5 de novembro de 2016

Relato: Travessia Pedra Furada-Pedra do Sapo - Biritiba Mirim/SP

Olha eu aqui de volta na mesma trilha cerca de 1 mês depois. Era questão de honra; dessa vez eu tinha que finalizá-la. 
Quando fiz essa caminhada pela primeira vez, tentei chegar no topo da Pedra do Sapo pelo sul, seguindo uma suposta trilha que se iniciava na Trilha do Lobisomem, ao lado da casa do Seu Geraldo, mas ela estava tomada pelo mato – veja nesse relato.
Era impossível fazê-la em apenas 1 dia; para os mais corajosos, creio que até dê para chegar no topo da Pedra, mas com muito vara mato e 2 dias. 
E eu não estava a fim disso e por isso voltei agora em um Domingo, mas para fazer a trilha tradicional que chega ao topo da Pedra do Sapo pelo leste, passando por um trecho da Trilha do Lobisomem e ao lado do Pico do Gavião (ou Pico Peito de Moça). 
Devido ao clima que não estava ajudando tive que adiar essa trip por algumas semanas e mesmo na data escolhida fiquei com um pé atrás, porque tinha chovido em dias anteriores. E só fui ter a certeza no Sábado a noite, quando a mulher do tempo disse que a previsão para aquele Domingo seria de Sol com 60% de chances de chover só no final da tarde. Uma boa notícia, que para minha infelicidade se concretizou.
Minha intenção era chegar o mais cedo possível no início da trilha, passando pelas Cachoeiras da Pedra Furada e Light para dar tempo de chegar no Sapo antes do final da tarde. 
Trouxe também algumas dicas que peguei com Seu Geraldo, na última vez que fiz essa caminhada e um tracklog que mostrava o trecho final, onde eu não conhecia.



