29 de junho de 2016

Relato: Pico do Garrafão - Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP

Sabe aquele momento em que você tenta conhecer um lugar, mas circunstancias alheias a sua vontade interferem e não consegue o objetivo?
Pois foi isso que aconteceu na primeira vez que fui tentar chegar no topo desse pico. A caminhada era para chegar nos Picos do Esplanada e do Garrafão e até consegui chegar no topo do Esplanada, mas por não encontrar uma trilha que ligasse os dois, tive que abortar e depois do Esplanada seguir para o Pico do Itapanhaú (nesse relato). Só que dessa vez estava indo somente para o Garrafão e pela trilha tradicional, que segue um longo trecho pela Estrada da Adutora, para depois seguir por estradas secundárias até a base do pico. O início da caminhada foi também no Km 74,3 da Rodovia Mogi-Bertioga, onde desci do circular Manoel Ferreira, seguindo depois pela Estrada da Adutora Rio Claro e usando um tracklog para GPS. Foi uma caminhada longa e na volta, finalizei o trecho final no escuro, mas sem maiores dificuldades. 
Era o último pico que planejava fazer nessa região (Pedra do Sapo, Pico do Esplanada e Itapanhaú já tinha concluído) e com previsão de um Domingo de muito Sol, lá fui eu.


Na foto acima o Pico do Garrafão visto do topo do Pico do Esplanada



Fotos dessa caminhada: clique aqui

Vídeo em HD com vários comentários ao longo da caminhada: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui





Bairro Manoel Ferreira
Aquele Domingo de manhã não estava tão frio quanto os outros dias e depois de desembarcar do Metrô na Estação Itaquera, segui pela CPTM até Guainases e de lá até a Estação de Estudantes. 
O problema foi aguardar um longo tempo no Terminal de ônibus municipais, esperando o circular Manoel Ferreira sair. Até tinha chegado cedo no local, mas só fui sair de lá por volta das 09h30min.
O ônibus, para variar, estava com vários trilheiros sentados no fundo, mas ninguém desceu no ponto de ônibus do Km 74,3 junto da Estrada de acesso ao Bairro. 
E exatamente as 10h20min iniciava a minha caminhada pela Estrada de terra que leva ao Bairro Manoel Ferreira e a partir daqui sigo pela Estrada da Adutora, rumo leste, paralela a tubulação de Agua da SABESP.
Adutora
Ao passar ao lado de uma plantação de pimentões toda queimada pela geada dá pena de ver – se não foi perda de 100%, chegou próximo disso. Nas bifurcações o rumo é bem obvio: seguir próximo da Adutora, às vezes pela direita ou esquerda para contornar um ou outro pequeno morro.
Lá pelas 11:00 hrs a Pedra do Sapo surge em destaque à direita e com cerca de 1 hora de caminhada, passo ao lado do Restaurante da D. Maria, que estava cheio. Não perguntei, mas me pareceu ser uma agencia de trekking com 23 pessoas se aprontando para sair em direção a Pedra do Sapo. Só cumprimentei um dos guias e segui em frente. Mais uns 10 minutos de caminhada e chego na bifurcação que leva a essa Pedra e ao Pico do Itapanhaú, mas continuo seguindo em frente, paralelo à tubulação. 
Reflorestamento
Aqui uma boa noticia: o Sol resolveu dar as caras e com ele é bem melhor caminhar.
Depois de passar embaixo da Adutora, a Estrada chega a uma bifurcação à esquerda, mas continuo seguindo pela estrada principal, agora com a tubulação de água do lado esquerdo e enterrada.
O que chama a atenção aqui é o vasto trecho de reflorestamento de eucaliptos pertencente à Suzano Papel e Celulose. 
A paisagem se abre à esquerda, revelando morros e mais morros só com reflorestamentos. E com cerca de 1h30min de caminhada desde a Rodovia, chego numa bica dágua do lado direito, perfeito para uma pequena parada. Depois de devorar um lanche, encho o cantil, mas não precisava, já que na base do Garrafão existe um riacho. 
Pico do Esplanada
Voltando à caminhada, em algumas aberturas no morro do lado direito, o Pico da Esplanada aparece por entre a mata atlântica, com altitude um pouco abaixo do Garrafão.
Um pequeno sítio abandonado com o nome de Esplanada surge no meio da mata e alguns minutos desde a bica dágua, chego na última casa, onde um pequeno cachorro de nome Tripa resolver correr atrás de mim, mas sem representar perigo. 
Nos fundos da casa um belo lago com patos e peixes (acho que era isso).
Mais alguns metros e chego na placa da Fazenda Casa Verde (pertencente a Suzano) e é aqui que se inicia a trilha que leva ao topo do Esplanada. 
Alguns clics e volto a caminhar, pois tenho ainda um longo trecho até o Garrafão. 
Adutora
A estrada é plana, com pequenos trechos em declive e com a vantagem de ser no meio dos eucaliptos, escondendo os raios do Sol, para alivio da minha cabeça.
De vez em quando a totalidade do topo rochoso do Esplanada surge por entre o reflorestamento juntamente com o Garrafão, que só aparece com uma pequena pontinha de seu domo arredondado, logo ao lado.
Com quase 2 horas de caminhada, passo embaixo da Adutora, mas dessa vez não é a tubulação redonda e sim um enorme duto de concreto por onde a água passa. Lembra um pouco aqueles antigos dutos de água da época colonial, que ainda resistem em algumas capitais pelo país.
E exatamente com 2h20min desde a Rodovia, chego a um pequeno portão metálico de cor amarela do lado direito. 
Cruzando a porteira
É aqui que saio da estrada principal e sigo por estradas secundárias até a base do Garrafão. 
O rumo agora é sentido sul e oeste, como seu eu estivesse retornando tudo o que eu caminhei, mas não tem como evitar. A caminhada segue pela estrada, contornando um morro pela esquerda até chegar a um fundo de vale, onde encontro uma bifurcação. Aqui é preciso tomar cuidado, porque o caminho mais demarcado parece ser a bifurcação em frente, mas o rumo a tomar é o da esquerda, passando por uma pequena ponte de concreto sobre um riacho com laterais de tubos de metal
A caminhada é sem maiores dificuldades contornando morros à esquerda e direita com algumas pequenas bifurcações ao longo do trecho, mas a navegação é bem óbvia. 
Garrafão ao fundo
A totalidade do Esplanada e a lateral do Garrafão surge nas encostas de um vale e é um visão de encher os olhos. 
Logo a estrada adquire um aclive um pouco mais acentuado com trechos de paralelepípedos e vou caminhando pelo vale entre o topo do Garrafão à esquerda e o Esplanada à direita. Um riacho ao lado é perfeito para um reabastecimento de água, pois daqui em diante não encontrei nenhum outro ponto com o precioso liquido.
E exatamente as 13h05min chego na clareira à esquerda que marca o início da trilha que leva ao topo do Garrafão. Foram quase 3 horas desde a Rodovia e daqui em diante chega de estrada. Agora era por dentro da mata, finalmente. 
Marcações
Pelo descampado, vou seguindo a trilha até encontrar o local exato onde ela entra definitivamente na mata fechada e segue crista acima. Um pouco complicado esse início, mas deixei algumas fitas amarradas em pequenas árvores que podem ajudar o mais perdidos.
Se tiver problemas nesse trecho e não encontrar a trilha, o ideal é retornar até a estrada secundária e seguir em frente, já que ela vai contornar todo o Pico do Garrafão e do outro lado, existe uma outra trilha que se inicia por lá saindo em um pequeno ombro do Garrafão – é como se fosse um atalho, já que ela evita passar por um trecho complicado.
Mas se resolver seguir pela trilha do descampado, a navegação segue por dentro da mata sempre ascendente.
Topo
Depois de uns 50 metros de aclive, se chega a um pequeno ombro do Garrafão e aqui a trilha vira bruscamente para a esquerda, rumo nordeste – existe uma fita bem visível assinalando o local. É daqui em diante que ela apresenta os trechos mais íngremes, sempre subindo rumo ao topo, sem bifurcações e com trechos que lembram a subida do Pico do Corcovado, em Ubatuba, por ser íngreme demais. Mas a maior parte da subida é tranquila, passando por trechos de bambuzinhos e vegetação alta que não permite que se vê nada na subida. 
E exatamente as 13h20min e com 3h20min de caminhada desde a Rodovia e 30 minutos de subida pela crista chego no topo, que é um pouco frustrante, já que o lugar é coberto de vegetação alta e árvores para todos os lados com somente um marco geodésico de concreto de mais ou menos 1 metro de altura assinalando que ali é o ponto mais alto do Pico do Garrafão.
Litoral tomado pelas nuvens
Junto do marco também existe uma área descampada e plana que pode acomodar várias barracas, mas o visual de toda a região que é mais importante, isso não tem.
Ao sul, até existe uma abertura por entre as árvores, mas só conseguia visualizar um vasto colchão de nuvens que encobria tudo ao redor. Esperava ver o litoral, mas não deu.
Até dei uma explorada no topo, na direção norte e leste e o visual é um pouquinho melhor, mas cheio de vegetação do mesmo jeito.
A altitude aqui é de cerca de 1070 metros e com subida pela crista de cerca de 250 metros de desnível desde o descampado.
E para não voltar com peso na mochila, agora era hora comer todos os lanches e sucos que eu tinha trazido, além de dar uma descansada também. 
Névoa sobre o vale
Fiquei aqui no topo pouco mais de 1 hora e já pensando que poderia seguir no escuro o trecho final de retorno, então era hora de descer e as 14h40min iniciei a caminhada de volta.
Quando terminei a trilha de descida e cheguei no descampado, uma névoa espessa cobria todo aquele vale e não permitia que eu visse nada ao redor e com isso a temperatura também tinha diminuído bastante. Paciência né, pelo menos meu objetivo eu tinha alcançado.
E ao longo do caminho encontro alguns trilheiros que estavam voltando da Pedra do Sapo e vou conversando com eles até chegar no centro do Bairro Manoel Ferreira, pouco depois das 18:00 hrs e aqui só fico aguardando o circular até o Terminal Estudantes e de lá trem até SP.





