegando as 11h40min na Trifurcação. Aqui sigo na trilha da direita para chegar na Cachoeira da Light uns 5 minutos depois. 
A barragem da represa, que antecede a cachoeira, estava com água passando por cima em grande quantidade e a neblina também estava presente aqui, mas pelo menos o lugar estava vazio e sem lixo. 
Alguns clics do lugar e retorno para a trilha.
As 12h15min passo novamente pela Trifurcação e aqui sigo rumo norte com alguns trechos de pântanos pelo caminho. 
Com a vegetação molhada se debruçando sobre a trilha, minhas roupas vão ficando bem molhadas e quem é mais atento consegue visualizar algumas setas na cor preta, colocados pelo pessoal do Clube de Desbravadores Cades - www.facebook.com/cades.desbravadores.
Setas na trilha
Depois de um curto trecho para o norte, a trilha segue agora rumo oeste, como se estivesse voltando para a Rodovia. 
É um trecho no plano com trilha tranquila, cruzando pequenos riachos e aqui tomo um enorme susto que me fez pular para trás. Enquanto caminhava sossegado, dou de cara com uma cobra bem no meio da trilha – essa aqui. Refeito do susto percebo que a dita cuja não se mexe. Me aproximo dela novamente e noto que ela está sem cabeça, que foi cortada por alguém. 
Parece ser uma peçonhenta, mas não seria mais fácil só espantá-la. Vai entender quem fez isso né. Lamentável.
Continuando a caminhada, as 12h55min surge uma bifurcação um pouco escondida, onde sigo para a direita, marcado também por uma seta preta – aqui é preciso ficar atento, porque a bifurcação pode passar despercebida. 
Trilha do Lobisomem
Mais uns 5 minutos e chego a outro riacho, mas esse difícil de cruzar, devido a encosta íngreme e alta. Poderia até atravessá-lo rio abaixo, mas preferi ir por ali mesmo, sobre uma pinguela, na forma de um tronco de madeira em cima do rio. Com os pés escorregando bem devagar, cruzo o rio com muito cuidado e um pouco de dificuldade, mas consigo passar sem cair. 
E mais uns 5 minutos chego na famosa Trilha do Lobisomem, que para esquerda me levaria para a Rodovia, passando pela casa do Seu Geraldo e para direita ao sertão de Biritiba Mirim, pouco explorado por mim. 
Essa trilha na verdade foi uma antiga estrada, que devido ao desuso a Natureza está tomando de volta. 
Cachoeira da Lagarta
Em vez de seguir para a direita, tomo rumo da Rodovia somente para explorar uma Toca, a cerca de 10 minutos dali, junto da trilha. 
No local existem enormes blocos de pedra que podem servir perfeitamente para um bivaque e depois de alguns clics retorno para a trilha rumo leste as 13h15min. 
Passo pela bifurcação que eu tinha vindo e quando se inicia uma descida até o fundo do vale, o som das águas de uma cachoeira se aproxima cada vez mais à esquerda e não penso 2x; sigo por uma trilha me guiando pelo barulho dela.
Coisa de 3 minutos e chego na base da primeira queda, onde tem um pequeno poço, sendo conhecida como Cachoeira da Lagarta. Com uns 7 metros de altura, a cachoeira não é tão volumosa quanto as anteriores e um pouco mais acima existe outra queda de acesso fácil.
Ponte improvisada
Depois de alguns minutos conhecendo o lugar, volto para a Trilha do Lobisomem pouco antes das 14:00 hrs. Mais alguns minutos e estou cruzando o mesmo riacho da cachoeira por cima do que sobrou de uma ponte, já que boa parte dela foi levada pela enxurrada.
Cruzando o rio, logo a paisagem se abre, porém a neblina não me deixa ver a crista do Pico do Gavião (conhecido também como Pico Peito de Moça), à esquerda. 
Por resquícios da antiga estrada a caminhada segue em aclive suave, passando por pequenos charcos até chegar ao ponto mais alto, onde bruscamente viro à direita e inicio uma descida até outro fundo de vale, onde cruzo um riacho por cima de uma ponte improvisada com troncos de madeira.
Nesse momento começo a ouvir vozes de pessoas que vêm no sentido contrario. 
Saída da Trilha do Lobisomem
Era um grupo de 12 pessoas liderado pelo Diógenes, do site Canal da Caminhada do Facebook – esse aqui. É um grupo que reúne caminhantes e bikers.
Eles estavam retornando do Lago dos Andes, que também está na minha lista de trips futuras. Depois de um bate papo e um clic de todos eles nessa foto, me despeço e sigo em frente. 
Mais 5 minutos e chego na bifurcação que eu queria. São várias marcações e impossível alguém passar aqui e não perceber. 
São 14h40min e saio da Trilha do Lobisomem, seguindo na bifurcação da esquerda. 
A trilha também é bem demarcada, encontrando marcas de pneus de bike com trechos onde a erosão já está tomando conta e sem mais bifurcações a navegação é tranquila em meio à mata atlântica. 
No topo da Cachoeira da Água Fina
O ganho de altitude é pouco, já que eu estava contornando pela direita a crista do Pico do Gavião. 
As 15:00 hrs encontro outra pequena cachoeira próxima da trilha, conhecida como Cachoeira da Água Fina e o volume de água é até menor do que a anterior. 
Ela escorre por um grande rochedo de uns 5 metros de altura. 