Na foto acima a Pedra do Sapo encoberta pela neblina



Fotos: clique aqui

Vídeo dessa travessia: clique aqui

Tracklog que gravei de toda a caminhada: clique aqui




Rodovia sob névoa
No Domingo acordei pouco antes das 05:00 hrs e na Estação Itaquera embarquei no trem da CPTM em direção a Guaianases, onde fiz a baldeação para outro trem em direção a Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes, chegando por volta das 07h30min no Terminal de ônibus municipais, do lado direito da Estação. 
Mas não dei sorte, porque fiquei aguardando por quase 1 hora o circular Manoel Ferreira sair as 08h15min, chegando na Balança do  Km 77, da Rodovia Mogi-Bertioga, por volta das 09h20min e com um pouco de pressa iniciei a caminhada logo em seguida.
O início da trilha fica no Km 80,4 e até lá vou seguindo pelo estreito acostamento da Rodovia sob um Sol de rachar, mas por volta do Km 80 dou de cara com uma espessa neblina que tomava conta da região. 
Charcos na trilha
E pouco antes das 10:00 hrs já estava deixando o asfalto para trás e seguindo na trilha para a Cachoeira da Pedra Furada. 
Como tinha chovido nos dias anteriores, com certeza a trilha estaria toda enlameada e não deu outra. Devido aos inúmeros trechos de charco foi difícil manter os pés secos e em vários momentos fui obrigado a chafurdar a bota na lama – só nessas horas me lembro que preciso comprar uma bota impermeável.
Sem dificuldades de navegação passo por 2 grupos que também seguem na direção da cachoeira. 
Um dos que lideram me reconhece da última vez que passei aqui; é o William que só está indo até a Pedra Furada com um grupo de umas 6 pessoas. 
Topo da Pedra Furada
Comento com eles de irem até a Cachoeira da Light, mas dizem que parte do grupo não aguentaria a caminhada até lá. Não sabem o que estão perdendo.
Assim que cruzo um riacho que vem da direita com quase 1 hora de caminhada chego na principal bifurcação, marcado por um tronco de madeira caído no meio da trilha. 
Quem quiser seguir direto para a Cachoeira da Light é só continuar na trilha da esquerda, paralelamente ao rio, mas eu sigo na bifurcação da direita, subindo por suave aclive e em 5 minutos estou no topo da Cachoeira da Pedra Furada. 
São 11:00 hrs e o lugar estava coberto de uma densa neblina com água muito fria, me fazendo desistir de um breve mergulho. 
De frente para a Cachoeira da Pedra Furada
O Rio Sertãozinho está com grande volume de água e por pouco suas furiosas águas não passam por cima da cachoeira.
Desço até a base dela onde encontro alguns grupos – umas 20 pessoas; quase uma farofa – e alguns gatos pingados se aventurando na correnteza do poção. 
Aqui paro para comer um lanche e bater um papo com alguns deles. Todos irão ficar só nessa cachoeira e dos que conversei nenhum conhece a Cachoeira da Light ou quer se arriscar a ir até lá.
Depois de um breve descanso volto para o topo da cachoeira, onde encontro alguns rapeleiros descendo o paredão. Outro bate papo e sigo para a encosta íngreme, junto do poção e dali vou subindo se agarrando nas raízes para sair na trilha que leva à Cachoeira da Light.
Cachoeira da Light
São 11h20min e com trilha demarcada vou caminhando sem maiores dificuldades, desviando de alguns trechos de áreas alagadas com um ritmo um pouco mais rápido, chegando as 11h40min na Trifurcação. Aqui sigo na trilha da direita para chegar na Cachoeira da Light uns 5 minutos depois. 
A barragem da represa, que antecede a cachoeira, estava com água passando por cima em grande quantidade e a neblina também estava presente aqui, mas pelo menos o lugar estava vazio e sem lixo. 
Alguns clics do lugar e retorno para a trilha.
As 12h15min passo novamente pela Trifurcação e aqui sigo rumo norte com alguns trechos de pântanos pelo caminho. 
Com a vegetação molhada se debruçando sobre a trilha, minhas roupas vão ficando bem molhadas e quem é mais atento consegue visualizar algumas setas na cor preta, colocados pelo pessoal do Clube de Desbravadores Cades - www.facebook.com/cades.desbravadores.
Setas na trilha
Depois de um curto trecho para o norte, a trilha segue agora rumo oeste, como se estivesse voltando para a Rodovia. 
É um trecho no plano com trilha tranquila, cruzando pequenos riachos e aqui tomo um enorme susto que me fez pular para trás. Enquanto caminhava sossegado, dou de cara com uma cobra bem no meio da trilha – essa aqui. Refeito do susto percebo que a dita cuja não se mexe. Me aproximo dela novamente e noto que ela está sem cabeça, que foi cortada por alguém. 
Parece ser uma peçonhenta, mas não seria mais fácil só espantá-la. Vai entender quem fez isso né. Lamentável.
Continuando a caminhada, as 12h55min surge uma bifurcação um pouco escondida, onde sigo para a direita, marcado também por uma seta preta – aqui é preciso ficar atento, porque a bifurcação pode passar despercebida. 
Trilha do Lobisomem
Mais uns 5 minutos e chego a outro riacho, mas esse difícil de cruzar, devido a encosta íngreme e alta. Poderia até atravessá-lo rio abaixo, mas preferi ir por ali mesmo, sobre uma pinguela, na forma de um tronco de madeira em cima do rio. Com os pés escorregando bem devagar, cruzo o rio com muito cuidado e um pouco de dificuldade, mas consigo passar sem cair. 
E mais uns 5 minutos chego na famosa Trilha do Lobisomem, que para esquerda me levaria para a Rodovia, passando pela casa do Seu Geraldo e para direita ao sertão de Biritiba Mirim, pouco explorado por mim. 
Essa trilha na verdade foi uma antiga estrada, que devido ao desuso a Natureza está tomando de volta. 
Cachoeira da Lagarta
Em vez de seguir para a direita, tomo rumo da Rodovia somente para explorar uma Toca, a cerca de 10 minutos dali, junto da trilha. 
No local existem enormes blocos de pedra que podem servir perfeitamente para um bivaque e depois de alguns clics retorno para a trilha rumo leste as 13h15min. 
Passo pela bifurcação que eu tinha vindo e quando se inicia uma descida até o fundo do vale, o som das águas de uma cachoeira se aproxima cada vez mais à esquerda e não penso 2x; sigo por uma trilha me guiando pelo barulho dela.
Coisa de 3 minutos e chego na base da primeira queda, onde tem um pequeno poço, sendo conhecida como Cachoeira da Lagarta. Com uns 7 metros de altura, a cachoeira não é tão volumosa quanto as anteriores e um pouco mais acima existe outra queda de acesso fácil.
Ponte improvisada
Depois de alguns minutos conhecendo o lugar, volto para a Trilha do Lobisomem pouco antes das 14:00 hrs. Mais alguns minutos e estou cruzando o mesmo riacho da cachoeira por cima do que sobrou de uma ponte, já que boa parte dela foi levada pela enxurrada.
Cruzando o rio, logo a paisagem se abre, porém a neblina não me deixa ver a crista do Pico do Gavião (conhecido também como Pico Peito de Moça, à esquerda. 