Algumas dicas e informações úteis

# A distancia total desde a Rodovia até o topo do Pico do Garrafão é de cerca de 14 Km sem muita diferença de altitudes, caminhando entre 770 metros a 830 metros. Só o trecho final possui uma declividade muito grande.

# Para quem pretende vir de carro, seguem as opções para estacionamento:
1- Junto ao Terminal de Estudantes. É bem seguro e é uma boa opção para quem não quer vir de trem.
2- Bar da D. Maria – ela deixa estacionar no local sem cobrar nada, mas lembrando que a estrada até lá não é das melhores. Muito buraco e pedra.
3- Se não quiser arriscar o carro pela Estrada da Adutora, é possível deixa-lo no centro do Bairro Manoel Ferreira, em frente ao ponto de ônibus do circular.

# Para a logística de trens e ônibus, segue o link dos horários do circular Manoel Ferreira, que sai do Terminal Estudantes, já que o intervalo entre um ônibus e outro passa de 1 hora - É só clicar aqui.

# Para fazer essa trilha usei o GPS do telefone celular com um tracklog que peguei no Wikiloc e foi criado pelo grupo de trekking Fotos & Trilhas
Esse aqui: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=9192384

# No Play Store são encontrados inúmeros apps de GPS para telefone celular. Alguns até possibilitam ir plotando a trilha. 
O que eu uso é o GPX Viewer. Tendo ele no celular, é só fazer o download do tracklog e depois abrir no app. É bem simples.