Mais 15 minutos de caminhada e caio em uma trilha bem mais larga que segue serra acima com alguns totens de concreto no meio dela. A trilha principal se bifurca à direita, mas fico na dúvida se continuo na principal ou sigo serra acima. Paro por alguns minutos para analisar o tracklog e ver qual a melhor opção. Se continuasse pela trilha mais larga chegaria no topo do Pico do Gavião e de lá seguiria pela crista até a Pedra do Sapo. E agora José, o que fazer? 
Totem com vértice
Consulto o relógio; são 15h20min e o inicio da noite está muito longe ainda e assim decido subir até a crista.
Conforme vou ganhando altitude a trilha vai se fechando cada vez mais, porém os totens de concreto estão lá. 
Alguns trechos sou obrigado a subir agarrando nos galhos e nos bambus porque a trilha se torna cada vez mais íngreme. 
Em alguns momentos o GPS perde o sinal e com isso não fico sabendo que altitude devo chegar, mas continuo a íngreme subida, me orientando pelos totens.
E ao chegar no totem com vértice de numero 8781, pouco antes das 16:00 hrs, estou na crista e tento ainda caminhar para esquerda, rumo ao topo do Pico do Gavião, mas a neblina não me deixa ver nada à frente, por isso desisto da empreitada. Chegar no topo do Pico sem visual nenhum é perda de tempo.
Vire à direita
Retorno ao totem do vértice e depois de um breve descanso resolvo seguir pela crista à sudoeste rumo Pedra do Sapo, me orientando pelo tracklog. 
A navegação não chega a ser complicada, mas o maior problema era o vara mato. 
Quando não é um bambuzal fechando totalmente a trilha, é a vegetação alta me obrigando a seguir por desvios. Se eu tinha alguma peça de roupa seca no corpo, agora é que não sobrou nada. Com vegetação molhada fico ensopado dos pés à cabeça. 
Um fato curioso aqui é ter encontrado estrumes de cavalo – para mim era o que parecia. 
Não sou biólogo, mas fico imaginando que animal grande (se não for cavalo) produz merda desse tamanho (atualizado: de acordo com o trilheiro Jorge Soto o que eu vi eram fezes de anta, dessa foto, que encontrei neste blog)
Trecho pela estrada
Deixando as divagações de lado, a trilha vai me deixando estressado e sem perspectiva de melhora, penso em desistir. 
Depois de uns 15 minutos naquele vara mato, decido voltar, retornando ao totem do vértice e sem demora inicio a descida para a trilha principal. 
Mais alguns minutos de caminhada serra abaixo e estou chegando na estrada que acessa o inicio da trilha da Pedra do Sapo. 
Daqui para frente já tinha feito esse percurso em Abril/2016 nesse relato
Só foi caminhar por mais 5 minutos no sentido oeste para chegar ao final da estrada, onde se inicia outra subida, dessa vez ao topo do Sapo.
Se o clima tivesse colaborado, desse ponto conseguiria visualizar toda a Pedra, mas não deu. Paciência. Pelo menos não está chovendo.
Trecho com cordas
Junto ao final da estrada, a trilha segue para esquerda por trecho de subida sem maiores dificuldades. Com cerca de 7 minutos surge o trecho com cordas para ajudar a ascensão, o que eu acho desnecessário, mas não recusei a ajuda.
E com cerca de 15 minutos de subida íngreme chego na crista, onde encontro uma árvore toda pichada e com marcas das iniciais dos nomes de alguns imbecis. Coisa lamentável.
Mais 5 minutos pela crista a oeste e chego na base da Pedra do Sapo pouco depois das 17:00 hrs e logo em seguida no topo. 
Devoro boa parte do lanche que eu ainda tinha e tento acabar com as últimas Ana Marias (aquela dupla de bolinhos) e as barras de  cereais.
Garoa no topo
Nesse momento, sem eu perceber, a bateria do celular chega a 15% de carga, entrando em modo de economia e com isso o tracklog para de gravar dali em diante, finalizando aqui em cima, mas pelo menos todo o percurso que fiz até aqui foi gravado. 
Fico aguardando alguma janela do tempo se abrir, mas a neblina é teimosa e ela não vai embora. 
Fica pior, pois começa a cair uma leve garoa, o que me faz descer do topo rapidamente, iniciando a descida pela trilha à oeste até a Estrada da Adutora por volta das 17h40min.
Passo pelo platô, a oeste do Sapo e a partir daqui entro definitivamente na mata fechada e sem grandes dificuldades vou perdendo altitude. 
Fim da trilha
Um longo trecho da descida segue por um caminho de enxurrada e ao passar ao lado de um riacho à direita vou lavar minha calça e a bota que estavam sujas de lama. Essa é a trilha que também leva a Gruta de Beltenebros, alguns metros seguindo rio abaixo. 
Não demoro muito e retorno para a trilha e já próximo do próximo do final dela, ouço o barulho de um cortador de grama, que deve ser de uma chácara próxima dali e junto a um bambuzal ignoro uma outra trilha que cruza perpendicularmente a trilha principal. i. Mais alguns minutos de descida e chego em 2 casas abandonadas por volta das 18h20min.
Encontro aqui uma arvore de nêsperas, que não resisto e vou comendo algumas. 
Alguns clics do lugar e agora sigo na direção da Estrada da Adutora, já sem a chuva.
E com quase 50 minutos de caminhada chego ao Barzinho ao lado do ponto final da linha Manoel Ferreira. 
São quase 19h30min e encontro o lugar deserto. O circular não demora muito e dentro dele só encontro também alguns típicos moradores – nenhum trilheiro. Parece que eu era o último a sair daquela região voltando para Sampa.
Não foi um Domingo perfeito, mas pelo menos consegui finalizar a travessia que eu já vinha planejando há muito tempo.