Por resquícios da antiga estrada a caminhada segue em aclive suave, passando por pequenos charcos até chegar ao ponto mais alto, onde bruscamente viro à direita e inicio uma descida até outro fundo de vale, onde cruzo um riacho por cima de uma ponte improvisada com troncos de madeira.
Nesse momento começo a ouvir vozes de pessoas que vêm no sentido contrario. 
Saída da Trilha do Lobisomem
Era um grupo de 12 pessoas liderado pelo Diógenes, do site Canal da Caminhada do Facebook – esse aqui. É um grupo que reúne caminhantes e bikers.
Eles estavam retornando da Represa dos Andes, que também está na minha lista de trips futuras. Depois de um bate papo e um clic de todos eles nessa foto, me despeço e sigo em frente. 
Mais 5 minutos e chego na bifurcação que eu queria. São várias marcações e impossível alguém passar aqui e não perceber. 
São 14h40min e saio da Trilha do Lobisomem, seguindo na bifurcação da esquerda. 
A trilha também é bem demarcada, encontrando marcas de pneus de bike com trechos onde a erosão já está tomando conta e sem mais bifurcações a navegação é tranquila em meio à mata atlântica. 
No topo da Cachoeira da Água Fina
O ganho de altitude é pouco, já que eu estava contornando pela direita a crista do Pico do Gavião ou Pico Peito de Moça. 
As 15:00 hrs encontro outra pequena cachoeira próxima da trilha, conhecida como Cachoeira da Água Fina e o volume de água é até menor do que a anterior. 
Ela escorre por um grande rochedo de uns 5 metros de altura. 
Mais 15 minutos de caminhada e caio em uma trilha bem mais larga que segue serra acima com alguns totens de concreto no meio dela. A trilha principal se bifurca à direita, mas fico na dúvida se continuo na principal ou sigo serra acima. Paro por alguns minutos para analisar o tracklog e ver qual a melhor opção. Se continuasse pela trilha mais larga chegaria no topo do Pico do Gavião e de lá seguiria pela crista até a Pedra do Sapo. E agora José, o que fazer? 
Totem com vértice
Consulto o relógio; são 15h20min e o inicio da noite está muito longe ainda e assim decido subir até a crista.
Conforme vou ganhando altitude a trilha vai se fechando cada vez mais, porém os totens de concreto estão lá. 
Alguns trechos sou obrigado a subir agarrando nos galhos e nos bambus porque a trilha se torna cada vez mais íngreme. 
Em alguns momentos o GPS perde o sinal e com isso não fico sabendo que altitude devo chegar, mas continuo a íngreme subida, me orientando pelos totens.
E ao chegar no totem com vértice de numero 8781, pouco antes das 16:00 hrs, estou na crista e tento ainda caminhar para esquerda, rumo ao topo do Pico do Gavião, mas a neblina não me deixa ver nada à frente, por isso desisto da empreitada. Chegar no topo do Pico sem visual nenhum é perda de tempo.
Vire à direita
Retorno ao totem do vértice e depois de um breve descanso resolvo seguir pela crista à sudoeste rumo Pedra do Sapo, me orientando pelo tracklog. 
A navegação não chega a ser complicada, mas o maior problema era o vara mato. 
Quando não é um bambuzal fechando totalmente a trilha, é a vegetação alta me obrigando a seguir por desvios. Se eu tinha alguma peça de roupa seca no corpo, agora é que não sobrou nada. Com vegetação molhada fico ensopado dos pés à cabeça. 
Um fato curioso aqui é ter encontrado estrumes de cavalo – para mim era o que parecia. 
Não sou biólogo, mas fico imaginando que animal grande (se não for cavalo) produz merda desse tamanho (atualizado: de acordo com o trilheiro Jorge Soto o que eu vi eram fezes de anta, dessa foto, que encontrei neste blog)
Trecho pela estrada
Deixando as divagações de lado, a trilha vai me deixando estressado e sem perspectiva de melhora, penso em desistir. 
Depois de uns 15 minutos naquele vara mato, decido voltar, retornando ao totem do vértice e sem demora inicio a descida para a trilha principal. 
Mais alguns minutos de caminhada serra abaixo e estou chegando na estrada que acessa o inicio da trilha da Pedra do Sapo. 
Daqui para frente já tinha feito esse percurso em Abril/2016 nesse relato
Só foi caminhar por mais 5 minutos no sentido oeste para chegar ao final da estrada, onde se inicia outra subida, dessa vez ao topo do Sapo.
Se o clima tivesse colaborado, desse ponto conseguiria visualizar toda a Pedra, mas não deu. Paciência. Pelo menos não está chovendo.
Trecho com cordas
Junto ao final da estrada, a trilha segue para esquerda por trecho de subida sem maiores dificuldades. Com cerca de 7 minutos surge o trecho com cordas para ajudar a ascensão, o que eu acho desnecessário, mas não recusei a ajuda.
E com cerca de 15 minutos de subida íngreme chego na crista, onde encontro uma árvore toda pichada e com marcas das iniciais dos nomes de alguns imbecis. Coisa lamentável.
Mais 5 minutos pela crista a oeste e chego na base da Pedra do Sapo pouco depois das 17:00 hrs e logo em seguida no topo. 
Devoro boa parte do lanche que eu ainda tinha e tento acabar com as últimas Ana Marias (aquela dupla de bolinhos) e as barras de  cereais.
Garoa no topo
Nesse momento, sem eu perceber, a bateria do celular chega a 15% de carga, entrando em modo de economia e com isso o tracklog para de gravar dali em diante, finalizando aqui em cima, mas pelo menos todo o percurso que fiz até aqui foi gravado. 
Fico aguardando alguma janela do tempo se abrir, mas a neblina é teimosa e ela não vai embora. 
Fica pior, pois começa a cair uma leve garoa, o que me faz descer do topo rapidamente, iniciando a descida pela trilha à oeste até a Estrada da Adutora por volta das 17h40min.
Passo pelo platô, a oeste do Sapo e a partir daqui entro definitivamente na mata fechada e sem grandes dificuldades vou perdendo altitude. 
Fim da trilha
Um longo trecho da descida segue por um caminho de enxurrada e ao passar ao lado de um riacho à direita vou lavar minha calça e a bota que estavam sujas de lama. 
Já estavam bem molhadas mesmo, então que fiquem limpas.
Já próximo do final da trilha, ouço o barulho de um cortador de grama, que deve ser de uma chácara próxima dali e junto a um bambuzal ignoro uma outra trilha que cruza perpendicularmente a trilha principal. Essa é a trilha que leva a Gruta de Beltenebros a cerca de 30 minutos dali. Mais alguns minutos de descida e chego em 2 casas abandonadas por volta das 18h20min.
Encontro aqui uma arvore de nêsperas, que não resisto e vou comendo algumas. 
Alguns clics do lugar e agora sigo na direção da Estrada da Adutora, já sem a chuva.
E com quase 50 minutos de caminhada chego ao Barzinho ao lado do ponto final da linha Manoel Ferreira. 
São quase 19h30min e encontro o lugar deserto. O circular não demora muito e dentro dele só encontro também alguns típicos moradores – nenhum trilheiro. Parece que eu era o último a sair daquela região voltando para Sampa.
Não foi um Domingo perfeito, mas pelo menos consegui finalizar a travessia que eu já vinha planejando há muito tempo.