14 de junho de 2016

Relato: Picos da Esplanada e Itapanhaú – Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP – Maio/2016

No mês de Abril quando cheguei ao topo da Pedra do Sapo (relato aqui) visualizei alguns picos próximos e que estavam com altitudes um pouco acima, me atiçando a curiosidade para conhecê-los algum dia.
E fui pesquisar quais eram esses picos e como chegar até eles em uma caminhada de um 1 dia qualquer.
O primeiro que apareceu na lista foi o Pico do Itapanhaú, onde fica uma enorme torre de telefonia celular, mas o acesso é feito por estrada asfaltada, tornando muito fácil a caminhada. Olhando na carta topográfica, outros picos eram o Esplanada e o Garrafão, que estão um ao lado do outro.
E deixando o Itapanhaú de lado, pensei em fazer esses dois, mas para chegar no topo do Garrafão teria de sair de um e chegar ao fundo de um vale onde se acessa a trilha que leva ao Garrafão. 
No Google Maps esse trecho não parecia ser muito longo, então lá fui eu.
Só lamento não ter acontecido como eu planejei, mas no final não deu para reclamar.
O acesso a eles é seguindo pela mesma estrada que leva ao topo da Pedra do Sapo, descendo no Km 74,3 da Rodovia Mogi-Bertioga e seguindo pela estrada paralela a Adutora Rio Claro.  
O primeiro que eu ia subir foi o Esplanada para depois seguir para o Garrafão. E no feriado do dia 26 Maio o clima ajudou e não pensei 2x. 
Com o tracklog desses dois picos, lá fui eu.



Na primeira foto o lado leste do topo do Pico da Esplanada e abaixo o Pico do Itapanhaú com sua torre da Vivo



Fotos dessa caminhada: clique aqui

Vídeo em HD com algumas fotos dessa caminhada: clique aqui


Tracklog até o topo do Pico da Esplanada: clique aqui



Bairro Manoel Ferreira
Não foi fácil acordar em um feriado de muito frio pela manhã, mas era por uma boa causa. Desembarcando do Metrô na Estação Itaquera, fiz a transferência para a CPTM, em direção a Guaianases e lá fiz outra baldeação em direção a Estação de Estudantes, onde cheguei pouco depois das 09:00 hrs. Do lado direito da estação fica o Terminal de ônibus municipais e logo embarquei no circular Manoel Ferreira.
Vários trilheiros sentados no fundo, mas nenhum deles desceu no Km 74,3, junto da Estrada de acesso ao Bairro. Parece que todos estavam indo para as cachoeiras, alguns Kms mais à frente.
E pouco depois das 10:00 hrs estava iniciando a caminhada, seguindo pela Estrada de terra que leva ao Bairro Manoel Ferreira, onde chego em cerca de 10 minutos.
Adutora Rio Claro
Desse ponto a tubulação da Adutora da SABESP segue paralela a Estrada sentido leste. Depois de plantações de legumes e com cerca de cerca de 30 minutos de caminhada chego na primeira bifurcação, onde sigo para direita, passando embaixo da Adutora. 
A Pedra do Sapo, de vez em quando, se destacava à direita e pelo caminho encontro alguns bikers. Com cerca de 1 hora de caminhada chego no Restaurante da D. Maria, que é um ótimo ponto de apoio para uma refeição ou um estacionamento para alguém que veio de carro. O que chama a atenção é o único orelhão em toda essa caminhada, e que ainda funciona. 
Com mais uns 5 minutos de caminhada chego na bifurcação que leva a trilha leste da Pedra do Sapo e ao Pico do Itapanhaú.
Áreas de reflorestamento
Mas meu caminho é seguir em frente, subindo pela estrada e passando embaixo da Adutora. Alguns minutos à frente uma bifurcação à esquerda com várias placas, mas a estrada principal segue em frente com a Adutora do lado esquerdo e enterrada.
Enormes reflorestamentos de eucaliptos estão do lado direito e de vez em quando a paisagem se abre do lado esquerdo. 
Com cerca de 30 minutos desde a última vez que passei embaixo da Adutora, uma pequena bica de água surge junto da estrada, sendo bem útil, onde encho meu cantil e devoro um lanche.
Daqui em diante já é possível avistar o topo do Esplanada, que surge por entre a mata atlântica do lado direito.
Trilha subindo
Depois de passar ao lado de algumas casas abandonadas e com pouco menos de 10 minutos desde a bica dágua, chego na última casa com inúmeros cachorros (mansos por sinal – só latem mesmo) e um pequeno lago.
Caminho mais alguns poucos metros e chego na placa da Fazenda Casa Verde (foto desse link) e é aqui que saio definitivamente da estrada e inicio a caminhada na trilha. 
Bem demarcada, vou subindo por entre áreas de reflorestamento sem maiores dificuldades de navegação, seguindo o tracklog pelo GPS do telefone celular. 
Mesmo quem está sem um tracklog, a trilha é demarcada e fácil de visualizar, seguindo quase em um zig zag serra acima. 
Panorâmicas no topo