Dicas e algumas informações úteis


# O tracklog do trecho final que usei foi esse do Wagner: clique aqui.

# Esperar o circular Manoel Ferreira por quase 1 hora não é fácil. Dependendo do horário que você chegar em Estudantes esse é o tempo que poderá aguardar. Veja nesse site os horários de saída do Terminal: clique aqui. 
Ou se quiser veja outras opções de logística: 

        1) Do lado esquerdo da Estação de Estudantes existe a Rodoviária de Mogi das Cruzes com ônibus da Breda saindo para o litoral em vários horários. É só pedir para descer no Refúgio do Km 80. Custo: cerca de $20 Reais.

        2) Vans clandestinas que fazem o percurso até Bertioga e cujos motoristas ficam do lado de fora da Estação, mas com uma grande desvantagem: só saem quando lota de passageiros. Custo: $20 Reais.

        3) E a última opção é quem pode vir de carro e deixá-lo no estacionamento do Terminal de Ônibus municipais ou junto ao Barzinho da Balança no Km 77. Deixar o carro junto ao inicio da trilha é pedir para ser multado ou até rebocado, pois é proibido parar na Rodovia.

# Água não é problema nessa travessia. São inúmeros riachos ao longo de toda essa caminhada.

# Sinal de celular só fui encontrar em alguns trechos próximo do Pico do Gavião, devido a uma antena de telefonia celular que se localiza perto dali.

# Voltei de lá com alguns carrapatos, que com toda certeza peguei no trecho de vara mato na crista entre o Pico do Gavião e a Pedra do Sapo.

# Para GPS uso um App para telefone celular. 
O que eu uso é o GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha – todos para Android. 
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda. É só abrir o programa e clicar na bolinha vermelha.