Dicas e algumas informações úteis


# O tracklog do trecho final que usei foi esse do Wagner: clique aqui.

# Esperar o circular Manoel Ferreira por quase 1 hora não é fácil. Dependendo do horário que você chegar em Estudantes esse é o tempo que poderá aguardar. Veja nesse site os horários de saída do Terminal: clique aqui. 
Ou se quiser veja outras opções de logística: 

        1) Do lado esquerdo da Estação de Estudantes existe a Rodoviária de Mogi das Cruzes com ônibus da Breda saindo para o litoral em vários horários. É só pedir para descer no Refúgio do Km 80. Custo: cerca de $20 Reais.

        2) Vans clandestinas que fazem o percurso até Bertioga e cujos motoristas ficam do lado de fora da Estação, mas com uma grande desvantagem: só saem quando lota de passageiros. Custo: $20 Reais.

        3) E a última opção é quem pode vir de carro e deixá-lo no estacionamento do Terminal de Ônibus municipais ou junto ao Barzinho da Balança no Km 77. Deixar o carro junto ao inicio da trilha é pedir para ser multado ou até rebocado, pois é proibido parar na Rodovia.

# Água não é problema nessa travessia. São inúmeros riachos ao longo de toda essa caminhada.

# Sinal de celular só fui encontrar em alguns trechos próximo do Pico do Gavião, devido a uma antena de telefonia celular que se localiza perto dali.

# Voltei de lá com alguns carrapatos, que com toda certeza peguei no trecho de vara mato na crista entre o Pico do Gavião e a Pedra do Sapo.

# Para GPS uso um App para telefone celular. 
O que eu uso é o GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha – todos para Android. 
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda. É só abrir o programa e clicar na bolinha vermelha. 

4 de outubro de 2016

Relato: Travessia Cachoeira Pedra Furada, Light + Trilha do Lobisomem - Biritiba Mirim/SP

Ultimamente tenho feito muitas caminhadas na região da Serra do Mar de Biritiba Mirim e por inúmeras razões: acesso fácil, trilhas pouco exploradas, diferentes opções de caminhadas e picos e cachoeiras para todos os gostos.
Depois de conhecer os Picos do Garrafão, Esplanada, ItapanhaúPedra do Sapo e as Cachoeiras da Pedra Furada e Light fui pesquisar uma trilha que ligasse um desses picos às cachoeiras e encontrei algumas boas opções. 
Mas devido ao tempo curto (apenas 1 dia) a opção escolhida foi uma trilha que liga as 2 Cachoeiras à Pedra do Sapo, passando pela Trilha do Lobisomem. Mas minha intenção não era seguir a trilha tradicional e sim procurar outra trilha que saísse próximo da casa do Seu Geraldo (famoso conhecedor de trilhas e morador dessa região). Uma parte dessa trip consegui finalizar sem maiores dificuldades, mas o trecho final tive que abortar e seguir por outro caminho, o que me fez atiçar ainda mais a curiosidade para retornar a essa região e explorar melhor outras trilhas.
A data escolhida foi um Sábado de Setembro nublado sem previsão de chuvas, iniciando a caminhada em direção à Cachoeira da Pedra Furada para depois seguir para Light e de lá para Pedra do Sapo.



Foto acima da Trilha do Lobisomem próximo da casa de Seu Geraldo




Fotos: clique aqui

Vídeo de toda essa travessia: clique aqui

Tracklog que eu fiz dessa caminhada: clique aqui




Com dois tracklogs da região: um do Vagner e outro do Rodrigo Moura, sabia que não teria problemas de navegação, pois vir para essa região sem conhecer as trilhas pode ser uma maneira fácil de se perder nas inúmeras bifurcações que existem. 
Por isso fica aí o aviso: se quiser explorar essas trilhas que venha preparado e cuidado em algumas bifurcações.