Esse trecho pelo reflorestamento é curto (cerca de 15 minutos) e logo a trilha entra na mata fechada e segue assim até o topo.  
Com cerca de 5 minutos pela mata surge uma bifurcação à direita, que leva até a estrada de acesso ao Pico do Itapanhaú, mas meu objetivo é continuar pela trilha principal, à esquerda. Poucos metros depois dessa bifurcação encontro mais outro ponto de água – um pequeno riacho cruzando a trilha, que é perfeito para quem pretende acampar no topo ou até para um reabastecimento.
Junto do riacho alguém deixou uma pequena caneca de plástico – essa aqui
Não demora muito para a caminhada ser na crista do Pico com alguns descampados surgindo na trilha. Do lado esquerdo, o visual se abre permitindo belas panorâmicas na direção norte. A vegetação é um pouco mais baixa e aqui não existe um topo com descampado. 
Pico do Garrafão ao lado
A vegetação ocupa todo o trecho da crista e seguindo na direção leste, finalizo próximo a um paredão com uma bela vista de toda a região. Bem ao lado o Pico do Garrafão se eleva um pouco mais alto, separado apenas por um pequeno vale e era a minha intenção a seguir. 
Na carta topográfica de Mogi das Cruzes o lugar onde estou aparece como Pico da Esplanada, mas não achei um cume definitivo. Só a crista tomada pela vegetação. 
Pelo menos a altitude anotada na carta se assemelha ao do GPS: cerca de 1050 mts – na carta consta 1047 mts. 
Depois de um breve descanso é hora de acabar com os lanches e sucos que trouxe na mochila e agora era procurar uma trilha que descesse até o fundo do vale e seguisse para o Garrafão, mas não estava fácil. 
Pico do Itapanhaú ao fundo
Conforme voltava pela trilha, tentava encontrar à esquerda algum vestígio de trilha que descesse ao fundo do vale, mas não encontrava de jeito nenhum. Varar mato não estava nos meus planos e a única opção pelo que eu percebi era retornar até a estrada e de lá seguir rumo leste por um caminho bem longo até o Garrafão. Pelo horário (por volta das 14:00 hrs) seguir com esse objetivo me faria voltar a noite pela estrada. 
O Pico do Itapanhaú com sua imensa torre de telecomunicações poderia ser vista bem a sudoeste e nessa hora desisti de tentar chegar ao Garrafão, já que não encontrava nenhuma trilha que descesse ao fundo do vale pelo sul. 
E quando cheguei no riacho e na bifurcação, em vez de seguir descendo até a estrada, peguei a bifurcação à esquerda. 
Chegada na estrada
Meu objetivo agora era o Pico do Itapanhaú.
O trecho de trilha, saindo próximo do riacho, é bem curto – cerca de 7 minutos e termina em um descampado, onde encontra uma outra trilha bem mais demarcada. 
Existem até algumas marcações de fitas e setas pintadas em azul apontado para a direita, mas esse não é o caminho que leva ao Pico do Itapanhaú.
O caminho que segui foi o da esquerda, passando por um trecho de eucaliptos queimados. O que chama a atenção são as marcas de pneus de motocicleta na trilha. 
Com cerca de 15 minutos de caminhada finalizo na estrada que acessa o topo do Itapanhaú, à esquerda, seguindo por trechos bem íngremes.
Subindo
E pouco minutos antes das 15:00 hrs finalizo no topo, onde a torre de telefonia celular está encoberta pela neblina. A altitude aqui é de pouco mais de 1080 mts e o portão que dá acesso ao local está aberto e com isso vou explorando o local. Água não tem e no trecho da estrada também não encontrei algum riacho. Com algumas aberturas e o Sol aparecendo de vez em quando, resolvo subir as escadas que acesso o topo da torre para alguns clics.
Quando já estava pensando em ir embora, chegam 2 trilheiros: Marcos e Samuel , que vieram de Guarulhos/SP para conhecer o local, mas não ficaram muito tempo.
Depois de vários clics resolvo ir embora também e ao longo do trecho de descida vamos conversando sobre algumas trilhas e caminhadas.
E ao longo do caminho, um casal com mochilas cargueiras vem subindo e ao passar por nós, me chama pelo nome, mas não o reconheci imediatamente. Só quando falou o nome, que me lembrei dele.
Era o Vagner, conhecido no site Wikiloc como Vgn Vagner – veja o perfil dele aqui.
Conhecedor de trilhas pela Serra do Mar, trocamos muitas ideias. Ele estava com sua namorada Caroline e pretendiam fazer um circuito de vários picos pela região. 
Veja nesse tracklog o que fizeram: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=13499153
Depois de um bate papo, nos despedimos e os dois seguiram para o topo do Itapanhaú. 
E exatamente as 17:00 hrs chegamos no Bar da D. Maria, onde o Marcos deixou o carro dele e me ofereceu carona até Mogi das Cruzes, onde embarquei no trem de volta para SP.




Algumas dicas e informações úteis

# A distancia total desde a Rodovia até o topo da Pico da Esplanada é de cerca de 10 Km.

# Para quem pretende vir de carro, são várias as opções para deixar o carro:
1- No estacionamento do Terminal de Estudantes. É bem seguro e é uma boa opção para quem não quer vir de trem.
2- Bar da D. Maria – ela deixa estacionar no local sem cobrar nada, mas só ressaltando que a estrada até lá não é das melhores. 

# Para fazer o Pico do Esplanada, Pico do Garrafão e Itapanhaú todos de uma vez só, o ideal são 2 dias. Até possível fazer em 1 dia, mas se torna muito cansativo. 

# Para a logística de trens e ônibus, segue o link dos horários do circular Manoel Ferreira, que sai do Terminal Estudantes, já que o intervalo entre um ônibus e outro é bem grande - É só clicar aqui.

# São vários os programas de GPS para telefone celular. Alguns até oferecem a oportunidade de ir plotando a trilha. O que eu uso é o GPX Viewer. É só fazer o download do tracklog e abrir no programa. É bem simples.

# Na caminhada usei o tracklog elaborado pelo grupo de trekking Fotos & Trilhas
http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=10019148
http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=9192384

12 de abril de 2016

Relato: Pedra do Sapo – Serra do Mar de Biritiba Mirim/SP – Abril/2016

Depois de conhecer as Cachoeiras da Light e da Pedra Furada recentemente (relato aqui e aqui), que ficam próximas da Rodovia Mogi-Bertioga, fui pesquisar outras opções na mesma região para uma trip futura em um Sábado ou Domingo qualquer. 
Deixando de lado as cachoeiras, minha intenção agora era subir algum dos picos que ficam próximos da Rodovia e a Pedra do Sapo era a primeira da lista. 
Seu acesso ao topo pode ser feito por 3 lugares diferentes: ao sul, iniciando no Km 79 da Rodovia, mas o trecho é de vegetação alta e eu não estava a fim de varar mato. Os outros 2 acessos são os mais usados: subindo por uma trilha à oeste e leste da Pedra, iniciando a caminhada no Km 74,3 e passando pelo Bairro Manoel Ferreira. Quem acessa a Pedra por essas 2 trilhas passa pelo centro do Bairro e segue por uma estrada paralela a Adutora do Rio Claro (enorme tubulação de água da SABESP). E com um tracklog da trilha pelo lado leste lá fui eu em um Sábado de muito Sol.