Acordando por volta das 05h30min da manhã embarquei no trem da CPTM na Estação Tatuapé em direção à Guaianases e lá troquei de trem e embarquei em outro que seguia para a Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes, chegando pouco depois das 07h30min. 
Seguindo pela Rodovia
Da Estação segui para o Terminal de ônibus municipais da cidade, que se localiza do lado direito, onde peguei o circular da linha Manoel Ferreira pouco depois das 08:00 hrs. 
O ponto final é em um bairro próximo da Rodovia Mogi Bertioga, mas meu objetivo era descer na Balança do Km 77. 
Ali eu e quase 1 dezena de mochileiros descemos do ônibus e como tinha pressa e o fator tempo era precioso para mim, nem conversei  com o pessoal, que ficou arrumando as mochilas num barzinho ao lado.
Já fui para a Rodovia e pé na estrada, pois me restavam ainda pouco mais de 3 Km até o início da trilha, no Km 80,4.
A previsão tinha acertado e o tempo nublado reinava sobre a região, mas sem chuvas. 
Início da trilha
Iniciei a caminhada por volta das 09:00 hrs e pouco mais de 30 minutos depois chegava no Refúgio do Km 80,4, onde se inicia a trilha para a Cachoeira da Pedra Furada. 
Só parei aqui por alguns minutos parar retomar o folego e comer alguma coisa e depois pé na trilha.
Esse trecho inicial é tão demarcado que está se transformando numa avenida. Parece que o lugar já tá virando uma muvuca só, infelizmente. 
Trechos de brejos surgem ao longo dela e são transpostos sem maiores dificuldades. 
Parte de um grupo que veio no mesmo ônibus também segue pela trilha e vou conversando com um deles que diz que mais pessoas estão vindo atrás e que vão somente na Pedra Furada.
Riacho junto da trilha
São aproximadamente 3 Km até a Cachoeira com uma bifurcação à esquerda depois de uns 30 minutos e que leva à Cachoeira da Light, porém por um caminho bem mais longo.
Depois de cruzar pequenos riachos, chego as 10h20min na principal bifurcação da trilha, junto de um riacho à esquerda. 
A trilha bifurca para a direita, junto a um tronco de madeira caído e segue para a Pedra Furada. 
Seguindo em frente, paralelamente ao riacho, a trilha leva à Cachoeira da Light.
Tomando a bifurcação da direita, a trilha segue com leve inclinação por trechos de inúmeras raízes e algumas voçorocas.
Outras bifurcações surgem à frente, mas todas elas levam à Pedra Furada, finalizando na parte alta ou na parte baixa dela. 
Na base da Cachoeira da Pedra Furada
E pouco antes das 10h30min chego na parte alta, onde existe um enorme poção.
Depois de alguns clics no topo, desço por corda até o poção da base, mas nem fico por muito tempo. 
Desestimulado pela água muito fria do Rio Sertãozinho, dou meia volta e retorno para a trilha em direção a Cachoeira da Light.
Junto ao poção da parte alta sigo por uma trilha íngreme pela encosta até reencontrar novamente a trilha as 10h50min. 
Seguindo agora sozinho por trilha um pouco mais estreita e menos demarcada que a anterior, não demora muito e começo a ouvir algumas vozes logo à frente, que alcanço rapidamente. 
Era um outro grupo que segue também para Cachoeira da Light e dizem que estão indo acampar na Represa dos Andes, um pouco à frente da cachoeira. 
Cachoeira da Light
O grupo era formado pelo Maciel, Eder e o Jeferson - nessa foto - sendo que o Maciel também possui um blog de trekking – Além da Fronteira
Depois de um bom bate papo, retomamos a caminhada e as 11h30min chegamos na trifurcação, onde à direita e mais cinco minutos chegamos na barragem da represa que antecede o topo da Cachoeira.
Dessa vez não encontro a tenda de pescador que estava aqui da última vez. 
O lugar é repleto de descampados (uns 3 ou 4) e são perfeitos para várias barracas, mas só fico aqui por poucos minutos para alguns clics. 
Maciel e seus amigos ficam procurando o melhor local para cruzar o Rio Sertãozinho e seguir para os Andes. 
Trilha mata adentro
Depois de me despedir deles e desejar
-lhes boa sorte, sigo as 11h50min para o minha trilha - alguns dias depois troquei e-mails com o Maciel e me disse que tinham concluído com sucesso a trilha, me repassando algumas dicas de como chegar lá e automaticamente já entrou na minha lista de trips futuras.
Abandonando a Cachoeira e retornando para a trilha, não demora muito e logo chego na trifurcação, onde para a esquerda é a trilha de volta para a Cachoeira da Pedra Furada, à direita leva ao Rio Sertãozinho e em frente é a trilha que devo seguir. 
Com trilha semelhante a que leva à Cachoeira da Light, vou seguindo sem maiores dificuldades sentido norte sem bifurcações, com um ou outro riacho cruzando a trilha.
E as 12h15min chego em uma antiga estrada tomada pelo mato e aqui a trilha vira bruscamente para esquerda em 90º (quase sem perceber), agora seguindo rumo sudoeste. 
Cruzando riachos
É um longo trecho no plano com algumas trilhas cruzando a principal, por isso é preciso tomar cuidado. 
Se prestar atenção é possível visualizar alguns antigos marcos de concreto, como esse aqui.
E as 12h40min surge uma trilha que me confundiu. Ela cruzava a principal e estava tão demarcada quanto, mas vou seguindo o tracklog do Rodrigo Moura.
E as 13:00 hrs outra bifurcação: para a esquerda a trilha parece retornar para a Pedra Furada e aqui obrigatoriamente segui para a direita. 
Mais uns 5 minutos e cruzo outro rio, mas esse um pouco maior e com mais dificuldade. 
Para cruzá-lo teria de descer um barranco de quase 2 metros de altura e para não molhar as botas teria de ficar descalço, mas prefiro cruzá-lo por cima de um tronco de madeira que serve de pinguela, mas é preciso se equilibrar para não cair no rio. 
Trilha do Lobisomem
E mais uns 10 minutos chego na famosa Trilha do Lobisomem, que é devido ao seu morador ilustre (Seu Geraldo) que possui uma casa na mesma trilha, próximo da Rodovia Mogi-Bertioga – veja essa foto dele que cliquei ao encontrá-lo na Balança. 
Até uma placa com o nome da trilha encontrei em uma árvore, fixado pelo pessoal do Clube de Desbravadores Cades.
A Trilha do Lobisomem na verdade é uma antiga estrada desativada que serve de referencia para acesso a inúmeras atrações de caminhadas na região. 
Algumas décadas atrás era o único acesso a Biritiba Mirim para quem morava nessa região. 
Agora meu caminho é para a esquerda, sentido Rodovia para achar alguma bifurcação rumo norte que me levasse à Pedra do Sapo. 
Toca
No Google Earth é possível visualizar próximo da casa do Seu Geraldo vestígios de uma estrada ou trilha que segue por um imenso vale até a base do Sapo - veja nessa imagem - e essa era minha intenção. E não é só no Google Earth que se visualiza essa trilha. 
Ela aparece também na carta topográfica da região. Então fechada ou não, um dia essa trilha existiu. 
Seguindo na antiga estrada em meio à mata fechada e com pouca variação de altitude, em poucos minutos passo ao lado de duas gigantescas rochas que formam uma espécie de toca, perfeito para um acampamento ou bivaque, mas nem exploro o local porque ainda me resta muito caminhada. 
Nos pequenos vales do caminho surgem os brejos e para não chafurdar minha bota na lama sou obrigado a caminhar lateralmente pisando na vegetação, mas ficar com a bota seca foi impossível. Paciência.
Antiga casa do Seu Geraldo
Inúmeras outras trilhas de vez em quando cruzam com a principal e fui saber depois com Seu Geraldo que foram abertas pelo pessoal da SABESP com o intuito de medir a altimetria ao longo de boa parte da antiga estrada para passar a tubulação com agua retirada do Rio Sertãozinho e que será levada para a Represa de Biritiba Ussú.
Mas como todo empresa pública, o projeto pode ficar só no papel e talvez a tubulação nem venha a ser construída. E se eu queimar a língua e construírem mesmo ela, aí é que as trilhas se tornarão verdadeiras estradas.
Algumas trilhas mais demarcadas cruzam a principal, mas logo se fecham, por isso continuo minha caminhada até chegar na antiga casa do Seu Geraldo, junto a um pequeno riacho e nesse local olhando no Google Earth nota-se um vestígio de uma antiga estrada que segue para o norte, mas não tive sucesso em achá-la, infelizmente. 
Atual casa do Seu Geraldo com visitas
Agora f....Só o Seu Geraldo para me ajudar mesmo.
Depois de alguns clics do seu antigo casebre, onde até gravei um vídeo: esse aqui, cruzo o riacho e mais alguns metros chego na atual casa dele. 
O lugar era um antigo armazém e 2 homens e 1 garoto estão junto a porta de entrada, dizendo que eram visitantes e que Seu Geraldo estava na Balança. 
E agora José? O que fazer?
Como o relógio marcava pouco antes das 14:00 hrs, terminar a caminhada nesse momento seria desperdiçar tempo, então não pensei 2x e voltei pela mesma trilha rumo leste, agora em ritmo mais acelerado, seguindo o tracklog do Vagner para ainda chegar no topo da Pedra do Sapo. 
Cruzando pontes
Depois de retornar todo o trecho que já tinha caminhado por aquela antiga estrada, agora tomo rumo descendente, para um fundo de vale, passando por pequenas tocas típicas de caçadores, mas que felizmente estavam sem uso há muito tempo. 
Do lado esquerdo o som de uma suposta cachoeira (Cachoeira da Lagarta) que se aproxima cada vez mais, porém nem vou atrás para não perder minutos preciosos que podem me fazer falta depois.
Conforme vou descendo na direção do fundo do vale, a trilha se alarga e vira quase uma estrada de terra e as 14h20min cruzo com um riacho por cima de apenas 3 toras de madeira, já que boa parte da ponte foi levada pela enxurrada. 
De agora em diante vou ganhando altitude com a paisagem se abrindo e já surgindo no lado esquerdo o Pico do Gavião, conhecido também por outro nome: Pico Peito de Moça. 
Area queimada
O tempo nublado ainda continuava e as cristas das partes mais altas estavam envoltas em neblina, o que não era uma boa noticia. Será que a chuva estava chegando? 
Uma coisa triste que me chama a atenção é uma pequena área totalmente queimada do lado direito e parece que felizmente a estrada serviu de barreira para que o fogo não se propagasse para o outro lado. 
Só achei estranho a área queimada não ser muito grande. Será que alguém ou a própria Natureza se encarregou de apagar o incêndio e não deixar uma grande área ser queimada naqueles cafundós do Judas?
Duvidas à parte, sigo meu caminho sentido norte/nordeste até chegar na bifurcação do tracklog do Vagner, mas eu tinha 2 problemas: a hora avançada (pouco depois das 15:00 hrs) e o vara mato dali em diante. 
Retornando
Até tentei seguir o tracklog por alguns minutos mata adentro, mas sem um facão para abrir caminho, tive que voltar. 
Já na antiga estrada e de cabeça mais fria fui analisar o tracklog e o percurso que ainda me restava para chegar no Sapo e cheguei a conclusão que era melhor voltar outro dia com mais tempo disponível e clima que ajudasse. 
Até poderia seguir varando mato usando o tracklog, mas chegaria no Sapo já sem visual nenhum e talvez até anoitecendo – definitivamente não era a minha intenção. 
Ou poderia seguir por mais uns 500 metros pela antiga estrada até a bifurcação à esquerda onde existe a tradicional trilha que leva ao topo do Sapo. 
Mas com dor no coração resolvi voltar para a Rodovia. Era melhor assim. E fui sem pressa nenhuma, até parando no riacho onde a ponte foi levada pela enxurrada para tomar um banho. 
Casa do Seu Geraldo
E ao passar pela casa do Seu Geraldo, os visitantes nem notaram minha passagem e as 17h30min chego na Rodovia Mogi Bertioga, depois de cruzar uma cancela, chegando na Balança uns 20 minutos depois. 
Aqui encontrei Seu Geraldo e fiquei conversando com ele por um bom tempo até a chegada do circular para a Estação de Estudantes. 
O bate papo foi bem produtivo porque obtive algumas informações e dicas de trilhas futuras na região. 
Aqui também encontrei o Tiago que estava retornando da Pedra Furada com seus amigos Diego, Zaia e Ariel – veja nessa foto - e fomos conversando no ônibus, trem e metrô, trocando várias figurinhas.
Quando cheguei na estação Tatuapé me despedi deles, marcando de algum dia fazermos trilhas juntos.


PS: Quem for finalizar a travessia que tinha planejado deve levar um facão e uma bússola (recomendável um GPS - pode ser aqueles de celular mesmo). Se eu tive dificuldades para encontrar o trecho inicial, imagine dali para frente. Eu recomendaria 2 dias e somente para quem tem uma boa experiencia de trilhas.
Boa sorte a quem tentar.



Atualizado: cerca de 1 mes depois dessa caminhada, retornei à região e finalizei com sucesso, seguindo por uma outra trilha. Relato: clique aqui






Dicas e informações úteis


 Os dois tracklogs que usei são esses aqui: do Wagner e do Rodrigo.

# A logística para chegar no início da trilha são as seguintes:

1) Pegar o circular no Terminal de ônibus, como eu fiz. Mas é preciso ficar atento aos horários, pois o intervalo entre um ônibus e outro chega a mais de 1 hora. Nesse site aqui é possível checar os horários de saída do circular Manoel Ferreira. Custo: $3,80 (Setembro/2016)
2) Do lado esquerdo da Estação de Estudantes existe a Rodoviária de Mogi das Cruzes com ônibus da Breda saindo para o litoral em vários horários. É só pedir para descer no Refúgio do Km 80. Custo: cerca de $20 Reais.
3) Vans clandestinas que fazem o percurso até Bertioga e cujos motoristas ficam do lado de fora da estação e só saem quando lota de passageiros. Custo: $20 Reais.
4) E a última opção é quem pode vir de carro e deixá-lo no estacionamento do Terminal de Onibus municipais ou junto ao Barzinho da Balança no Km 77. Deixar o carro junto ao inicio da trilha é pedir para ser multado ou até rebocado, pois é proibido parar na Rodovia.

# Água não é problema nessa travessia. São vários riachos que são cruzados ao longo de toda essa caminhada.

# Para GPS uso um App para telefone celular. 
O que eu uso é o GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha. 
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda.  