Na foto acima, de frente para a Pedra do Sapo


Fotos dessa caminhada: clique aqui

Também gravei 1 video com trechos dessa caminhada e imagens do topo em HD: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui



Inicio da caminhada junto da Rodovia Mogi-Bertioga
Acordei bem de manhãzinha, pois minha pretensão era chegar na Estação Estudantes (em Mogi das Cruzes) antes das 08:00 hrs para pegar o circular que saia logo em seguida.
Desci do Metrô na Estação Itaquera e em seguida embarquei no trem da CPTM até Guaianases, levando cerca de 20 minutos nesse trajeto. Lá fiz a baldeação para o trem em direção a Estação de Estudantes, que levou quase 1 hora de viagem. No Terminal de ônibus municipais, que fica do lado direito da Estação, embarquei as 08h15min no circular Manoel Ferreira.
Achava que o ônibus estaria lotado de trilheiros, mas somente um grupo seguia para as cachoeiras próximas da Mogi-Bertioga. 
Eu fui o único a descer na Rodovia ao lado da estrada que acessa o Bairro Manoel Ferreira. 
Bairro Manoel Ferreira
A localização é fácil, porque o ponto de ônibus fica junto da entrada do Bairro e pouco depois do Km 74, antes da Rodovia cruzar a Adutora da SABESP. 
Por estar em um lugar que não conhecia, desse local em diante fui me guiando pelo croqui do tracklog – preferi ainda não usar o GPS para não consumir os dados do celular. 
Em cerca de 10 minutos pela estrada de terra chego no centro do bairro, que se resume a um mercadinho/barzinho, algumas residências e um ponto de ônibus coberto. 
Aqui é o meu primeiro contato com a tubulação da SABESP, que será minha referencia dali em diante.
Seguindo rumo leste pela Estrada principal conhecida como Estrada da Adutora, em cerca de 15 minutos passo ao lado de uma plantação de pimentões e inúmeras estufas para o cultivo de legumes e verduras.
Caminhada ao lado da Adutora
E com pouco menos de 30 minutos desde a Rodovia, chego na primeira bifurcação que pode confundir, já que as duas estradas são demarcadas.
Seguindo para a esquerda é o caminho que leva a alguns sítios e onde mais estufas são vistas ao longe, mas devo seguir na bifurcação da direita, passando embaixo da Adutora, para somente contornar o morro e mais a frente voltar a seguir paralelamente a tubulação de água, que agora segue do lado esquerdo.
À sudeste vejo a Pedra do Sapo com a cabeça do “anfíbio” se destacando. 
Bifurcação da direita: trilha a oeste da Pedra
Cruzo com um rio, que parece não ser de água potável (melhor pegar mais a frente) e mais alguns minutos a estrada abandona a Adutora e segue para direita, contornando outro morro.
Aqui um aviso importante: ao chegar na próxima bifurcação, onde junto dela existe um portão de ferro de uma propriedade com muro branco marcado pelo numero 400 é aqui à direita que leva ao inicio da trilha à oeste da Pedra. No final do relato do relato eu coloco os detalhes para quem prefere acessar a Pedra por esse caminho.
Como minha intenção é acessar a Pedra pelo lado leste, sigo na bifurcação da esquerda, seguindo pela estrada principal, para novamente continuar a caminhada ao lado da Adutora. 
Desse ponto a Pedra do Sapo já é bem visível com seu imponente paredão.
Bar da D. Maria
Mais alguns minutos e agora a estrada contorna um morro pela esquerda cruzando a Adutora e passando ao lado de um Restaurante/Mercearia chamado Rancho da D. Maria, onde alguns cachorros anunciam a minha passagem pelo lugar. Junto dele o único orelhão em toda essa caminhada, mas não olhei se funciona. 
Aqui pode ser uma boa opção para tomar uma breja ou até uma refeição na volta da Pedra.
Mais à frente vou seguindo ao lado Adutora por alguns poucos minutos até a próxima bifurcação, marcada por um pequeno poste com medidor de consumo de luz. São pouco mais de 1 hora desde a Rodovia e daqui para frente abandono a estrada principal e sigo na bifurcação da direita, descendo para um pequeno vale. 
De frente para Pedra do Sapo
Nesse trecho cruzo com um riacho, onde reabasteço de água e devoro um lanche.
Revigorado, volto a caminhar e mais uns 50 metros chego na última bifurcação onde uma planta parecida com uma palmeira se destaca no lugar. Sigo pela direita como se estivesse retornando (na bifurcação da esquerda a estrada leva ao topo do Pico do Itapanhaú, onde está a Torre de telefonia celular da Vivo). Desse ponto em diante vou me orientando pelo tracklog com o GPS do celular ligado.
Depois de passar por uma pequena cerca de arame, a estrada vai se afunilando, com vegetação se alternando entre mata nativa e área de reflorestamento de eucaliptos. 
A Pedra do Sapo surge de frente bem ao fundo e não me parece muito longe. 
Outros riachos e trilhas surgem dos dois lados até chegar a algumas toras de madeira que bloqueiam a estrada, impossibilitando qualquer passagem de carro daqui em diante. 
Trilha com cordas
Mais alguns metros e chego no final da estrada e nesse ponto o tracklog aponta o caminho para esquerda subindo por trilha que mais parece uma antiga estrada.
Outra bifurcação onde sigo para esquerda e mais alguns metros viro para a direita.
E daqui em diante não tem mais erro, já que a trilha é demarcada e sem mais bifurcações, onde vou ganhando altitude sem muito esforço.
De vez em quando o sinal do GPS se perde devido a mata fechada, mas não tem problema. A trilha é tranquila e conforme ela vai ficando cada vez mais íngreme, o trecho surge com algumas cordas - provavelmente colocado por agencias de ecoturismo, pois achei totalmente desnecessário.
Base da Pedra
E com cerca de 20 minutos de subida pela trilha, finalizo no plano onde já visualizo a Pedra logo a frente. É uma caminhada curta e ao chegar em outro trecho de corda encontro uma trilha que desce para o sul e pode ser uma opção para quem quer se aventurar um pouco mais por essa região, pois pode fazer ligação com a Cachoeira da Light – é questão de explorar.
Depois de um trecho de corda, volto a emergir entre o paredão da Pedra do Sapo e um pequeno platô que está a noroeste, onde chego logo em seguida, as 11h30min com Sol de rachar a cabeça. 
O lugar permite um visual de 360º, só atrapalhado pela Pedra do Sapo, bem ao lado. 
No platô
A trilha que vem pelo lado oeste é facilmente encontrada e pode ser uma opção mais curta para quem vem pela Estrada da Adutora. 
O platô até permite a montagem de algumas barracas, mas desprotegidas, por isso é preferível descer a trilha a oeste por uns 5 minutos até um grande descampado no meio da mata, que é perfeito para um acampamento.
Água aqui não tem; teria de trazer lá do riacho antes de iniciar a subida e não sei se é possível encontra-la na trilha que desce para o sul. Na trilha a oeste só encontrei água cerca de 20 minutos serra abaixo.
Mesmo debaixo de um Sol escaldante, fiquei descansando alguns minutos nesse platô, com direito a visita de alguns urubus, que teimavam em ficar sobrevoando o lugar, talvez esperando que eu fosse o próprio alimento. 
Topo
No final do vídeo quase um dos urubus pousa ao lado da câmera, que eu estava filmando no topo. Tomei um susto, mas acho que quem se assustou mais foi ele.
Depois de comer alguns lanches e acabar com a água, voltei para a trilha, agora para subir ao topo da Pedra. O trecho inicial é bem íngreme e ancorado por algumas cordas e grampos presos na rocha que levam até uma outra pedra, uns 3 metros abaixo do topo, onde por estreita crista chego no cume. 
É um lugar bem estreito também e me faz lembrar da Pedra da Bacia, na Serra da Bocaina, nesse relato
A altitude aqui marcava pouco metros abaixo de 1000 metros e daqui se tem uma linda vista de 360º de toda a região. 
Praia da Riviera de São Lourenço
À leste se destaca o Pico do Itapanhaú com sua enorme torre de telefonia celular com alguns outros picos próximos – ao sul dá para ver os inúmeros prédios da Praia da Riviera de São Lourenço – o lar dos endinheirados paulistas. À oeste a crista da Serra do Mar com outros picos e ao norte as represas de Taiaçupeba e de Biritiba Mirim são os destaques, assim como a estrada onde está a Adutora da SABESP. Aparecem também inúmeros sítios com estufas para o cultivo de legumes e verduras, já que parte dessa região faz parte do cinturão verde da cidade de SP, onde produtos daqui abastecem a CEAGESP. 
Depois de um merecido descanso na sombra um pouco abaixo do topo, me preparo para retornar para a Rodovia.
Cobra na trilha
São 14:00 hrs e naquele Sábado ensolarado somente eu estava ali e dessa vez vou descendo pela trilha a oeste. Foi rápido, mas sinceramente não gostei de jeito nenhum dessa trilha que desce para a estrada: existem bifurcações, em alguns trechos a trilha é por antigos leitos de riachos ou de enxurradas e muita, mas muita mesma teia de aranha cruzando a trilha. 
Dava até raiva e já imaginava a qualquer momento em que seria picado por alguma aranha, mas o que encontrei na trilha foi pior: uma cobra tomando Sol sossegadamente. Quase pisei na dita cuja e na hora nem pensei se era peçonhenta ou não, mas refeito do susto me pareceu ser uma cobra cipó, que também é perigosa, mas não peçonhenta. 
Dali em diante fiquei muito mais atento por onde pisava. 
Final da trilha
Vai de encontrar uma Jararaca não é?
Conforme vou descendo, o som de um riacho me faz pegar uma bifurcação à direita e sigo até ele para procurar algum pequeno poço onde pudesse tomar um banho e não foi difícil encontrar.
Foi um banho gelado, mas revigorante. Volto para a trilha para continuar a descida e não demora muito alguns cachorros percebem a minha aproximação e não param de latir, mesmo eu estando no meio da mata, por isso em vez de seguir na direção deles, pego uma bifurcação à esquerda que leva a 2 casas abandonadas, onde chego pouco depois das 15:00 hrs.
Dando as costas para essas casas, sigo por antiga estrada até chegar no portão da propriedade, trancado a cadeado e com uma placa avisando “CUIDADO COM O CÃO”. 
Portão de acesso ao início da trilha
Mais alguns metros e caio em outra estrada. Mesmo aqui os cachorros parecem notar minha presença e por isso resolvo ver onde eles estão, mas ao chegar em frente ao portão de um pequeno sitio com um gramado bem cuidado, bato uma foto e só consigo ler a placa de “Recanto....”. O resto não consigo ler, pois os cachorros me viram e vêm correndo na minha direção. Não pensei 2x e pernas para quem te quero. Saí em disparada na direção de onde vim, nem olhando para trás, mas sei que um deles é preto e não é pequeno. Nem penso que poderia parar e pegar algum galho ou madeira junto da estrada para me defender. Parecia que eu estava correndo os 100 metros nas Olimpíadas. Só quando notei que os cachorros tinham voltado, diminuí o ritmo. Ufa, escapei.
Bifurcação
Agora de volta a mesma bifurcação que já tinha passado, sigo pela Estrada da Adutora sem pressa em direção a Rodovia.
Alguns carros passam por mim, mas carona que é bom, nada. Tudo bem, já estou acostumado – essa gentileza a gente encontra só nos rincões de nosso país, longe das grandes cidades.
E pouco depois das 16:00 hrs já estava no ponto de ônibus aguardando o circular para Estudantes, que não demorou muito e ao longo do trajeto dormi a maior parte do tempo.
No trem a viagem foi tranquila e no inicio da noite já estava chegando em casa.
E assim lá se foi mais um Sábado de caminhada por uma região pouco conhecida por mim e prometendo a mim mesmo que voltaria em breve. Pico do Itapanhaú, Pico do Garrafão, Pico da Esplanada e outros estão na minha lista de futuras trips. É só ter um Sábado ou Domingo disponível e de preferencia com Sol que eu estou voltando. São muitos picos e cachoeiras ainda a conhecer e explorar.