# Sinal de celular não encontrei em nenhum ponto de toda essa travessia.

29 de junho de 2016

Relato: Pico do Garrafão - Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP

Sabe aquele momento em que você tenta conhecer um lugar, mas circunstancias alheias a sua vontade interferem e não consegue o objetivo?
Pois foi isso que aconteceu na primeira vez que fui tentar chegar no topo desse pico. A caminhada era para chegar nos Picos do Esplanada e do Garrafão e até consegui chegar no topo do Esplanada, mas por não encontrar uma trilha que ligasse os dois, tive que abortar e depois do Esplanada seguir para o Pico do Itapanhaú (nesse relato). Só que dessa vez estava indo somente para o Garrafão e pela trilha tradicional, que segue um longo trecho pela Estrada da Adutora, para depois seguir por estradas secundárias até a base do pico. O início da caminhada foi também no Km 74,3 da Rodovia Mogi-Bertioga, onde desci do circular Manoel Ferreira, seguindo depois pela Estrada da Adutora Rio Claro e usando um tracklog para GPS. Foi uma caminhada longa e na volta, finalizei o trecho final no escuro, mas sem maiores dificuldades. 
Era o último pico que planejava fazer nessa região (Pedra do Sapo, Pico do Esplanada e Itapanhaú já tinha concluído) e com previsão de um Domingo de muito Sol, lá fui eu.


Na foto acima o Pico do Garrafão visto do topo do Pico do Esplanada



Fotos dessa caminhada: clique aqui

Vídeo em HD com vários comentários ao longo da caminhada: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui





Bairro Manoel Ferreira
Aquele Domingo de manhã não estava tão frio quanto os outros dias e depois de desembarcar do Metrô na Estação Itaquera, segui pela CPTM até Guainases e de lá até a Estação de Estudantes. 
O problema foi aguardar um longo tempo no Terminal de ônibus municipais, esperando o circular Manoel Ferreira sair. Até tinha chegado cedo no local, mas só fui sair de lá por volta das 09h30min.
O ônibus, para variar, estava com vários trilheiros sentados no fundo, mas ninguém desceu no ponto de ônibus do Km 74,3 junto da Estrada de acesso ao Bairro. 
E exatamente as 10h20min iniciava a minha caminhada pela Estrada de terra que leva ao Bairro Manoel Ferreira e a partir daqui sigo pela Estrada da Adutora, rumo leste, paralela a tubulação de Agua da SABESP.
Adutora
Ao passar ao lado de uma plantação de pimentões toda queimada pela geada dá pena de ver – se não foi perda de 100%, chegou próximo disso. Nas bifurcações o rumo é bem obvio: seguir próximo da Adutora, às vezes pela direita ou esquerda para contornar um ou outro pequeno morro.
Lá pelas 11:00 hrs a Pedra do Sapo surge em destaque à direita e com cerca de 1 hora de caminhada, passo ao lado do Restaurante da D. Maria, que estava cheio. Não perguntei, mas me pareceu ser uma agencia de trekking com 23 pessoas se aprontando para sair em direção a Pedra do Sapo. Só cumprimentei um dos guias e segui em frente. Mais uns 10 minutos de caminhada e chego na bifurcação que leva a essa Pedra e ao Pico do Itapanhaú, mas continuo seguindo em frente, paralelo à tubulação. 
Reflorestamento
Aqui uma boa noticia: o Sol resolveu dar as caras e com ele é bem melhor caminhar.
Depois de passar embaixo da Adutora, a Estrada chega a uma bifurcação à esquerda, mas continuo seguindo pela estrada principal, agora com a tubulação de água do lado esquerdo e enterrada.
O que chama a atenção aqui é o vasto trecho de reflorestamento de eucaliptos pertencente à Suzano Papel e Celulose. 
A paisagem se abre à esquerda, revelando morros e mais morros só com reflorestamentos. E com cerca de 1h30min de caminhada desde a Rodovia, chego numa bica dágua do lado direito, perfeito para uma pequena parada. Depois de devorar um lanche, encho o cantil, mas não precisava, já que na base do Garrafão existe um riacho. 
Pico do Esplanada
Voltando à caminhada, em algumas aberturas no morro do lado direito, o Pico da Esplanada aparece por entre a mata atlântica, com altitude um pouco abaixo do Garrafão.
Um pequeno sítio abandonado com o nome de Esplanada surge no meio da mata e alguns minutos desde a bica dágua, chego na última casa, onde um pequeno cachorro de nome Tripa resolver correr atrás de mim, mas sem representar perigo. 
Nos fundos da casa um belo lago com patos e peixes (acho que era isso).
Mais alguns metros e chego na placa da Fazenda Casa Verde (pertencente a Suzano) e é aqui que se inicia a trilha que leva ao topo do Esplanada. 
Alguns clics e volto a caminhar, pois tenho ainda um longo trecho até o Garrafão. 
Adutora
A estrada é plana, com pequenos trechos em declive e com a vantagem de ser no meio dos eucaliptos, escondendo os raios do Sol, para alivio da minha cabeça.
De vez em quando a totalidade do topo rochoso do Esplanada surge por entre o reflorestamento juntamente com o Garrafão, que só aparece com uma pequena pontinha de seu domo arredondado, logo ao lado.
Com quase 2 horas de caminhada, passo embaixo da Adutora, mas dessa vez não é a tubulação redonda e sim um enorme duto de concreto por onde a água passa. Lembra um pouco aqueles antigos dutos de água da época colonial, que ainda resistem em algumas capitais pelo país.
E exatamente com 2h20min desde a Rodovia, chego a um pequeno portão metálico de cor amarela do lado direito. 
Cruzando a porteira
É aqui que saio da estrada principal e sigo por estradas secundárias até a base do Garrafão. 
O rumo agora é sentido sul e oeste, como seu eu estivesse retornando tudo o que eu caminhei, mas não tem como evitar. A caminhada segue pela estrada, contornando um morro pela esquerda até chegar a um fundo de vale, onde encontro uma bifurcação. Aqui é preciso tomar cuidado, porque o caminho mais demarcado parece ser a bifurcação em frente, mas o rumo a tomar é o da esquerda, passando por uma pequena ponte de concreto sobre um riacho com laterais de tubos de metal
A caminhada é sem maiores dificuldades contornando morros à esquerda e direita com algumas pequenas bifurcações ao longo do trecho, mas a navegação é bem óbvia. 
Garrafão ao fundo
A totalidade do Esplanada e a lateral do Garrafão surge nas encostas de um vale e é um visão de encher os olhos. 
Logo a estrada adquire um aclive um pouco mais acentuado com trechos de paralelepípedos e vou caminhando pelo vale entre o topo do Garrafão à esquerda e o Esplanada à direita. Um riacho ao lado é perfeito para um reabastecimento de água, pois daqui em diante não encontrei nenhum outro ponto com o precioso liquido.
E exatamente as 13h05min chego na clareira à esquerda que marca o início da trilha que leva ao topo do Garrafão. Foram quase 3 horas desde a Rodovia e daqui em diante chega de estrada. Agora era por dentro da mata, finalmente. 
Marcações
Pelo descampado, vou seguindo a trilha até encontrar o local exato onde ela entra definitivamente na mata fechada e segue crista acima. Um pouco complicado esse início, mas deixei algumas fitas amarradas em pequenas árvores que podem ajudar o mais perdidos.
Se tiver problemas nesse trecho e não encontrar a trilha, o ideal é retornar até a estrada secundária e seguir em frente, já que ela vai contornar todo o Pico do Garrafão e do outro lado, existe uma outra trilha que se inicia por lá saindo em um pequeno ombro do Garrafão – é como se fosse um atalho, já que ela evita passar por um trecho complicado.
Mas se resolver seguir pela trilha do descampado, a navegação segue por dentro da mata sempre ascendente.
Topo
Depois de uns 50 metros de aclive, se chega a um pequeno ombro do Garrafão e aqui a trilha vira bruscamente para a esquerda, rumo nordeste – existe uma fita bem visível assinalando o local. É daqui em diante que ela apresenta os trechos mais íngremes, sempre subindo rumo ao topo, sem bifurcações e com trechos que lembram a subida do Pico do Corcovado, em Ubatuba, por ser íngreme demais. Mas a maior parte da subida é tranquila, passando por trechos de bambuzinhos e vegetação alta que não permite que se vê nada na subida. 
E exatamente as 13h20min e com 3h20min de caminhada desde a Rodovia e 30 minutos de subida pela crista chego no topo, que é um pouco frustrante, já que o lugar é coberto de vegetação alta e árvores para todos os lados com somente um marco geodésico de concreto de mais ou menos 1 metro de altura assinalando que ali é o ponto mais alto do Pico do Garrafão.
Litoral tomado pelas nuvens
Junto do marco também existe uma área descampada e plana que pode acomodar várias barracas, mas o visual de toda a região que é mais importante, isso não tem.
Ao sul, até existe uma abertura por entre as árvores, mas só conseguia visualizar um vasto colchão de nuvens que encobria tudo ao redor. Esperava ver o litoral, mas não deu.
Até dei uma explorada no topo, na direção norte e leste e o visual é um pouquinho melhor, mas cheio de vegetação do mesmo jeito.
A altitude aqui é de cerca de 1070 metros e com subida pela crista de cerca de 250 metros de desnível desde o descampado.
E para não voltar com peso na mochila, agora era hora comer todos os lanches e sucos que eu tinha trazido, além de dar uma descansada também. 
Névoa sobre o vale
Fiquei aqui no topo pouco mais de 1 hora e já pensando que poderia seguir no escuro o trecho final de retorno, então era hora de descer e as 14h40min iniciei a caminhada de volta.
Quando terminei a trilha de descida e cheguei no descampado, uma névoa espessa cobria todo aquele vale e não permitia que eu visse nada ao redor e com isso a temperatura também tinha diminuído bastante. Paciência né, pelo menos meu objetivo eu tinha alcançado.
E ao longo do caminho encontro alguns trilheiros que estavam voltando da Pedra do Sapo e vou conversando com eles até chegar no centro do Bairro Manoel Ferreira, pouco depois das 18:00 hrs e aqui só fico aguardando o circular até o Terminal Estudantes e de lá trem até SP.