Algumas dicas e informações úteis


# A distancia total desde a Rodovia até o topo da Pedra pelas 2 trilhas é esse:
- Trilha a oeste: 6,5 Km.
- Trilha a leste: 8,0 Km.

# Toda a caminhada pela Estrada da Adutora é sempre no plano, por volta da altitude de 760 metros. 

# Para quem pretende vir de carro, são várias as opções para deixar o carro:
1- No estacionamento do Terminal de Estudantes. É bem seguro e é uma boa opção para quem não quer vir de trem.
2- No centro do Bairro Manoel Ferreira. Em frente ao ponto de ônibus existe uma mercado/barzinho com espaço para deixar o carro em frente.
3- Bar da D. Maria - só recomendo o local para quem tem um carro com suspensão alta, já que as condições da Estrada da Adutora não são das melhores. 

# Ao longo de toda a Estrada da Adutora não encontrei um único ponto onde houvesse água potável. Somente o Barzinho junto ao ponto de ônibus do Bairro ou no Bar da D. Maria.

# A não ser que você esteja planejando conhecer outros picos e cachoeiras da região ao mesmo tempo, essa é uma trip para apenas 1 dia. 

# Para não ficar muito tempo esperando o circular Manoel Ferreira no Terminal Estudantes segue o link dos horários de saída, já que o intervalo entre um ônibus e outro chega a quase 1 hora ou mais - É só clicar aqui

# O gasto que tive levando um tracklog e usando GPS do telefone celular foi de 10MB do pacote de dados. É possível usá-lo off-line, mas preferi online devido a algumas bifurcações que encontrei no inicio da trilha. O programa que uso é o GPX Viewer, disponível no Play Store: esse aqui
Apesar de estar totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil.

Tracklog que usei, criado pelo grupo de trekking Fotos & Trilhas: clique aqui

# Para quem pretende chegar ao topo da Pedra do Sapo pela trilha a oeste seguem algumas dicas: 

- Ao chegar na bifurcação onde existe uma entrada de um sitio com laterais de muro pintados em branco e numeração 400 (cerca de 50 minutos desde a Rodovia), saia da estrada principal e siga para direita.
- Em outra bifurcação que surgir, seguir em frente até um portão de madeira fechado com cadeado e uma placa: CUIDADO COM O CÃO.
- Já dentro da propriedade, o final dessa estrada será em algumas casas, ainda conservadas, mas abandonadas.
- O inicio da trilha fica à esquerda da primeira casa, ao lado de uma cerca de arame, que entra na mata e segue por trilha demarcada sempre subindo.
- Outra trilha vêm de uma residência cheia de cachorros um pouco abaixo, por isso não recomendo iniciar a caminhada por lá.
- Nesses primeiros minutos aparecem algumas bifurcações à direita, mas a trilha principal é sempre a da esquerda.
- Com quase 20 minutos de caminhada se ouve um riacho à esquerda, saindo em uma bifurcação da trilha. Pegue água aqui porque não encontrei próximo do topo.
- A subida se torna mais íngreme e em alguns momentos segue por antigos leitos de riachos ou de água das chuvas.
- Cerca de 5 minutos antes de chegar ao final da subida, a trilha passa ao lado de um grande descampado, perfeito para várias barracas.

29 de março de 2016

Dicas: Cachoeira da Light – Biritiba Mirim/SP - Março/2016

Nesse inicio de 2016 não deu para fazer nenhuma caminhada que eu tinha planejado. A chuva não ajudou muito e preferi não arriscar em lugares onde pudesse passar por perrengues. Com os dias passando e o verão indo embora, eu já nem tinha mais esperança de fazer alguma trilha.
E na última semana da melhor estação do ano, o clima ajudou com a chuva dando uma trégua e a previsão era de tempo bom. E com isso não pensei 2x. 
Foi em cima da hora, já que decidi numa Sexta-feira para fazer a caminhada no Domingo, mas no final deu tudo certo.
Escolhi a Cachoeira da Light do Rio Sertãozinho, próximo da Rodovia Mogi-Bertioga, pois sabia como era uma parte da trilha, já que exatamente 2 anos atrás, em Março/2014 ao visitar a Cachoeira da Pedra Furada (relato aqui), segui por cerca de 20 minutos pela trilha que acessa essa cachoeira e constatei que não era tão complicada.
O acesso e a logística são relativamente simples, já que um circular que sai de Mogi das Cruzes tem ponto final a cerca de 3 Km do início da trilha.
E para quem não conhece a Cachoeira da Pedra Furada, essa é boa opção para visitar as duas, já que a distancia entre uma e outra é de no máximo 1 hora de caminhada por trilha não tão difícil. Claro que isso é para quem tem uma certa experiência em trekking.
Nessa postagem abaixo vou somente colocar algumas informações úteis e interessantes, em vez do tradicional e detalhado relato, já que não considero essa trilha complicada.
É uma caminhada que dá para ser feita sem correria em um Sábado ou Domingo qualquer de tempo bom, porque com tempo chuvoso é perda de tempo.


Na foto acima, na base da Cachoeira da Light, junto ao Poção



Fotos dessa caminhada: clique aqui

Também gravei 2 videos em HD dessa trip.
Um mostrando como é a trilha de acesso e a Cachoeira da Light: Clique aqui

Outro somente mostrando como é a Cachoeira da Pedra Furada: Clique aqui



Tenda junto da Cachoeira
# Infelizmente muita gente teve a mesma ideia que eu e a trilha estava com uma quantidade grande de grupos – contei mais de 30 pessoas fazendo a trilha. E isso porque não encontrei as vans de agencias que trazem muito mais gente, mas pelo menos quase a totalidade ficou na Cachoeira da Pedra Furada.

# Ao chegar na Cachoeira da Light encontrei o lugar deserto e quando estava saindo de lá chegou um grupo de 3 pessoas.

# O tempo ajudou e a maior parte do tempo estava um Sol de rachar com alguns momentos de tempo nublado, mas nada de chuva.

# Na Cachoeira da Light existem alguns descampados (uns 3 ou 4) e são perfeitos para camping. Encontrei até uma tenda improvisada montada junto ao rio.