Algumas dicas e informações úteis

# A distancia total desde a Rodovia até o topo do Pico do Garrafão é de cerca de 14 Km sem muita diferença de altitudes, caminhando entre 770 metros a 830 metros. Só o trecho final possui uma declividade muito grande.

# Para quem pretende vir de carro, seguem as opções para estacionamento:
1- Junto ao Terminal de Estudantes. É bem seguro e é uma boa opção para quem não quer vir de trem.
2- Bar da D. Maria – ela deixa estacionar no local sem cobrar nada, mas lembrando que a estrada até lá não é das melhores. Muito buraco e pedra.
3- Se não quiser arriscar o carro pela Estrada da Adutora, é possível deixa-lo no centro do Bairro Manoel Ferreira, em frente ao ponto de ônibus do circular.

# Para a logística de trens e ônibus, segue o link dos horários do circular Manoel Ferreira, que sai do Terminal Estudantes, já que o intervalo entre um ônibus e outro passa de 1 hora - É só clicar aqui.

# Para fazer essa trilha usei o GPS do telefone celular com um tracklog que peguei no Wikiloc e foi criado pelo grupo de trekking Fotos & Trilhas
Esse aqui: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=9192384

# No Play Store são encontrados inúmeros apps de GPS para telefone celular. Alguns até possibilitam ir plotando a trilha. 
O que eu uso é o GPX Viewer e o Orux Maps. Tendo ele no celular, é só fazer o download do tracklog e depois abrir no app. É bem simples.