# Sinal de telefonia celular não tem em nenhum ponto da trilha.



Como chegar ao início da trilha

Refúgio do Km 80,4 onde se inicia a trilha
# Saindo de São Paulo o melhor acesso é pelas estações do Metrô Luz, Tatuapé ou Itaquera onde se deve embarcar no trem da CPTM com destino à estação Guainases. Dessa estação faz baldeação gratuita para outro trem, este em direção a estação Estudantes, em Mogi das Cruzes, onde existem 3 opções de transporte:
- Do lado esquerdo da estação se localiza a Rodoviária de Mogi das Cruzes com ônibus da empresa Breda fazendo o trajeto até Bertioga. Para quem embarca nesse ônibus é só pedir para descer no Refúgio do Km 80 da Rodovia Mogi-Bertioga. Depois é só caminhar alguns minutos e está no inicio da trilha que fica à esquerda no Km 80,4. Valor: $22,30 (Março/2016).
- Outra opção são as vans clandestinas, cujos motoristas ficam junto da saída da estação Estudantes. Valor: $20,00 (Março/2016).
- E a melhor opção é o circular Manoel Ferreira que sai do Terminal de Onibus municipais, à direita da estação. O ponto final dele é na Balança, que se localiza no Km 77 da Rodovia. Dali são pouco mais de 3 Km seguindo até o inicio da trilha. Só é preciso tomar muito cuidado porque a Rodovia não dispõe de acostamento e a caminhada é pelo local onde escorre a água das chuvas com cerca de 1 metro de largura, com os carros passando bem ao lado. Valor $3,80 (Março/2016).

# O circular faz o percurso do Terminal até a Balança em cerca de 50 minutos e no link abaixo estão os horários do circular Manoel Ferreira: é só clicar aqui

- Outra opção é vir de carro e deixa-lo no estacionamento de um Bar, que fica junto da Balança do Km 77.

# No início da trilha, junto ao Refúgio do Km 80,4 não existe lugar seguro para deixar um carro estacionado, por isso não recomendo essa opção.



Distancias e como é a trilha

Bifurcações
# Desde a Rodovia até a Cachoeira da Pedra Furada são uns 3 Km e a trilha é bem demarcada e sem problemas de navegação. Existem algumas bifurcações, mas é bem fácil identificar a principal.

# O único problema são os vários trechos de brejo na trilha. Existem alguns desvios, mas muitas vezes tem de passar pelo meio da lama pisando em alguns galhos.

# Água não é uma preocupação, já que a trilha cruza com alguns riachos pelo caminho.

# A bifurcação que leva a Cachoeira da Pedra Furada surge à direita depois de uns 40 minutos de caminhada desde a Rodovia, junto a um tronco de árvore caído, poucos metros depois dela cruzar um pequeno riacho. Veja nessa foto.

Cruzando riachos
# Seguindo na bifurcação da esquerda, a trilha leva até a Cachoeira da Light e logo à frente cruza novamente o mesmo riacho anterior, mas dessa vez para esquerda e daqui para frente não é tão demarcada.

# O som das águas do Rio Sertãozinho começa a surgir à direita, quando também são encontrados alguns descampados para campings e bifurcações com trilhas íngremes que levam ao rio.

# Pequenas cachoeiras e poções podem ser acessadas através dessas bifurcações, assim como também é possível chegar ao topo da Cachoeira da Pedra Furada.



Acampamentos junto da Cachoeira
# A Cachoeira da Pedra Furada é bem peculiar porque o rio não passa por cima das pedras para formar a queda, mas por uma estreita fenda no meio da rocha, tendo por volta de uns 6 metros de altura.

# A trilha segue em meio à mata fechada sem outras bifurcações e cada vez mais se distanciando do Rio Sertãozinho. O som que se ouve agora é somente dos pássaros e animais da mata – veja no vídeo.

# Com cerca de 30 minutos de caminhada desde a bifurcação para a Cachoeira da Pedra Furada, surge outra bifurcação bem demarcada com 3 trilhas a escolher. A trilha da esquerda também é bem demarcada e deve levar a outros pontos do Rio Sertãozinho, sendo possível retornar à Rodovia por ela, que ainda penso em explorar essa região no futuro. A trilha do meio é um pouco mais fechada.

Represa junto da Cachoeira
# E a trilha correta é a direita, que em mais uns 5 minutos leva até a cachoeira.

# Na verdade a trilha termina em frente a uma represa, onde as águas do Rio Sertãozinho passam por cima da barragem. Ali encontrei muito lixo, madeira, pequenos galhos, restos de uma fogueira, um acampamento com tenda montada, talheres, potes e panelas. Não me causou uma boa impressão, apesar do lugar estar deserto. Depois veja no vídeo.

# Não posso afirmar, mas a tenda deve ser de algum caçador, palmiteiro ou até pescador (encontrei um pequeno pote com algumas minhocas) que usa o local como base.


No topo
# Para quem quiser acampar não encontrará dificuldades, pois foram abertos vários descampados no meio da mata e se for fazer isso, traga seu lixo de volta, pf.

# A cachoeira está a alguns metros rio abaixo e ela é bem imponente, sendo separada da barragem da represa por um imenso poção, onde é arriscado mergulhar, devido à correnteza.

# Ela deve ter pouco mais de 10 metros de altura e possui um grande poção na sua base, sendo também desaconselhado um mergulho ali.

# O único local seguro que eu recomendo é junto da margem, no topo da cachoeira, onde existe um pequeno remanso do rio.

Poção na base da Cachoeira
# Devido a correnteza não me arrisquei cruzá-lo para o outro lado.

# Fiquei nessa cachoeira por cerca de 3 horas aproveitando o Sol e mergulhando as vezes e só quando estava saindo chegou um grupo de 3 pessoas.

# No retorno passei pela Cachoeira da Pedra Furada e fiquei por lá algum tempo.

# Quem dispor de um fim de semana ou feriado prolongado, recomendo conhecer as principais cachoeiras dessa região que estão próximas: Light, Pedra Furada e Elefante (conhecida também como Itapanhaú e onde já fui 2x). É uma trinca perfeita. 
Esses relatos podem ajudar: Cachoeira da Pedra Furada e Cachoeira do Elefante